Zizinha Guimarães, a educação como lema de vida

Ao seguir na linha de pesquisas acerca de mulheres exponenciais na história de Sergipe, não podemos deixar de realçar o nome de Eufrozina Amélia Guimarães, a delicada Professora Zizinha. Filha de Manuel Ferreira de Oliveira e de D. Amélia da Silva Guimarães, Zizinha nasceu em Laranjeiras num dia 26 de dezembro do ano de 1872. Mulher das mais destacadas, sempre foi referência na área social, principalmente no setor educacional. Dotada por mirífica inteligência e uma determinação indomável, jamais deixou se abater pelas dificuldades que enfrentou ao longo da sua audaciosa existência. 

Dentre tantos percalços, como por exemplo, o fato de não pertencer a uma família abastada, não ofuscou os seus inquestionáveis talentos e habilidades. Sua vivacidade virou marca registrada e a elegância com quê dava aulas permanece como exemplo para sucedâneas gerações. A sua forma de educar era voltada para a formação de verdadeiros cidadãos, chegando a ministrar aulas de Aritmética, Geografia, História, Português e Esperanto. Possuía também verve artística bem aflorada, pois fornecia aulas de teatro com peças compostas por ela própria. 

Sua formação escolar nos remete ao Colégio Inglês, instituição que era dedicada à educação feminina. Lá, Zizinha pôde aprender noções de piano, culinária, trabalhos manuais e pintura. Não podemos falar de formação social em Laranjeiras sem mencionar a relevância da atuação de Zizinha Guimarães. Mulher negra que dedicou sua existência em tempo integral ao ofício de lecionar e forneceu crescimento intelectivo para diversas gerações de sergipanos. Num tempo em que a educação tem que se adaptar às novas formas de ensinar, Zizinha ainda nos fornece paradigma de argúcia, gentileza e benevolência.

A origem humilde nunca a fez desistir, tanto é que chegou a ser professora, musicista e dançarina das mais brilhantes. Simpática pertinaz costumava falar com inegável graça e fluência. Ensinava como cumprimentar uma pessoa, o modo de sentar, de falar, de apertar a mão, ou seja, Zizinha ao mesmo tempo em que ensinava, vivia as suas aulas de corpo e alma. Equilibrava como poucas, o aspecto austero e humano, com uma polidez irremediável. Zizinha Guimarães era destaque nas colunas educacionais, exemplificado no jornal sergipano ‘Vida Laranjeirense’ entre os anos de 1930 a 1936, onde sempre teve espaço garantido para divulgar suas ações. 

Zizinha se destacava não só nas colunas referentes à educação, mas sua participação se dava também em eventos relacionados à agitada vida social e religiosa da cidade. Prova disso é quando levantamos algumas festas, como nos casos da Festa de Santa Teresinha e da Santa Maria Auxiliadora, que eram promovidas pela Escola Laranjeirense na insigne Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, cuja atuação de Zizinha era efetiva no que se refere à louvação a Nossa Senhora no antológico Órgão de Tubos. É inquestionável a relevância da Professora Zizinha Guimarães para a história da educação em Sergipe. A preservação da sua briosa memória é fator imperativo, pois uma narrativa de vida como a dela, jamais pode se permitir ser esquecida. 

Zizinha Guimarães nos deixou aos 92 anos num dia 1º de dezembro do ano de 1964 em sua residência, localizada até então na Praça Dr. Heráclito Diniz Gonçalves, no centro da cidade de Laranjeiras.  Numa terra que produziu Horácio Hora e João Ribeiro, só para citar alguns vultos, Zizinha continua sendo Luminar, mulher intrépida que assinala sua trajetória pautada na educação como lema de vida. 

Autor

Igor Salmeron

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