Você é intolerante à lactose?

Hoje é muito comum encontrarmos produtos com o termo “zero lactose”, mas, o que é a lactose?

A lactose é uma substância presente no leite e nos derivados lácteos. Também é conhecida como o “açúcar do leite”, pois proporciona a ele um sabor levemente adocicado. A sua função é fornecer energia e favorecer a absorção do cálcio no organismo.

A ingestão de lactose estimula o crescimento de bactérias benéficas do intestino como as Bifidobacterium e os lactobacilos. A lactose também reduz o pH intestinal, contribuindo assim para melhor absorção de minerais como o cálcio, magnésio, zinco e manganês.

A intolerância à lactose é a incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados. Isso acontece quando o organismo não produz ou produz em quantidade insuficiente a lactase que tem a função de quebrar e decompor a lactose, ou seja, digerir o açúcar do leite. Como consequência, essa substância chega ao intestino grosso inalterada. Ali, ela se acumula e é fermentada por bactérias que fabricam ácido lático e gases, promovem maior retenção de água e o aparecimento de diarreias e cólicas.

Como saber se é alergia ou intolerância?

A alergia é uma reação imunológica adversa às proteínas do leite, que se manifesta após a ingestão de uma porção, por menor que seja, de leite ou derivados. A mais comum é a alergia ao leite de vaca, que pode provocar alterações no intestino, na pele e no sistema respiratório (tosse e bronquite, por exemplo).

A intolerância à lactose é um distúrbio digestivo associado à baixa ou nenhuma produção de lactase pelo intestino delgado. Os sintomas variam de acordo com a maior ou menor quantidade de leite e derivados ingeridos.

A lactose pode ser muito prejudicial para os intolerantes. Quando alguém apresenta deficiência na produção da enzima lactase, a lactose é fermentada pelas bactérias do intestino grosso. Essa fermentação produz muitos gases, causa diarreia, náusea e, às vezes, vômito, dor abdominal, inchaço, prisão de ventre, dor de cabeça, perda da concentração, cansaço ou dor muscular. Os sintomas costumam surgir minutos ou horas depois da ingestão de leite in natura, de seus derivados (queijos, manteiga, creme de leite, leite condensado, requeijão, etc.) ou de alimentos que contêm leite em sua composição (sorvetes, cremes, mingaus, pudins, bolos, etc.).

Pesquisas mostram que 70% dos brasileiros apresentam algum grau de intolerância à lactose, que pode ser dividida em três graus: leve, moderado ou grave. Algumas pessoas têm deficiência mínima na produção da enzima e outras não a produzem. O grau de cada paciente só pode ser descoberto através de exames específicos.

A intolerância não é uma doença, é uma carência do organismo que pode ser controlada com dieta e suplementos. No início, a proposta é suspender a ingestão de leite e derivados da dieta a fim de promover o alívio dos sintomas. Depois, esses alimentos devem ser reintroduzidos aos poucos até identificar a quantidade máxima que o organismo suporta sem manifestar sintomas adversos. Essa conduta tem como objetivo manter a oferta de cálcio na alimentação, nutriente que, junto com a vitamina D, é indispensável para a formação de massa óssea saudável. Suplementos com lactase e leites modificados com baixo teor de lactose são úteis para manter o aporte de cálcio, quando a quantidade de leite ingerido for insuficiente. Além disso, os pré e probióticos são uma boa estratégia no tratamento desse problema.

As pessoas intolerantes à lactose precisam saber que na medida do possível, o leite não deve ser totalmente abolido da dieta; É importante ler não só os rótulos dos alimentos para saber qual é a composição do produto, mas também a bula dos remédios, porque vários deles incluem lactose em sua fórmula; Leite de soja, de arroz, de aveia não contém lactose; Verduras de folhas verdes, como brócolis, couves, agrião, couve-flor, espinafre, assim como feijão, ervilhas, tofu, salmão, sardinha, mariscos, amêndoas, nozes, gergelim, certos temperos (manjericão, orégano, alecrim, salsa) e ovos também funcionam como fontes de cálcio; É importante consumir verduras, frutas e cereais integrais, eles ajudam a facilitar o trânsito intestinal.

Comer de tudo um pouco é a melhor forma de manter o suporte de nutrientes necessários para a saúde e bem-estar do organismo.

A pessoa que desenvolveu intolerância pode levar uma vida absolutamente normal desde que siga a dieta adequada e evite o consumo de leite e derivados além da quantidade tolerada pelo organismo.

Antes de começar qualquer tratamento dietético, sempre consulte seu (sua) nutricionista para saber qual a melhor forma e estratégia nutricional para resolver o seu problema. E lembre-se sempre: Dieta só com nutricionista!

Abraço do nutri e até a próxima!

Autor

Décio Santos

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