Estudo simula impactos de R$ 2,6 bilhões na economia

Pesquisadores do Laboratório de Economia Aplicada e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal de Sergipe (UFS) divulgaram nesta segunda-feira (11) um estudo que simula o impacto econômico em virtude distanciamento social provocado estabelecido em decreto estadual em virtude da pandemia no novo coronavírus (covid-19).
De acordo com o estudo, o afastamento dos trabalhadores informais do mercado sergipano, pelo período de três meses, geraria um custo de R$ 2,6 bilhões para a economia do Estado. Já na hipótese da retirada dos trabalhadores acima de 50 anos – formais e informais -, a estimativa seria de um custo trimestral de R$ 1,6 bilhão.
A pesquisa simula a retirada dos dois grupos de trabalhadores de suas atividades, sem levar em consideração as políticas de medidas compensatórias do governo, e preservando os serviços essenciais, como agropecuária, saúde, alimentos, setores de geração de energia e distribuição de água, e administração pública. “São dois cenários hipotéticos para a economia no sentido de identificar a importância desses dois grupos de trabalhadores, que são os mais vulneráveis e mais afetados direta e imediatamente,” explica o coordenador do Leader e professor de Economia da UFS, Luiz Carlos Ribeiro.
Na hipótese da retirada dos trabalhadores informais, a simulação indica um custo mensal de R$ 866,5 milhões para economia. Em caso de prolongamento da medida restritiva pelo período de três meses, o impacto no PIB anual do estado poderia chegar a 9,88%.
No caso dos trabalhadores acima de 50 anos de idade, a estimativa é de um custo mensal de R$ 548 milhões para a economia estadual, com impacto de 6,26% do PIB anual, em caso de prolongamento do isolamento social no estado durante três meses.
Os pesquisadores estimam que a fabricação de químicos, limpeza e farmacêuticos, produtos de minerais não-metálicos e indústria extrativa seriam os setores industriais mais impactados nos dois cenários simulados no estudo. Já no setor de serviços, transportes, armazenagem, correio, educação e serviços prestados às famílias seriam os mais afetados na economia sergipana com a retirada dos dois grupos de trabalhadores.
O pesquisador diz ainda que é mais fácil visualizar o impacto econômico no setor de serviços, como fechamento de lojas, mas, para ele, os mais afetados pela crise são os agentes econômicos vulneráveis. “Por exemplo, os trabalhadores informais e as micro e pequenas empresas. Então, imagine: uma empresa grande consegue ter caixa suficiente para se manter fechada ou com funcionamento reduzido por muito mais tempo do que uma pequena. É muito complicado para essas empresas continuarem pagando folha de pessoal, mão de obra, uma vez que não estão tendo receita de vendas,” justifica.
Luiz Carlos Ribeiro pontua que “as políticas compensatórias dos governos federal e estadual, bem como informações setoriais de queda de receita de vendas obtidas pelas Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) durante o período de isolamento social, por exemplo, podem refinar futuros cenários. O correto para enfrentamento dessa crise é você ter uma política de Estado, onde você teria uma série de medidas que seriam instauradas na economia, independente de qualquer partido político que esteja no governo. Isso poderia garantir maior eficiência e rapidez na implementação das ações,” ressalta o professor.
Além de Luiz Carlos Ribeiro, o estudo foi elaborado pelos professores do Leader no Departamento de Economia da UFS, José Ricardo de Santana, José Roberto Lima Andrade, Fábio Moura, Fernanda Esperidião e Marco Antônio Jorge, em parceria com o professor Gervásio Santos (UFBA) e o pesquisador Rodrigo Cerqueira (SEI/BA).
As informações são da UFS.
