Sergipe lidera taxa de mortes por consumo de álcool

 

Sergipe lidera o ranking nacional de maiores taxas de mortes atribuídas ao álcool, com índice de 39,3 mortes por 100 mil habitantes. No Brasil são 32,6 mortes 100 mil habitantes ao todo. Vale registrar que é o menor índice desde 2012. É o que aponta o estudo Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2021, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool CISA, sobre o impacto do uso nocivo de bebida alcóolica na saúde dos brasileiros.

Esta é a terceira publicação da série. Há dez anos foi lançada a Estratégia Global para Reduzir o Uso Nocivo de Álcool, cuja meta era diminuir em 10% o consumo nocivo do álcool ao longo do período.

Conforme a pesquisa, no quesito hospitalizações, Sergipe é o segundo do país com menor taxa 86 internações por 100 mil habitantes, número inferior ao índice nacional de 170 internações por 100 mil habitantes.

Entre as principais causas de óbitos estão violência interpessoal (22%), transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool (20%), cirrose hepática 15% e acidente de trânsito (15%).

Porém, o CISA considera que a década de 2010 encerrou de forma crítica devido a pandemia da covid-19. Durante a crise sanitária, o aumento de sentimentos negativos, como medo, ansiedade e tristeza, teve impacto significativo na saúde mental, tornando a atenção ao consumo de álcool ainda mais necessária. Em razão disso, o Panorama 2021 também apresentou um capítulo especial sobre como a pandemia afetou o consumo de álcool.

Mulheres

Uma das novidades do estudo é a análise inédita dos principais indicadores relacionados ao uso de álcool entre 2010 e 2019, que traz como destaque regional a tendência de aumento das internações atribuíveis ao álcool entre as mulheres, com variação média anual de 2,5% em Sergipe, acima da nacional, de 1,9%.

O dado alarmou a vice-presidente do CISA, Erica Siu. “É preocupante a tendência de aumento das internações atribuíveis ao álcool entre as sergipanas, especialmente por ser superior ao índice nacional. A sociedade, gestores públicos e demais atores devem se mobilizar para campanhas de prevenção e conscientização sobre o impacto do uso abusivo de álcool entre as mulheres. Elas são biologicamente mais vulneráveis aos efeitos do álcool e, com a pandemia, têm sido mais impactadas em termos de saúde mental. Portanto, problemas relacionados ao uso nocivo dessa substância podem inclusive aumentar nos próximos anos se nada for feito”, analisou Siu, vice-presidente.

O CISA é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) especializada em álcool desde sua fundação, em 2004 Seu trabalho se dá em conscientização, prevenção e redução do uso nocivo de bebidas alcoólicas, além da divulgação de pesquisas e dados científicos.