UFS coordena pesquisa do Butatan para criação da 2ª vacina contra a dengue do Brasil

Da redação, AJN1

A Universidade Federal de Sergipe (UFS), sob a interveniência do renomado Instituto Butantan, está coordenando uma pesquisa para a criação da segunda vacina patenteada no Brasil contra o vírus da dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

De acordo com o médico e pesquisador, Ricardo Gurgel, o estudo ocorre há 10 anos e já está no ensaio clínico de fase três, isto é, sendo testada em 1.340 voluntários sergipanos. A perspectiva, segundo ele, é que o imunizante esteja disponível aos brasileiros em breve, mediante aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O produto é patenteado pelo Instituto Butantan. Estamos na fase três, que é a fase de estudo de campo, onde a vacina é vista em situação de vida real, de forma cega, ou seja, nós não sabemos ou as pessoas não sabem se estão tomando vacina ou placebo, mas ao final tudo isso é visto para saber quem tem mais casos mais graves nos placebos ou quem tomou a vacina. É um estudo clínico de vida real, é assim que as coisas são aprovadas”, disse o pesquisador, em entrevista nesta quinta-feira (12) à TV Sergipe.

Gurgel disse que a fase três já está no quarto ano de estudo, sendo aplicada nos voluntários, e que há perspectiva do imunizante ser aprovado logo. “Acredito que mais um ano (de estudo) ainda seja preciso, e depois disso se faz a parte de aprovação na Anvisa. Quando tivermos um número suficiente de casos, onde possamos fazer estatísticas entre quem tomou a vacina e quem tomou placebo e se tem diferenças entre eles, e portanto, a vacina é eficaz para os quatro sorotipos, é que isso será aprovado”.

Sobre a eficácia da vacina, o pesquisador mostrou-se otimista. “Estamos aguardando que tenham ‘n’ suficientes de casos de dengue nos nossos participantes para a gente poder saber o quanto ela é realmente eficaz. Nas fases 1 e 2, ela mostrou bastante eficácia, então para chegar na fase 3, tivemos uma reatogenicidade muito boa para os quatro tipos da dengue. A expectativa é que se confirme na prática, que é o estudo de fase 3”, explicou.

Todos os voluntários, afirma Gurgel, são do município de Laranjeiras, onde há um avançado Centro de Pesquisas. “Nós temos um número de participantes muito bom, são 1.340 pessoas em Laranjeiras, que voluntariamente participam do estudo. Temos um Centro de Pesquisas estruturado lá, já que temos outras vacinas também em estudo, e nós fazemos parte desses grupos e centros de estudos que estão tentando desenvolver a principal estratégia de prevenção de doenças infecciosas, que é a vacina. Então, estamos participando de forma intensiva dessa grande iniciativa brasileira”, destacou.

Por fim, o médico enalteceu a importância da vacina para saúde do povo brasileiro, já que ela impediria a forma mais grave da doença, contudo, ele fez questão de frisar que as pessoas devem seguir com todos os cuidados para evitar água parada e uma possível proliferação do mosquito.

“É muito esperada essa vacina, porque a ideia é que ela previna as formas graves da doença. Obviamente, tudo indica que se tem de continuar a fazer as coisas que se recomendam, como não deixar água parada para a proliferação do Aedes, para que isso não traga mais infecções no seu ambiente. Feito isso, já diminui o número de casos, mas a situação de não termos mais casos graves da doença, só com a vacina”, reforça.

Primeira vacina contra dengue já existe

Em 2016, foi publicado no Diário Oficial da União o registro concedido pela Anvisa para a vacina contra dengue, produzida pela empresa francesa Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda. A Dengvaxia® – vacina dengue 1, 2, 3 e 4 (recombinante, atenuada) foi registrada como produto biológico novo, de acordo com a Resolução – RDC nº 55, de 16 de dezembro de 2010. O registro permite que a vacina seja utilizada no combate à dengue. Vale destacar que a vacina não protege contra os vírus Chikungunya e Zika.

De acordo com o pesquisador, a vacina da Sanofi-Aventis não é em dose única e ela é recomendada somente para quem já teve dengue. “Já a nossa é em dose única. A expectativa é que a nossa vacina não tenha essa restrição e que possa ser útil de forma mais ampla”.