Liderança: o maior título é formar equipes vencedoras

A Copa do Mundo sempre nos oferece grandes lições. Muito além da tática, da preparação física ou da qualidade técnica, existe um fator que costuma separar as boas equipes das equipes campeãs: a liderança.
Na decisão do Mundial de 2026, dois modelos de liderança chamaram a atenção do mundo.
De um lado, a Argentina. Uma seleção que, mais uma vez, encontrou em Lionel Messi um líder capaz de influenciar muito além dos gols ou das assistências. Sua presença transmite confiança, inspira seus companheiros e faz com que todos acreditem ser possível vencer até mesmo os desafios mais difíceis. A liderança pelo exemplo continua sendo uma das maiores forças do esporte.
Do outro lado, a Espanha. Um futebol coletivo, intenso, disciplinado e baseado na inteligência tática. Uma equipe que demonstra que a liderança também pode estar distribuída entre vários jogadores, na cultura construída pela comissão técnica e na responsabilidade compartilhada de cada atleta. Não depende apenas de um protagonista, mas de um grupo comprometido com um propósito comum.
Quem levantará a taça talvez seja definido por detalhes. Entretanto, uma certeza já existe: nenhuma das duas seleções chegou à final por acaso. Ambas possuem liderança.
Enquanto observamos esse espetáculo esportivo, vale fazer uma reflexão sobre o Brasil.
Nos últimos anos, o país tem enfrentado uma preocupante escassez de lideranças em diversos setores. Na política, nas organizações, nas instituições e até mesmo em muitos ambientes familiares, percebe-se uma dificuldade crescente em formar pessoas capazes de inspirar, unir e conduzir equipes em direção a objetivos maiores.
Confunde-se liderança com autoridade. Confunde-se popularidade com influência. Confunde-se cargo com respeito.
Liderar nunca foi mandar. Liderar é servir, desenvolver pessoas, assumir responsabilidades e tomar decisões, especialmente quando elas são difíceis.
Nas empresas, essa realidade é ainda mais evidente. Organizações não fracassam apenas por falta de recursos financeiros ou tecnologia. Muitas vezes fracassam porque lhes faltam líderes preparados para formar equipes de alta performance.
O verdadeiro líder transforma talentos individuais em resultados coletivos. Ele cria um ambiente de confiança, estabelece metas claras, reconhece esforços, corrige rotas e mantém todos focados no propósito da organização.
Empresas excelentes não dependem exclusivamente de profissionais extraordinários. Dependem de líderes capazes de fazer pessoas comuns entregarem resultados extraordinários.
Talvez essa seja a maior lição desta Copa do Mundo. Seja pela liderança inspiradora de um craque experiente, seja pela força de um coletivo extremamente organizado, o sucesso sempre passa pela capacidade de conduzir pessoas.
No esporte e na administração, o princípio permanece o mesmo: títulos podem ser conquistados por grandes jogadores, mas legados são construídos por grandes líderes.
E o Brasil precisa voltar a formar líderes. Nas empresas, nas escolas, nas famílias e na vida pública. Porque quando a liderança desaparece, perde-se muito mais do que partidas. Perde-se direção, confiança e esperança no futuro.
*Diego da Costa é Profissional de Administração, Escritor e Radialista. Atualmente participa do Business Network International (BNI) nas equipes Protagonista (Coordenador de Educação) e Luminare (Embaixador). Acredita muito na Liderança Servidora que determina o direcionamento, mostra os caminhos.
