Agentes socioeducativos realizam ‘protesto solidário’

 

Da redação, AJN1

Para chamar a atenção para a terceirização e precarização das unidades socioeducativas, que são administradas pela Fundação Renascer, agentes de segurança estiveram na manhã desta terça-feira (12) no Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose) no bairro Capucho, em Aracaju, para doar sangue. A ação faz parte de uma série de atividades que vem sendo realizada pela categoria como forma de protesto contra o descaso do governo do Estado com o sistema socioeducativo. “Nosso protesto é silencioso e humano. É um ato de amor. Que doa sangue, doa vida”, ressaltou um dos agentes.

Os agentes denunciam que a atual gestão da Renascer não está apenas terceirizando a atividade socioeducativa, como está precarizando o serviço, ao permitir que pessoas sem qualquer experiência atuem nas unidades. Em pouco mais de um mês no Centro de Atendimento ao Menor (Cenam), quatro mulheres foram flagradas tentando entrar com drogas e aparelho celular na unidade, em alguns casos escondidos em embalagens de produtos de higiene pessoal e de limpeza, material que deveria ser fornecido pela Fundação e não pelos familiares.

“O governo do Estado deveria ter um outro olhar para a socioeducação, que também passa pela valorização e dar a importância devida aos seus funcionários. Ressocializar o adolescente não é apenas mantê-lo em cárcere. Cenam e Usip são projetos piorados de presídios, onde os jovens em cumprimento de medida passam a maior parte do tempo ociosos. Esperamos que com a vice-governadora Eliane Aquino, que já foi da pasta da Inclusão, a socioeducação volte a ser prioridade e que os profissionais sergipanos sejam valorizados”, disse um agente.

A informação dos agentes é que nos últimos anos a Fundação Renascer tem se utilizado de decretos de situações de emergência para realizar processos seletivos simplificados e contratar empresas terceirizadas, formando um verdadeiro trem da alegria dado o número elevado de funcionários que são parentes ou ligados as pessoas que ocupam cargos na instituição. “Na Fundação a contratação dos terceirizados tem sido através do ‘QI’, quem indica”, disse um agente.