Temperatura média global pode aumentar mais de 1,5ºC em cinco anos, alerta ONU

Relatório divulgado nessa quarta-feira (28) pela Organização das Nações Unidas (ONU) evidencia ainda mais a urgência de que medidas sejam tomadas pelas nações para reverter a escalada das temperaturas recordes, esperadas para os próximos cinco anos. A previsão da Organização Meteorológica Mundial (OMM) é do aumento da média global superior a 1,5°C, acima dos níveis pré-industrias (1850-1900), determinado como limite máximo no Acordo de Paris. A partir daí, há o entendimento comum entre os cientistas de riscos climáticos imprevisíveis. O relatório prevê aumento de até 1,9°C.
A escalada de recordes de temperaturas afeta diretamente as economias locais assim como a saúde das pessoas, que ficam mais vulneráveis aos eventos climáticos intensos. As regiões ficam mais propensas à incêndios, secas e inundações que podem ficar ainda mais severos do que se viu nos últimos dois anos, ao redor do planeta.
O ano passado já foi confirmado como o mais quente da história, pelo relatório “Estado do Clima Global 2024” da OMM. Esse relatório enfatiza a necessidade de redução rapida das emissões de gases de efeito estufa e de implementar medidas de adaptação para mitigar os impactos das mudanças climáticas. Nessa situação, cada fração de CO₂ evitada ou removida da atmosfera conta. Abaixo as medidas que, segundo a ONU, podem ajudar a mudar o panorama global e salvar vidas.
Redução rápida das emissões de gases de efeito estufa
– Zerar as emissões líquidas até 2050 é essencial para limitar o aquecimento a 1,5 °C.
– Priorizar o corte de CO₂, metano (CH₄) e outros poluentes de vida curta.
– Fechar usinas a carvão e restringir novos investimentos em combustíveis fósseis.
Transição energética
– Substituir rapidamente combustíveis fósseis por fontes renováveis (solar, eólica, hidrelétrica).
– Aumentar investimentos em eficiência energética e redes de distribuição modernas.
– Promover transporte limpo (veículos elétricos, transporte público, ciclovias).
Preservação e recuperação de ecossistemas naturais
– Restaurar florestas, manguezais e áreas degradadas, que atuam como sumidouros de carbono.
– Proteger a biodiversidade, já que ecossistemas resilientes ajudam na adaptação climática.
Mudança nos sistemas alimentares
– Reduzir o consumo de carne (especialmente bovina), que é altamente emissora de metano.
– Combater o desperdício de alimentos.
– Incentivar práticas agrícolas sustentáveis e regenerativas.
Financiamento climático e justiça social
– Ajudar países em desenvolvimento com tecnologia, recursos financeiros e capacitação.
– Implementar políticas que garantam uma transição justa para trabalhadores e comunidades dependentes de setores poluentes.
Educação, comunicação e participação social
– Aumentar a conscientização climática e a participação cidadã nas decisões políticas.
– Envolver jovens, comunidades indígenas e movimentos sociais.
Fonte: VEJA
