Vocações e Potencialidades de Sergipe – Setor Rural

Para abordar o setor rural sergipano irei referir-me à atuação da Federação da Agricultura de Sergipe, dirigida pelo empresário, Ivan Apóstolo Sobral, que tem buscado desenvolver ações de melhor posicionamento do setor agropecuário sergipano.

Mesmo tendo um peso na faixa de 5% do PIB do Estado, temos uma agropecuária diversificada e que ao longo dos anos tem tido alterações em sua vocação produtiva. O Estudo da SUDENE que abordei no artigo anterior, não apresenta de forma detalhada as principais culturas e o direcionamento pecuário, pois o estudo é centrado na base industrial do Nordeste.

Assim, com base em informações atualizadas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), podemos aferir que do ponto de vista pecuário, Sergipe vem mantendo sua tradição na produção de alimentos bovinos, suínos, caprinos e de frango; destacando-se que o setor avícola, especialmente as aves de postura tiveram um maior direcionamento produtivo, em função do aumento do consumo de ovos; de acordo com os dados mais recentes do IBGE a produção de ovos em Sergipe no 1º trimestre de 2020, foi de 5.349 mil dúzias de ovos, foi um pouco inferior à produção do último trimestre de 2019, porém estes números têm crescido nos últimos anos, a cada trimestre de apuração.

A pecuária leiteira também tem tido um maior avanço, em face do crescente consumo do leite e seus derivados. Vale registrar que no 1º trimestre de 2020, a quantidade de leite que foi industrializado em Sergipe foi de 57.452 mil litros, a maior quantidade de leite processada em um trimestre, considerando-se os últimos cinco anos.

Na agricultura os dados do IBGE apontam que a safra de grãos de 2020 será 13% superior a de 2019, a expectativa é de 785.638 toneladas de grãos produzidas em Sergipe em 2020; a produção de 2019 foi de 695.197 toneladas de grãos, este crescimento de 13% na produção é fruto de um aumento de apenas 1,6% na área plantada, ou seja, está existindo uma melhoria de produtividade na agricultura sergipana. Cresce a produção de amendoim, feijão, milho (atualmente o principal produto da agricultura familiar de Sergipe), cana-de-açúcar (cultura de maior peso na produção agrícola de Sergipe) e mandioca. As culturas que terão queda são: arroz, banana e laranja.

Para melhor compreendermos as vocações e potencialidades de Sergipe no setor rural é imprescindível conhecermos a estrutura fundiária do Estado, e a característica mais marcante, conforme dados da Secretaria Estadual da Agricultura é a de que a estrutura fundiária de Sergipe tem forte concentração da propriedade da terra. Os últimos dados do Censo Agropecuário revelam que os estabelecimentos agropecuários com menos de 10 hectares, embora fossem mais de 78% do número total, ocupavam apenas 10% da sua área total e, por outro lado, os estabelecimentos agropecuários com área compreendida entre 1.000 e 10.000 hectares, eram apenas 0,1% do número total, mas ocupavam área superior àquela dos estabelecimentos com menos de 10 hectares.

Nesse sentido entende-se que Sergipe tem uma vocação de agricultura familiar e que tende a expandir-se de forma diferenciada nos perímetros irrigados que são administrados pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe – Cohidro. Referidos perímetros possuem infraesterutura física, assistência técnica e assistência creditícia capazes de ampliar a área agrícola irrigável aumentando-se o número de pessoas beneficiadas. Os tipos de irrigação mais utilizados nos perímetros irrigados de Sergipe são: aspersão, gotejamento e microaspersão.

Segundo dados da Cohidro, para citar um dos exemplos de perímetros irrigados, o Perímetro Califórnia está subdividido em 333 lotes, distribuídos entre 272 agricultores irrigantes e outros 61 que atuam na área de sequeiro e contam com um ponto de água para consumo humano, animal e para pequenas hortas domésticas, sendo que as principais culturas exploradas são: acerola, banana, goiaba, manga, graviola, abóbora, aipim, amendoim, feijão de corda, milho, quiabo, coentro, maracujá, pimentão e tomate.  Os dados da Cohidro apontam que no Perímetro Irrigado Jabiberi o projeto é do tipo irrigação pública estadual, em sistema de distribuição de água por gravidade. A exploração dos lotes está baseada, principalmente, na pecuária leiteira. Há também cultivo de hortaliças e de grãos, com destaque para o milho, além da caprinocultura e ovinocultura de corte.

Além dos dois perímetros que exemplificamos a Cohidro também administra os perímetros: Jacarecica I, Jacarecica II, Piauí, Ribeira e Platô de Neópolis. E segundo os informes da Companhia Estadual que administra referidos perímetros irrigados, a produção dos lotes dos perímetros contribui para uma boa oferta de itens da alimentação básica e possibilitam ampla oferta de alimentos para a população, inclusive equilibrando o preço da cesta básica, e contribuindo para Aracaju, sempre posicionar-se entre as capitais com a cesta básica mais barata do país.

Entendo que nas vocações e potencialidades de Sergipe temos a pesca como uma atividade a ser estuda para ampliar o seu potencial no estado, registre-se que o Ministério da Agricultura tem um plano para a revisão do ordenamento pesqueiro para a Bacia do Atlântico Nordeste Oriental, e Sergipe tem o seu litoral neste território. Sergipe é estado litorâneo; nas praias e nos lares o consumo de pescados é tradição, ou seja, existe demanda, e é uma vocação produtiva de Sergipe com capacidade e potencial de geração de emprego e renda. No próximo artigo irei abordar de forma detalhada o setor de comércio e serviços de Sergipe e suas vocações e potencialidades.

Autor

Saumíneo Nascimento

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