ARACAJU/SE, 13 de março de 2026 , 8:15:25

CNT: dirigir na contramão é a maior causa de mortes em rodovias

 

Dirigir na contramão foi a principal causa de mortes nas rodovias federais brasileiras em 2025. Ao todo, 958 pessoas morreram em acidentes provocados por veículos trafegando na direção errada.

Embora esse tipo de ocorrência não seja o mais comum, ele responde por quase 16 em cada 100 mortes registradas nas estradas do país (15,9%), segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Em número de ocorrências, a causa mais frequente é a falta de reação do motorista a tempo, responsável por 11.456 acidentes. As colisões lideram entre os tipos de acidente, com 44.755 registros ao longo do ano. No entanto, quando se analisa apenas o número de vítimas fatais, a contramão aparece no topo do ranking.

Os atropelamentos surgem como a segunda maior causa de mortes, com 992 vítimas fatais, seguidos pelas saídas de pista, que provocaram 700 óbitos em 2025.

Panorama geral das rodovias

De janeiro a dezembro de 2025, foram registrados 72.476 acidentes nas rodovias federais, com 6.040 mortes e 83.490 pessoas feridas. Na prática, isso representa uma média diária de 199 acidentes e 16 mortes.

Em comparação com 2020, ano usado como base pelo Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), o número de acidentes cresceu 14%, enquanto as mortes aumentaram 18,3%. O resultado preocupa porque vai na direção oposta à meta do plano, que prevê reduzir pela metade o número de mortes no trânsito até 2030.

Mesmo quando não resultam em óbito, os acidentes deixam consequências graves. Em 2025, mais de 83 mil pessoas ficaram feridas, o que evidencia o impacto social e econômico desses casos para as famílias, para o sistema de saúde e para o país, informou a CNT.

BR-101 lidera em acidentes e mortes

A BR-101 foi a rodovia com mais ocorrências em 2025, somando 13.006 acidentes e 760 mortes. O trecho entre os quilômetros 200 e 210, em Santa Catarina, concentrou 575 registros, o maior número em um segmento específico.

Já o ponto com mais mortes foi o quilômetro 120 da BR-423, em Pernambuco, com 19 óbitos em um único trecho de dez quilômetros.

Regionalmente, o Nordeste registrou 1.938 mortes no período. No Maranhão, 22 de cada 100 acidentes terminaram em morte. Já a região Norte apresenta a maior taxa proporcional de vítimas fatais, com 13 mortes a cada 100 acidentes. No Amazonas, esse índice chega a 19 mortes para cada 100 ocorrências, o mais alto entre os estados.

O levantamento ainda aponta que 62,1% da extensão das rodovias avaliadas apresenta algum tipo de problema.

As principais deficiências estão na geometria da via (62,2% dos trechos), no pavimento (56,5%) e na sinalização (49,6%). Ao todo, foram identificados 2.146 pontos críticos, como buracos grandes, erosões e quedas de barreira. Entre os piores trechos estão as rodovias MA-006 e MA-106, no Maranhão; a PB-066, na Paraíba; e a BR-364, no Acre.

A CNT defende o conceito de “rodovias que perdoam”, com estruturas preparadas para reduzir as consequências de erros humanos, como faixas de alerta e defensas metálicas. A proposta integra a chamada “Visão Zero”, que considera inaceitáveis as mortes no trânsito e defende que o sistema viário deve ser planejado para evitar tragédias, mesmo quando há falhas dos condutores.

Recomendações aos motoristas

A entidade orienta que motoristas respeitem os limites de velocidade, façam ultrapassagens apenas em locais permitidos e evitem o uso do celular ao volante.

Em rodovias de pista simples e mão dupla, as ultrapassagens devem ser feitas exclusivamente pela esquerda e somente quando houver total segurança. Também é importante verificar as condições do veículo antes de viajar, planejar a rota, programar paradas para descanso e, no caso de motoristas profissionais, respeitar os períodos obrigatórios de repouso.

A CNT recomenda ainda a consulta aos painéis informativos da entidade, que indicam pontos críticos e rodovias mais seguras.

Fonte: IG

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