ARACAJU/SE, 19 de julho de 2024 , 13:06:49

logoajn1

Desastres climáticos no RS ressaltam a necessidade de planos de mudanças climáticas nas capitais brasileiras

 

Os recentes desastres climáticos no Rio Grande do Sul, como enchentes e deslizamentos de terra, sublinham a urgência das capitais brasileiras em implementarem planos diretores de mudanças climáticas. Uma pesquisa do Núcleo Vitória indica que 15 das 27 capitais do Brasil não possuem um Plano de Mudanças Climáticas, colocando em risco milhões de vidas e a infraestrutura urbana.

A arquiteta e professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tiradentes (Unit), Layla Araújo, salienta que as mudanças climáticas são uma realidade prevista pela ciência, tornando vital que grandes cidades possuam estratégias para enfrentar esses eventos. “As cidades impactam o meio ambiente e sofrem as consequências de desastres ambientais. Portanto, é crucial que as grandes cidades tenham planos para agir durante momentos catastróficos”, pontua.

Para ser eficiente, um Plano de Mudanças Climáticas deve incluir diversas medidas integradas, tais como:

  • Redução da emissão de gases poluentes: Implementação de políticas públicas que incentivem o uso de transporte público, bicicletas e energia renovável.
  • Gerenciamento de resíduos: Promoção de coleta seletiva, reciclagem e compostagem.
  • Reuso da água: Tratamento e reuso de águas pluviais e residuais.
  • Mobilidade urbana sustentável: Prioridade para pedestres, ciclistas e transporte público.
  • Proteção de áreas verdes: Criação de parques, jardins e espaços verdes dentro e ao redor das cidades.
  • Abastecimento de água e esgotamento sanitário: Garantia de acesso à água potável e tratamento de esgoto para todos.

Impactos da falta de planos

A inexistência de um Plano de Mudanças Climáticas resulta na ausência de diretrizes para enfrentar eventos climáticos extremos. “A falta do Plano impacta pela ausência de direcionamento e estratégias para lidar com as mudanças em curso, para evitar desastres ou, quando ocorrerem, ter direções claras de ações para mitigar os efeitos, em casos de inundações, alagamentos, deslizamentos de terra, falta de abastecimento de água potável e energia elétrica, entre outros possíveis eventos”, infere.

Outras consequências incluem:

  • Aumento do número de desastres naturais: Inundações, deslizamentos de terra, secas e outros eventos extremos podem se tornar mais frequentes e intensos.
  • Deterioração da infraestrutura urbana: Ruas, pontes, redes de energia e outros sistemas podem ser danificados por eventos climáticos extremos.
  • Prejuízos econômicos: Empresas e a economia local podem ser afetadas por interrupções na produção e no comércio.
  • Problemas de saúde pública: Doenças transmitidas por água e ar podem proliferar devido às mudanças climáticas.
  • Aumento da desigualdade social: Comunidades mais pobres e vulneráveis são mais propensas a serem afetadas pelos impactos das mudanças climáticas.

Desafios, boas práticas e conscientização

A arquiteta ressalta que, além de um bom plano, exemplos globais de boas práticas em planejamento climático podem ser aplicados. “A priorização da mobilidade urbana sustentável é uma das mais destacadas em casos ao redor do mundo. É sabido que um dos grandes responsáveis pela poluição ambiental e mudanças climáticas é a liberação de gases do efeito estufa por automóveis. Portanto, pensar em estratégias que priorizem meios não poluentes, ou menos poluentes, é um importante começo”, ressalta Layla.

No entanto, a implementação desses planos enfrenta diversos desafios, principalmente a necessidade de integração entre diferentes grupos sociais e políticos. “É uma questão abrangente que envolve decisões políticas, econômicas e sociais. Chegar a um consenso adequado para todos os setores é um grande desafio. Essa integração é essencial para a eficácia dos planos”, explica Araújo.

A educação e a conscientização sobre mudanças climáticas também são essenciais para o planejamento urbano. Layla enfatiza que políticas participativas são fundamentais nesse processo. “São estratégias e decisões que precisam ser tomadas em conjunto, com uma gama de profissionais que estudam de forma aprofundada as questões socioambientais (além de arquitetos e urbanistas, geógrafos, sociólogos, geólogos, engenheiros civis, entre outros); bem como contar com a participação da população – não são decisões a serem tomadas a portas fechadas. É necessária a participação de toda a sociedade”, finaliza.

Fonte: Asscom Unit

Você pode querer ler também