- 01/10/2017 - 14:13

Encalhe de baleias bate recorde em 2017

Impulsionadas pelas mudanças climáticas e pelo crescimento na população, o total de baleias jubartes encalhadas na costa brasileira bateu recorde neste ano. Dados do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), em Caravelas (BA), apontam que o número de encalhes em 2017 já é de 97, superando o recorde anterior, de 2010, com 96.
Os encalhes são normalmente observados no período de julho a novembro, quando as jubartes chegam ao atlântico sul para atividades reprodutivas. Bahia, com 39 encalhes, é o Estado com maior número de ocorrências, seguido de Espírito Santo (29), Rio de Janeiro (14), Alagoas (8), São Paulo (4), Sergipe (2) e Rio Grande do Sul (1).
Entre as causas apontadas, segundo pesquisadores, a mais importante tem sido a influência das mudanças climáticas e o impacto disso na produção do krill (um pequeno crustáceo que é o alimento da espécie), na Antártica.
O consenso dos pesquisadores é que o crustáceo também foi a razão para o alto índice de encalhes no ano de 2010, número que surpreendeu a todos.
Em todo o ano passado, foram achadas 78 baleias jubartes encalhadas nas praias do litoral brasileiro, alguns dos quais no primeiro semestre. A avaliação é que o encalhe no primeiro semestre, raro, se deve a animais que permaneceram no Brasil e não fizeram o caminho de volta para as áreas polares.
As jubartes se alimentam durante o verão nas regiões polares e depois passam o resto do ano queimando a gordura que acumularam. Segundo pesquisadores, se uma fêmea não conseguiu se alimentar direito, pode ter problemas na travessia até o atlântico sul.
Além da questão nutricional, o aumento populacional tem sido outra causa discutida. A população de jubartes vem crescendo após ter sido quase dizimada pela caça comercial. A contagem é feita por amostragem, em sobrevoos no litoral brasileiro, na região do Banco de Abrolhos.
Não se sabe ao certo a quantidade de baleias que morrem na travessia. A maior parte morre no mar e algumas carcaças, dependendo do vento, vão parar nas praias. Apenas 15% encalham com vida, afirmam os pesquisadores.
O recorde de encalhes ainda não chega a afetar o ecossistema nem impactar na recuperação da população de baleias, mas os pesquisadores estão atentos à quantidade de filhotes que chegam às praias (52% do total).
Segundo ambientalistas, os filhotes só sobrevivem se estiverem com suas mães. Se eles estão aparentemente sadios, é feita uma tentativa de devolvê-lo ao mar, mesmo sabendo que as chances de ele voltar a encontrar sua mãe são mínimas. As baleias adultas representam 25% dos encalhes e 23% são considerados indivíduos juvenis.