Destaques Política

Mulheres vítimas de violência terão prioridade em cirurgias reparadoras feitas no SUS

14/06/2024 às 15:00

 

Uma alteração na Lei Maria da Penha vai permitir que mulheres vítimas de violência doméstica tenham prioridade em cirurgias plásticas de reparação das lesões sofridas.

Com a mudança, a assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar será prestada em caráter prioritário no Sistema Único de Saúde (SUS) e no Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

A alteração foi publicada no Diário Oficial da União, nessa quinta-feira (13).

O direito à cirurgia plástica na rede pública já era garantido às mulheres nessa situação, mas agora elas passam a ter prioridade na fila.

A legislação prevê que os hospitais e os centros de saúde pública, ao receberem as vítimas de violência, deverão informá-las sobre a possibilidade de acesso gratuito à cirurgia plástica para reparação das lesões ou sequelas.

A mulher vítima de violência grave que necessitar de cirurgia deverá procurar unidade que a realize, tendo em mãos o registro oficial de ocorrência da agressão.

O profissional da medicina deve indicar a necessidade da cirurgia por meio de diagnóstico formal e encaminhar ao responsável pela unidade de saúde respectiva para sua autorização.

Caso o médico não informe o direito para a paciente, pode ser punido com multa equivalente a 10 vezes o valor do salário, perda da função e proibição de ser contratado pelo poder público e receber benefícios ou incentivos fiscais por quatro anos.

Os recursos arrecadados com multas devem ser destinados a campanhas educativas de combate à violência contra a mulher.

A Lei Maria da Penha foi criada em 2006, motivada pelo caso da ativista cearense que dá nome à legislação, ao ficar paraplégica por ser baleada nas costas pelo marido enquanto dormia. O caso aconteceu em 1983, quando ela tinha 38 anos.

Maria da Penha é natural de Fortaleza e formou-se na Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1966. Hoje, tem 79 anos.

Na última sexta-feira (7), o governo do Ceará confirmou que Maria da Penha precisou ser incluída em um programa de proteção após receber nas redes sociais uma série de ataques e ameaças promovidos por perfis que disseminam o ódio às mulheres.

A ativista cearense agora está no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

O projeto consiste em um conjunto de medidas protetivas e atendimento jurídico e psicossocial aos defensores dos direitos humanos em situação de risco ou que sofreram violação de direitos em razão de sua atuação.

Fonte: Folha de S.Paulo

 

 

← AnteriorEmergência climática: confira 10 passos, de acordo com…Próximo →Insônia: saiba os riscos de tomar remédios para…