Professor sergipano é premiado por organização internacional

Por Wilma Anjos

O professor doutor sergipano, José Aderval Aragão, do Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), recebeu em junho passado o prêmio internacional The International Scientist AWARDS on Engineerring, organizado pela associação profissional emergente para o desenvolvimento de tecnologia, VDGOOD Profissional Association. O reconhecimento veio após avaliação de seu currículo Lattes. O objetivo do prêmio é incentivar e reconhecer pesquisadores nas áreas de Engenharia, Ciência e Medicina em todo o mundo. Além de premiado, o pesquisador agora é membro ativo da VDGOOD. Durante 25 anos Aderval tem se dedicado a pesquisas em anatomia. Ele é considerado por seus colegas anatomistas brasileiros uma referência no assunto. O professor já experimentou o sabor do reconhecimento por sua dedicação, mas, num patamar mundial, esta é a primeira vez, e demonstra sua alegria incentivando ainda mais jovens para a pesquisa. Confira a conversa:

 

Correio de Sergipe: Professor, em primeiro lugar, parabéns pelo reconhecimento! Trata-se de um prêmio em escala mundial. Pode nos falar um pouco como o conquistou, foi através de um projeto?
José Aderval Aragão:
Não teve um projeto. O prêmio foi concedido a partir da avaliação do meu currículo Lattes. Fiz a inscrição para o prêmio The international Scientist AWARDS on Engineerring, Science and Medicine, depois recebi a solicitação para enviar meu currículo por meio do e-mail awardconf2022@gmail.com. Após um certo tempo foi aprovado meu nome para concorrer ao prêmio. Pediram para preencher um formulário com um resumo de minha vida na universidade, e logo depois recebi uma carta de declaração oficial informando que estava concorrendo ao prêmio.

 

CS: Com base numa declaração do senhor à imprensa, de início não estava nos seus planos fazer a inscrição. O que o motivou?
JAA:
Creio que o que me motivou foi o currículo que fiz durante esses 25 anos de dedicação à anatomia, e por ser considerado entre os colegas anatomistas brasileiros como um dos pesquisadores que mais produz na área de anatomia macroscópica no Brasil.

 

CS: Esta é a primeira vez que o senhor recebe um prêmio desta magnitude?
JAA:
Essa é a primeira vez que recebi um prêmio internacional, embora já tenha recebido três prêmios nacionais dado pela Sociedade Brasileira de Anatomia (SBA), um por notório saber em Anatomia Humana, em 2010, e os outros foram o Laureal Professor Alfonso Bovero, pelos 200 anos da Anatomia no Brasil, em 2008, e o Prêmio Prof. Renato Locchi de Ciências Morfológicas em 2010. Porém, o mais importante de tudo isso foi a surpresa de um prêmio internacional que não esperava. A relevância dessa premiação, acredito que é um reconhecimento do meu trabalho e uma honra para mim, pois é uma plataforma que reúne  pesquisadores, cientistas e acadêmicos para dar e receber ideias, conhecimentos e experiências para melhorar a carreira universitária.

 

CS: Quais os planos agora, após o reconhecimento?
JAA:
Meus planos são continuar como sempre fui, produzindo conhecimento não só para minha Universidade Federal de Sergipe, como para o meu estado, para o Brasil e para o mundo. Em 2006 publiquei um trabalho fruto da minha dissertação de mestrado que fiz pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), chamado Anatomical Study of the Gastrocnemius Venous Network and Proposal for a Classification of the Veins, em que fiz a classificação anatômica das veias gastrocnêmias (veias da panturrilha) e que poucos sergipanos sabem, recebe o meu sobrenome “Aragão” na anatomia vascular, e que teve a parceria com o Dr. Francisco Poli de Figueiredo (in memoriam) da Universidade Federal de São Paulo e Dr. Francisco Prado Reis da Universidade Federal de Sergipe, meu ex-professor de neuroanatomia, ambos orientador e co-orientador.

 

CS: Além do título, agora o senhor será membro ativo da VDGOOD Profissional Association, organizadora do prêmio. Pode nos esclarecer o que o posto significa?
JAA:
Com o prêmio, também tive a honra de receber um certificado de membro ativo da VDGOOD Profissional Association, que é uma associação profissional emergente para o desenvolvimento de tecnologia, que trabalha todas as áreas como fonte de informações técnicas e profissionais, recursos e serviços, defende a profissão e ajuda a introduzir carreiras em tecnologia para jovens em todo o mundo.

 

CS: O governo Federal comunicou no final de maio o bloqueio de verbas do Ministério da Educação (MEC), previstas para 2022. Ainda assim o senhor trouxe esse destaque para Sergipe. Como está a situação do orçamento da UFS para pesquisas?
JAA:
Acredito que não só a Universidade Federal de Sergipe, mas como todas as Universidades públicas vêm sofrendo ao longo de décadas com os cortes na verbas para as pesquisas, e que nós pesquisadores muitas vezes temos tirado dinheiro do nosso bolso para complementar diversas pesquisas.

 

CS: No Departamento de Morfologia da universidade, o qual o senhor integra, como é o engajamento dos jovens com a Ciência e Pesquisa?
JAA:
Posso garantir que o nosso Departamento de Morfologia é um dos que mais produz pesquisa básica em todo o estado. Não só eu, mas todos os outros colegas têm incentivado diversos alunos já no primeiro ano de faculdade. Eu mesmo tenho uma relação muito estreita com meus alunos de Medicina e muitos deles ao terminarem o primeiro semestre da minha disciplina de anatomia já têm artigos e capítulos de livros publicados. Acredito que somos exemplo para o Brasil, pois diversos colegas perguntam como faço para que ocorra isso, e eu respondo: Dedicação.

 

CS: Aliás, talvez a população desconheça a importância do setor para o desenvolvimento da sociedade. Como os estudos do Departamento contribuem para a população?
JAA:
Nosso departamento tem contribuído bastante na pesquisa básica, como controle da dengue, parasitoses, imunologia, virologia, como se comporta o colágeno nos tendões, e que muitas vezes são responsáveis por tendinites, etc. Temos também um museu de anatomia, onde recebemos diversos alunos de todas as escolas públicas e privadas, não só do estado de Sergipe, como da Bahia e Alagoas.

 

CS: O senhor acredita que a sua premiação de certa forma alavancará o interesse dos alunos por anatomia humana?
JAA:
Com certeza, pois tenho dito aos meus alunos de Medicina que a disciplina de anatomia é uma das mais importantes do curso médico, pois quem sabe anatomia e aprende em cadáveres, com certeza será um grande profissional, não só na área clínica, mas especialmente na área cirúrgica e na imagenologia como: ressonância magnética, tomografia, ultrassom, etc.

 

CS: Gostaria de deixar uma palavra de incentivo para os futuros pesquisadores?
JAA:
Que mesmo nas adversidades, acreditem em eu seu potencial. Digo diariamente aos meus alunos, e em especial aos meus filhos, que acabaram de formar em Medicina, muitas vezes não precisa ser um gênio, mas precisa ser determinado e querer aprender.