O sindicalismo de toga produz riqueza na Justiça do Trabalho

 

Por Mario Sabino, O Antagonista

Leio no Valor Investe que uma empresa chamada Pro Solutti Capital, “gestora de ativos judiciais, acaba de fechar parceria com um fundo de direitos creditórios (nome não foi revelado) e está com mais de R$ 100 milhões de reais disponíveis para compra de processos trabalhistas no Brasil“. Sim, é isso mesmo. Como apontou ironicamente no Twitter a juíza do trabalho Ana Fischer, uma das responsáveis pela reforma trabalhista que conseguiu diminuir em 32% o número de ações desde 2017, “processo trabalhista está virando mercadoria e investimento. Como se diz por aí, parabéns a todos os envolvidos”. O tamanho do mercado? Seiscentos e vinte bilhões de reais.

A empresa compra com deságio processos de valor pequeno ou médio, garantindo liquidez aos impetrantes, e continua a tocar a ação até o fim. Como a área trabalhista é uma daquelas com maior grau de judicialização no Brasil e os sindicalistas de toga que dela fazem parte favorecem enormemente os funcionários, em detrimento das empresas, as chances de ganho dos atravessadores são espetaculares. Segundo o executivo da Pro Solutti disse ao Valor Investe, “já foram alocados mais de R$ 50 milhões de reais em ativos judiciais e a carteira atual de casos supera os R$ 120 milhões. A taxa de retorno da carteira hoje está em torno de 40%, cerca de 25% ao ano ao investidor“— bem mais, portanto, do que os 3% a 4% anuais de um fundo de investimentos, nestes tempos gloriosos de Selic baixa.

É espantoso que uma empresa de investimentos fature alto com processos julgados, no mais das vezes, por sindicalistas de toga que odeiam capitalistas. Para completar o quadro fantástico, a Pro Solutti emprega tecnologia “para analisar os casos na hora de escolher a qual fazer ofertas, com cálculo do percentual de probabilidade de sucesso”. Ou seja, é o algoritmo capitalista antecipando os efeitos do pensamento de que todo patrão é, necessariamente, um explorador. Convenhamos que a mais-valia nunca valeu tanto.

A judicialização extrema, o ódio aos empresários de boa parte dos juízes — que insistem nas tentativas de torpedear a reforma trabalhista — e a lentidão da Justiça confluem para que os lucros sejam maximizados. Parabéns mesmo a todos os envolvidos. O socialismo, enfim, produz riqueza.

Fonte: O Antagonista