ARACAJU/SE, 13 de dezembro de 2025 , 10:30:31

Sindipetro fará ato contra desativação da Fafen-SE

Da redação, AJN1

O Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe (Sindipetro AL/SE) vai fazer um manifesto no próximo dia 30 de janeiro, em frente à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen) da Petrobras, situado no povoado Pedra Branca, município de Laranjeiras. A categoria é contra a desativação da unidade, prevista para ocorrer no dia 31 deste mês, alegando prejuízos sociais e econômicos.

Segundo o Sindicato, os resultados do processo de hibernação serão nefastos, com demissão de milhares de trabalhadores, a alta dos preços dos fertilizantes e elevação do preço dos alimentos, principalmente para os mais pobres.

“Nem aceitamos hibernação, nem privatização”, afirma Edvaldo Leandro, diretor do Sindipetro AL/SE. “Essa fábrica é um patrimônio do povo brasileiro. Além da geração de emprego e renda, trata-se da defesa da nossa soberania e segurança alimentar. Por isso convocamos esse fórum. Além da categoria petroleira, chamamos todas as centrais sindicais, sindicatos, movimentos organizados, partidos, políticos com mandatos e a população em geral, a lutar em defesa desse patrimônio, que é nosso”, diz.

De acordo com o Sindicato, a Fafen da Bahia, que já foi parada no dia 4 deste mês, junto com a de Sergipe, tem potencial para empregar 1.500 trabalhadores, e são gerados mais de 5.000 empregos indiretos na cadeia produtiva dessa indústria. Elas são responsáveis por 30% da produção de fertilizantes do Brasil, que importa 70% de sua produção, para abastecer a produção nacional de alimentos.

“Parece auto-sabotagem com intenção de hibernar e privatizar essas fábricas, tendo em vista que o mercado de fertilizantes tem uma grande perspectiva de crescimento no país com a expansão da agricultura, seja do agronegócio ou a familiar visando a soberania alimentar. Na verdade, existem interesses de empresas estrangeiras como a russa Acron e a Bungie. Há tempos o Sindipetro está denunciando isso e vai continuar na luta para impedir essa intenção de entrega do patrimônio brasileiro que representam as Fafens de Sergipe e Bahia”, explica Bruno Dantas, dirigente sindical.

Hibernação X Arrendamento

O governo de Sergipe foi informado sobre o possível fechamento da Fafen no dia 19 de março de 2018, e o processo de hibernação, denominado pela Petrobras, estava previsto para acontecer em 1º de novembro daquele ano, mas foi postergado.

No último dia 10 de janeiro, a Petrobras anunciou que está iniciando o processo de arrendamento das fábricas de fertilizantes localizadas em Sergipe e na Bahia. De acordo com a petrolífera, o procedimento de pré-qualificação visa habilitar as empresas que manifestarem interesse em participar em licitações futuras destinadas ao arrendamento das fábricas, incluindo os terminais marítimos de amônia e ureia no Porto de Aratu (BA).

O arrendamento é consequência de alternativas à hibernação, articuladas em conjunto com representantes dos governos e federações das indústrias dos estados de Sergipe e da Bahia e demais participantes de um grupo de trabalho que foi formado em prol das fábricas.

Fundação

A fábrica de Sergipe entrou em operação em 1982 e marcou um novo ciclo do desenvolvimento no estado, com a construção da adutora do Rio São Francisco, a ampliação da rede de energia elétrica, a revitalização da ferrovia que liga Sergipe à Bahia e ainda com a instalação do Terminal Portuário Ignácio Barbosa, em Barra dos Coqueiros, a 36 quilômetros de Aracaju.

Ocupando uma área de 1 Km², a fábrica produz amônia, ureia fertilizante, ureia pecuária, ureia industrial, ácido nítrico, hidrogênio e gás carbônico.

Desde 2014, a Fafen conta com uma planta de produção de sulfato de amônio com capacidade para produzir até 303 mil toneladas/ano, o que equivale a 80% da importação da região Nordeste em 2014. O sulfato de amônio contém nitrogênio na composição e também é excelente fonte de enxofre, muito utilizado no cultivo de milho, cana-de-açúcar e algodão.

 

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