Perfil do Eleitorado Sergipano

01/08/2026 às 06:15

 

Com base nas estatísticas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) para as Eleições de 2026, Sergipe possui 1.740.240 eleitores aptos a votar, distribuídos pelos 75 municípios do Estado. Esse contingente corresponde a aproximadamente 75% da população estadual, um dos maiores índices de eleitorado em relação à população do país, reflexo do envelhecimento demográfico e da elevada proporção de adultos.

Os maiores colégios eleitorais concentram-se na Região Metropolitana de Aracaju e nos principais polos regionais, da seguinte forma em número de eleitores: 1º Aracaju – 421.507, 2º Nossa Senhora do Socorro – 123.714, 3º Lagarto – 82.402, 4º Itabaiana – 76.700, 5º São Cristóvão – 62.018, 6ª Estância – 54 mil, 7º Itabaianinha – 33 mil, 8º Tobias Barreto – 32 mil, 9º Si ão dias – 31 mil e 10º Nossa Senhora da Glória – 30 mil. Somente Aracaju concentra aproximadamente 24% de todo o eleitorado sergipano, enquanto os cinco maiores municípios reúnem perto de 44% dos eleitores do Estado, tornando essas cidades decisivas em qualquer eleição majoritária.

Do outro lado, os menores eleitorados encontram-se em municípios de pequena população. Entre eles destacam-se: Amparo de São Francisco, General Maynard, Telha, Pedra Mole e São Francisco. Cada um deles possui menos de 5 mil eleitores, representando individualmente menos de 0,3% do eleitorado estadual.

Assim como ocorre no Brasil, as mulheres são maioria em Sergipe. A distribuição é aproximadamente, mulheres representando cerca de 53% e homens 47%. Isso significa aproximadamente 920 mil eleitoras e 820 mil eleitores. Como as mulheres representam o maior segmento do eleitorado sergipano, temas como saúde, segurança, educação, geração de emprego, políticas sociais e combate à violência doméstica; costumam ter grande influência sobre esse grupo.

Cabe registrar que o eleitorado sergipano apresenta envelhecimento gradual, tendo-se a maior concentração entre as seguintes idades: 35 a 39 anos, 40 a 44 anos e 45 a 49 anos. Já os jovens de 16 e 17 anos representam uma parcela pequena, aproximadamente 1%, as demais faixas mais jovens possuem os percentuais de 12% de 18 a 24 anos e 21% na faixa de 25 a 34 anos. Já na faixa de 35 a 44 anos temos 21% dos leitores, 28% de 45 a 59 anos e 16% no eleito de 60 anos ou mais. O crescimento do eleitorado com 60 anos ou mais acompanha a tendência nacional de envelhecimento da população.

Um ponto de destaque é saber quem pode deixar de votar legalmente. Cabe registrar que pela Constituição Federal e pela legislação eleitoral, o voto é obrigatório entre 18 e 69 anos, facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e pessoas analfabetas. No caso de Sergipe, esse grupo representa aproximadamente 1% para o grupo de 16 a 17 anos, 9% para o grupo de 70 anos ou mais e 5% para o grupo dos analfabetos.

Como há sobreposição entre idosos e analfabetos, estima-se que entre 14% e 16% do eleitorado sergipano esteja legalmente dispensado da obrigatoriedade do voto. Isso corresponde a aproximadamente 245 mil a 280 mil eleitores. Então é um grupo estratégico que se convencido a estarem votando, podem decidir alguns cargos. Algumas características tornam o eleitorado sergipano bastante singular, como forte concentração urbana, pois quase metade dos votos está em poucos municípios; a maioria do eleitorado é de sexo feminino, assim, campanhas voltadas às mulheres tendem a ter maior impacto; envelhecimento do eleitorado, revelando o crescimento do peso político dos eleitores acima de 60 anos e elevada participação obrigatória, pois cerca de 85% do eleitorado está sujeito ao voto obrigatório, favorecendo altas taxas de comparecimento.

Vê-se, portanto, que o eleitorado de Sergipe é relativamente concentrado geograficamente e apresenta um perfil semelhante ao observado nacionalmente com predominância feminina, envelhecimento progressivo e forte concentração dos votos na Região Metropolitana de Aracaju. Cerca de 15% dos eleitores podem optar legalmente por não votar, enquanto a ampla maioria permanece sujeita ao voto obrigatório. Em termos estratégicos, conquistar o eleitorado dos cinco maiores municípios, especialmente Aracaju e Nossa Senhora do Socorro é decisivo para qualquer candidatura competitiva ao Governo do Estado ou ao Senado.

Já para Deputados é possível fazer uma estimativa bastante consistente. Entretanto, é importante destacar que, desde 2020, não existem mais coligações nas eleições proporcionais (deputados estaduais e federais). As vagas são distribuídas entre partidos e federações, com base no quociente eleitoral e nas sobras. Considerando o eleitorado de 1.740.240 eleitores em Sergipe e uma participação histórica entre 78% e 82%, o Estado deverá registrar aproximadamente 1,33 a 1,40 milhão de votos válidos para deputado.

Assim, no caso da Assembleia Legislativa de Sergipe (24 vagas), o quociente eleitoral (QE) é calculado dividindo-se os votos válidos pelas 24 cadeiras. Assim, o QE provavelmente ficará entre 55 mil e 58 mil votos. Na prática, porém, um candidato não precisa atingir sozinho esse número. O desempenho depende da força do partido ou federação.  Assim, um candidato estadual competitivo em Sergipe normalmente trabalha com uma meta entre 20 mil e 30 mil votos, embora existam exceções. Já para a Câmara dos Deputados (8 vagas), para eleger-se como Deputado Federal, o QE deverá situar-se entre aproximadamente 165 mil e 175 mil votos.  Na prática, um candidato competitivo à Câmara Federal em Sergipe costuma buscar entre 50 mil e 70 mil votos.

A legenda faz enorme diferença, pois um candidato com 18 mil votos pode ser eleito deputado estadual se seu partido conquistar quatro ou cinco cadeiras e outro com 30 mil votos pode ficar como suplente se sua legenda não atingir votação suficiente. O mesmo ocorre para deputado federal, um candidato com 45 mil votos pode ser eleito por uma federação muito forte e outro com 70 mil votos pode não conseguir a vaga se seu partido tiver baixo desempenho estadual.  Dessa forma, com base no tamanho do eleitorado sergipano, uma estratégia eleitoral costuma adotar as seguintes metas: Deputado Estadual: meta mínima de 20 mil votos, meta confortável de 30 mil votos e Deputado Federal: meta mínima de 50 mil votos, meta confortável de 70 mil votos. Registrando-se que essas metas não garantem a eleição, pois o resultado final depende do desempenho da legenda ou federação, da distribuição das sobras e da votação dos demais candidatos do partido. Entretanto, elas refletem uma faixa considerada competitiva para Sergipe nas eleições de 2026.

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