Veja o que está sendo feito pela ‘saúde’ do Cristo Redentor

O Cristo Redentor completa 90 anos nesta terça-feira (12), e o g1 fez um raio-X sobre a estátua — um dos pontos turísticos mais conhecidos do mundo e símbolo de fé entre as pessoas. Um vídeo especial mostra detalhes e curiosidades sobre o monumento (veja acima).

Mas como é feita a conservação de uma estrutura tão grande? Alpinistas, pedreiros e arquitetos seguem um cronograma intenso de reparos. Entre os fatores que causam danos, o que traz mais preocupação aos profissionais são os raios, que atingem o monumento, em média, seis vezes por ano.

“É um número enorme, já que tem aquele ditado [popular] que fala ‘um raio não cai duas vezes no mesmo lugar’. No caso do Cristo Redentor, cai meia dúzia de vezes por ano. Isso é um fator que precisa ser cuidado e tratado dentro da rotina de conservação preventiva”, afirmou a arquiteta responsável pelo restauro de 90 anos, Cristina Ventura.

Por esse motivo, a coroa do Cristo Redentor, que funciona como um para-raios, teve que ser “reforçada”. As intervenções de conservação para comemorar o 90º aniversário aconteceram quase em todas as partes do monumento.

“No restauro do Cristo 90 anos, nós aumentamos o tamanho do SPDA [Serviço de Proteção Contra Descargas Atmosféricas]. Fizemos um reforço na SPDA já existente na estátua, para aumentar a proteção. Nós fizemos restauro na cabeça, nas costas, laterais, no braço”, disse o alpinista Marcos Sidnei, que deu entrevista ainda pendurado na estátua durante a manutenção.

Com um tour digital e imagens aéreas, o g1 mostra detalhes da estátua que pesa mais de 1 mil toneladas. Em uma estrutura de concreto armado, o monumento é revestido por um mosaico de pedras-sabão.

No interior, o Cristo conta com uma escada que percorre os 13 andares da construção. No nível número nove, há um coração também revestido com o mosaico de pedras-sabão. No andar acima, ficam os acessos aos braços, onde o humorista Renato Aragão saiu para beijar a mão do Cristo em 1991.

Para além de mais 90 anos

 

No aniversário de nove décadas, uma restauração especial da estrutura foi planejada. A força-tarefa reuniu cerca de 40 pessoas, entre geólogos, artesãos, arquitetos, alpinistas e pedreiros.

Cristina Ventura também falou sobre o que está sendo feito para que o Cristo dure mais 90 anos — e além. “É como gente. Aos 90 anos de idade, alguma coisa você tem que rever”, afirmou.

O para-raios mais robusto é só uma das ações de preservação do monumento. No ombro esquerdo do Cristo foram instalados um barômetro e um anemômetro ultrassônico, ambos de última geração.

O barômetro mede a pressão atmosférica. Quando esse índice varia bruscamente, o tempo vai mudar no curto prazo. Já o anemômetro capta a velocidade do vento.

“Vamos colher detalhadamente esses dados meteorológicos por um ano, passando por todas as estações, para ver os efeitos do tempo a cada dia”, explicou.

Outra frente de trabalho é em laboratórios, para onde amostras do Cristo são levadas.

“Os diagnósticos são realizados a partir de análises laboratoriais do concreto e da argamassa de rejunte, sobretudo os trechos que sofreram algum dano”, disse Cristina. “Testemunhos originais também foram encaminhados para o laboratório para identificação da composição das argamassas”, emendou.

Nas armaduras — redes metálicas que serviram de “cama” para o concreto —, foram realizados testes ao longo da estrutura pela parte interna do monumento, para medir o nível de corrosão.

“Já com a pedra-sabão, foram feitas análises mineralógicas determinando a composição química das tesselas [parte do mosaico] originais e de restauro”, disse a engenheira.

Do G1