“Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a retornar”

Por Cláudia Lemos, Correio de Sergipe/AJN1

Fabiano Oliveira sabe o que está falando. É que o homem forte do entretenimento sergipano é “o cara” dos eventos, públicos ou privados, há pelo menos 30 anos em Sergipe. Mas mesmo toda a sua experiência não tinha como antever as consequências da pandemia do novo coronavírus. E a melhor maneira de lidar com tudo isso é seguir o fluxo. “Estamos acompanhando todas as medidas dos Decretos do Estado e Município, as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e também junto a ABRAPE (Associação Brasileira de Produtos de Eventos) do Brasil, que a gente representa ao lado de grandes colaboradores aqui no Estado, onde temos 15 filiados. Agora aguardamos o desenrolar de todos esses acontecimentos”. Mas isso não quer dizer que Fabiano não nutra boas esperanças, ou “vibrações positivas”, como diz seu mais famoso bordão. “É orar e pedir muita fé a Deus para tudo. Se reinventar, ter paciência, união, dialogar permanentemente, planejar para o futuro, porque nossa atividade foi a primeira a parar e temos consciência que será a última a retornar, porque cria aglomerações, mas vamos voltar fortalecidos”. Sobre os prejuízos acumulados pelo setor, ele é taxativo. “Não temos como mensurar o tamanho do prejuízo. Paramos em nossa totalidade, são 75 municípios. Afetou os festejos juninos, que movimentam a sergipanidade com as quadrilhas juninas, apresentações artísticas, bandas, sanfoneiros, comidas típicas. Sem sombra de dúvida é imensurável o prejuízo”. Só que nada disso o impede de buscar soluções práticas para minimizar o impacto da pandemia no segmento. “Estamos preparando o planejamento de retomada dos eventos e a partir da próxima semana já temos agendamento de reuniões com o setor de turismo, através do secretário de Estado Sales Neto, vamos fazer visita a Luciano Correa, da Funcaju, visitar o secretário de Turismo de Aracaju, o governador Belivaldo Chagas, solicitar audiência com o prefeito Edvaldo Nogueira”. Confira mais nessa entrevista exclusiva.

Correio de Sergipe – Sabemos que toda empresa realiza planejamento, seja semanal, mensal ou anual. Como estava a agenda da Augusto Produções para 2020. Seria o ano do retorno do Pré-Caju. Como você, enquanto empresário, analisa os efeitos da pandemia do novo coronavírus em Sergipe, no setor de eventos? Você já considera 2020 um ano perdido para este segmento?

Fabiano Oliveira – Estávamos seguindo um planejamento de eventos dentro do calendário anual, com praticamente um grande show por mês, fora outros eventos menores que aparecem dentro das excursões realizadas pelo Nordeste. Já estávamos com evento anunciado e com produção local, que era o Boteco do Gustavo Lima, previsto para ser realizado em maio, e estávamos também fazendo a produção local do Unha Prime, com a Banda Unha Pintada e mais cinco grandes atrações, que aconteceria em abril. Agora, estamos acompanhando todas as medidas dos Decretos do Estado e Município, as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e também junto a ABRAPE (Associação Brasileira de Produtos de Eventos) do Brasil, que a gente representa ao lado de grandes colaboradores aqui no Estado, onde temos 15 filiados. Agora aguardamos o desenrolar de todos esses acontecimentos. É orar e pedir muita fé a Deus para tudo. Se reinventar, ter paciência, união, dialogar permanentemente, planejar para o futuro, porque nossa atividade foi a primeira a parar e temos consciência que será a última a retornar, porque cria aglomerações, mas vamos voltar fortalecidos. Quanto ao Pré-Caju, vínhamos dialogando com o Trade Turístico, a ABIH-SE (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Sergipe), sinalizando para que o evento pudesse acontecer no Orla da Atalaia, onde os próprios hotéis iriam montar os seus camarotes, seus eventos. Sabemos do potencial para atrair turistas, principalmente da Bahia, Alagoas, o Nordeste, Centro-Oeste. A própria Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) já sinalizou para movimentar o setor. Assim que passar a pandemia, vamos voltar, retomar o diálogo, inclusive com os órgãos públicos.

CS – Quanto a pandemia já custou ao mercado sergipano de entretenimento. Tem como estimar?

FO – Não temos como mensurar o tamanho do prejuízo. Paramos em nossa totalidade, são 75 municípios. Afetou os festejos juninos, que movimentam a sergipanidade com as quadrilhas juninas, apresentações artísticas, bandas, sanfoneiros, comidas típicas. Sem sombra de dúvida é imensurável o prejuízo, principalmente no nosso setor de eventos, que movimenta mais de 70 setores: aeroportos, hotéis, pousadas, restaurantes, seguranças, decoradores, alugueis de carros, roupas, produtores, empresas de montagem de palcos, iluminação, som, roupas, supermercados, enfim, o prejuízo é gigantesco além do desemprego que assola o mundo com a pandemia.

CS – Após mais de três meses suspensos, alguns setores já retomaram suas atividades ou se preparam para isso, porém, ainda não há perspectivas para quem depende da aglomeração de pessoas para trabalhar. Como o setor tem enfrentado esse momento. Quais as alternativas encontradas para tentar manter o caixa positivo?

FO – A ABRAPE Brasil vem trabalhando permanentemente, discutindo, dialogando para que possamos apresentar um planejamento de retomada no momento adequado. As lives têm sido uma grande saída para a área artística continuar trabalhando. Temos visto também em alguns Estados o uso do Drive Thru, em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, onde as pessoas vão de carro ver filme, voltando aos velhos tempos, e os DJs se apresentam antes. É ter esses cuidados e observar as recomendações para quando retomar a economia. A ABRAPE vem se reunindo todas as terças-feiras. Dentro de mais uma semana, estaremos apresentando o planejamento ao Governo e a Prefeitura de Aracaju e no interior, porque alguns municípios têm filiados, a forma mais adequada dos eventos retomarem as atividades.

CS – Sabemos que o setor de eventos é muito mais que um artista ou banda se apresentando no palco. Há um grande número de anônimos trabalhando para garantir o sucesso de um espetáculo e são esses os mais prejudicados. O que pode ser feito para tentar mitigar os efeitos negativos no setor?

FO – Sem sombra de dúvidas nosso setor é muito mais que um artista, pois movimenta a economia direta e indiretamente, são mais de 70 setores. Então é um momento de planejar, focar, reinventar e usar de toda criatividade para apresentar um planejamento para a retomada. A ABRAPE procura amenizar os efeitos negativos no setor e para isso temos que continuar unidos e trabalhando para retornar o mais rápido possível, trazendo alegria e, acima de tudo os empregos tão necessários para o cidadão, e todo o movimento de geração de empregos e renda e desenvolvimento do Estado de Sergipe.

CS – Uma saída encontrada no mundo artístico foi a realização de lives, diante da impossibilidade de shows presenciais. É uma alternativa rentável. Acha que dá para ganhar dinheiro com isso. Será uma tendência pós-pandemia?

FO – A saída com as lives é uma alternativa, os artistas se movimentam através de parcerias com os patrocinadores e com o uso R-Code, que colocam na tela do You Tube, na TV e nas transmissões que fazem para arrecadar, não só alimentos, mas também recursos para minimizar esse momento tão sofrido. Temos que continuar acreditando, trabalhando, tudo focado.

“Precisamos tirar todos os ensinamentos, principalmente os positivos para que a gente volte a rotina do trabalho com mais amor, união, fé e mais dialogo, mais planejamento”, Fabiano Oliveira.

CS – É a primeira pandemia deste século. Ninguém havia se preparado para algo assim. Muito se fala que a partir de agora tudo será diferente. O que você acha que vai mudar no setor de eventos. O empresário deste segmento já planeja mudanças permanentes tiradas deste momento. Quais adaptações necessárias à sobrevivência do setor?

FO – Sem dúvida a pandemia do século parou tudo, o Brasil e o Mundo, e ninguém estava realmente preparado para algo assim. Mas agora temos que seguir todas as determinações e protocolos de combate à doença. Esse planejamento que a ABRAPE Brasil vai apresentar, e a ABRAPE Sergipe vai adequar a nossa realidade, é para termos uma adaptação necessária para a sobrevivência dos eventos, mas, acima de tudo, fé, temos que ter Deus, que assim que a vacina tiver a disposição de todos vamos retomar os grandes eventos como o Pré-Caju, o Fest Verão, enfim, segurança a todos, não só na retomada dos eventos, mas de todos os setores produtivos. Acredito que pequenos eventos têm condições de voltar a partir de agosto ou setembro, acredito nessa retomada cultural, de teatros, boates, tendo os cuidados necessários.

CS – Como você vê o cenário pós-pandemia?

FO – Vejo o cenário com o mundo completamente diferente, mas acima de tudo, com as pessoas melhores, com mais solidariedade que deverá permanecer, com mais amor, acima de tudo voltada para o trabalho, e a economia voltará diferente. O Home Office tem sido muito utilizado, nas reuniões através de vídeo, vai permanecer esse recurso, vejo o mundo com as pessoas mais cautelosas, cuidadosas e acima de tudo, tendo muita criatividade e união, diálogo para a retomada da economia de forma consensual e mais elevada espiritualmente, na base da união empresarial.

CS – O setor já se mobilizou para buscar ajuda do governo?

FO – Estamos preparando o planejamento de retomada dos eventos e a partir da próxima semana já temos agendamento de reuniões com o setor de turismo, através do secretário de Estado Sales Neto, vamos fazer visita a Luciano Correa, da Funcaju, visitar o secretario de Turismo de Aracaju, o governador Belivaldo Chagas, solicitar audiência com o prefeito Edvaldo Nogueira, visitar o presidente da Emsurb, Luiz Roberto, e apresentar o projeto para a retomada das atividades.

CS – Qual mensagem você pode deixar para as pessoas?

FO – A mensagem que deixo é de muita fé em Deus, pois a fé move montanhas, e tudo isso vai passar. Precisamos tirar todos os ensinamentos, principalmente os positivos para que a gente volte a rotina do trabalho com mais amor, união, fé e mais dialogo, mais planejamento, e que a gente possa ver o mundo pode ser melhor. Os eventos vão voltar de forma mais cautelosa, mais seguros, trazendo renda, empregos, alegria, desenvolvimento e acima de tudo , trazendo de volta o turismo para Sergipe. A gente torce para que as obras do Centro de Convenções, que está a todo vapor, que estejam prontas após a pandemia, pois será de grande importância o Centro de Convenções para retomar o setor de feiras, congressos, encontros para movimentar o turismo.