Pesquisa do IBGE investiga bullying, uso de bebidas, drogas e vida sexual dos alunos de Sergipe

O Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última semana os dados da quarta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2019, em parceria com o Ministério da Saúde e com o apoio do Ministério da Educação.m A PeNSE fornece informações para o sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para a saúde dos escolares, do Ministério da Saúde, com dados atualizados sobre a prevalência e a distribuição desses fatores no público-alvo. A pesquisa é voltada em alunos de 13 a 17 anos de idade, das redes pública e privada para Sergipe e Aracaju.

De acordo com o IBGE, a PeNSE 2019, por se constituir em um ponto de observação, imediatamente anterior à pandemia de covid-19, das condições de saúde e de exposição aos fatores de risco e proteção que os escolares brasileiros estavam expostos, se caracteriza como um importante ponto de referência e parâmetro na análise dos impactos da pandemia.

Se por um lado, as condições de vida e saúde dos adolescentes e de toda a população mundial se alteraram com a pandemia, é com a análise das informações e indicadores, dentre os quais os promovidos pela PeNSE 2019, que se poderá estabelecer melhores planejamentos de políticas sociais e planos de recuperação, capazes de considerar as enormes desigualdades e vulnerabilidades a que os adolescentes estão expostos.

Módulo 1 : Bullying e cyberbullying

A pesquisa investigou o percentual de alunos que se sentiram humilhados por provocações de colegas na escola e a frequência desta ação. Em Sergipe, 63,2% afirmam que em nenhuma vez se sentiram dessa forma, diante de 21,2% que passaram por essas situações duas ou mais e 15,2%, somente uma vez. Sobre vivenciar situações de humilhação por duas vezes ou mais, o percentual entre pessoas do sexo feminino (22,1%) foi superior em relação ao sexo masculino (20,1%).

Dos alunos que se sentiram humilhados, a pesquisa investigou as causas e detectou que em 14,9% dos casos, a humilhação ocorreu por conta do corpo da pessoa, 12,5% pela aparência do rosto e 4,3% por cor ou raça. No que se refere ao cyberbullying, a pesquisa apontou que 12,1% dos alunos se sentiram humilhados, ofendidos e ameaçados nas redes sociais. Este percentual foi de 12,9% em Aracaju. Ainda, 10% dos alunos afirmaram ter praticado bullying em Sergipe, sendo 13,3% do sexo masculino e 7% do sexo feminino.

Ainda, 4,6% escolares de 13 a 17 anos afirmam não ter amigos próximos. Com isso, Sergipe registra o terceiro maior percentual do Nordeste, ficando atrás de Alagoas, com 5% e Bahia, com 4,7%. Neste aspecto, 17% dos escolares de 13 a 17 anos tiveram uma autoavaliação em saúde mental negativa, nos 30 dias anteriores à pesquisa, fazendo com que Sergipe apresente o segundo maior percentual do Nordeste, ficando atrás apenas de Pernambuco, com 17,5%.

Na capital, este percentual foi ainda maior, chegando a 35,4% e sendo o 6º maior do país e o maior do Nordeste. Ainda, 33,4% dos jovens da capital afirmaram sentir que ninguém se preocupava com eles(as) na maioria das vezes ou sempre. Este é o maior percentual obtido entre as capitais nordestinas.

Módulo 2: Uso de cigarro, bebidas e drogas

Em Sergipe, 13,7% dos alunos afirmaram ter utilizado cigarro uma vez, sendo 14,6% vinculados à escola pública (2º menor percentual do NE) e 10,2% na privada. Em Aracaju, este percentual foi de 16%, sendo o menor da região. Ainda, em Sergipe 6,9% dos alunos que já fumaram, fizeram isso pela primeira vez com 13 anos ou menos, sendo que em Aracaju, este percentual sobe para 7,8%.

O maior percentual (33,3%) dos jovens conseguiram comprar o cigarro em bar, boteco, padaria ou jornal.
Ainda, 15,7% afirmam ter utilizado narguilé, com percentual de 19% em Aracaju, que foi o maior entre as capitais nordestinas. O uso do cigarro eletrônico em Sergipe por estudantes de 13 a 17 anos foi de 12,8%, sendo o maior do Nordeste, junto com o estado do Ceará. Nesta investigação, 15,9% dos alunos tinham ao menos um dos pais fumantes, sendo 17,6% vinculados à escola pública e 9,5%, à escola privada.

Ainda, 62,7% dos escolares de 13 a 17 anos experimentaram bebida alcoólica alguma vez em Sergipe, sendo o maior percentual do Nordeste. Neste aspecto, 62,5% estão vinculados à escola pública e 63,6%, à escola privada. A média nordestina foi de 56,5% e em Aracaju, de 66%, segunda maior do Nordeste, atrás apenas de Salvador, com 68,2%.

Deste total, 34,9% dos alunos em Sergipe beberam a primeira dose de bebida alcoólica com 13 anos ou menos, sendo o maior percentual nordestino. Sobre o vínculo destes alunos, 34% são da rede pública e 38,2% da rede privada. Em Aracaju, este percentual foi de 36,8% em Aracaju e é o maior percentual entre as capitais nordestinas.

Quem consumiu a bebida nos 30 dias anteriores à pesquisa (24,1% dos estudantes de 13 a 17 anos), conseguiu comprar em loja, botequim, bar ou mercado (26,6%) ou conseguiu em festas (33,2%) e com amigos (18,9%).

Sobre o uso de drogas ilícitas, 7,3% dos estudantes afirmaram ter feito o uso alguma vez na vida.
Este percentual sobe para 10,3% em Aracaju. Ainda, 2,9% dos alunos utilizaram maconha nos 30 dias
anteriores à pesquisa.

Módulo 3: Vida sexual dos alunos

Dos escolares de 30 a 17 anos, 30,1% tiveram relação sexual alguma vez em Sergipe. Este é o terceiro menor percentual do país – o maior está no Amazonas, com 45,8%. No Brasil, a média é de 35,4%. Em Aracaju, o percentual foi 29,8%. De modo geral, este percentual foi maior entre as pessoas do sexo masculino (35,3%), do que no sexo feminino (25,6%). A incidência também foi maior em alunos da rede pública: 31,9%, do que na rede privada, com 23,6%.

Ainda, 60,8% dos escolares de 13 a 17 anos que tiveram relações sexuais, realizaram o uso de camisinha em um dos parceiros. Este é o sexto menor percentual do país. O maior está no Rio Grande do Sul, com 76,9% e o menor, em Alagoas com 55,4% em Alagoas. Em Aracaju, este percentual foi de 57,2%.

Ainda, 45,5% das meninas 13 a 17 anos, dentre as que já tiveram relações sexuais, usaram pílula do dia seguinte (contracepção de emergência) alguma vez. Ainda, 9,4% das meninas de 13 a 17 anos, dentre aquelas que já tiveram relação sexual, engravidaram alguma vez . O maior percentual do país está em Alagoas, com 15,3% e o menor em Santa Catarina, com 3,7%. A incidência da gestação foi superior na rede pública (10,5%) do que na rede privada (2,5%).

Ainda, em Sergipe, 12,2% dos escolares de 13 a 17 anos afirmaram que alguma vez na vida alguém o(a) tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade. Neste aspecto, a incidência desta ação afetou mais meninas (16,1%), do que meninos (7,7%). Sobre quem praticou a ação, em 24,9% havia sido o namorado, 27,2% um amigo, 21,6% uma pessoa desconhecida, 5,6% do pai, mãe ou padrasto e 18,8% de outros familiares.