Crédito habitacional em Sergipe cresce 14% e atinge valor recorde de R$ 12 bilhões, aponta BC

O crédito habitacional destinado a pessoas físicas em Sergipe chegou a
R$ 12,1 bilhões, o maior valor da série histórica do Banco Central do
Brasil (BC) em junho de 2026. O montante representa crescimento de 14%
em relação aos R$ 10,6 bilhões registrados há um ano. Ao mesmo tempo
em que a carteira avançou, a taxa de inadimplência das operações
alcançou o índice de 1,63%.
Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central
Sicredi Nordeste, destaca que o resultado ocorre mesmo em um cenário de
juros elevados, que encarece os financiamentos e aumenta o custo das
operações para as famílias.
“O crédito imobiliário tem uma característica diferente de outras
modalidades porque está diretamente ligado a uma necessidade de longo
prazo das famílias. Mesmo em cenários de juros mais elevados, existe
uma demanda que permanece, seja para aquisição da moradia, seja para
substituição ou ampliação do imóvel”, explica.
O crescimento ocorre mesmo com a poupança perdendo força como fonte de
recursos para o crédito habitacional. Ainda assim, os financiamentos
imobiliários com recursos da poupança movimentaram R$ 743 milhões em
Sergipe no primeiro semestre de 2026, alta de 127% em comparação ao
que foi registrado no mesmo período de 2025, segundo dados da
Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
“Nos últimos anos, a estrutura de funding do crédito imobiliário
passou por uma diversificação. Além da poupança, recursos do FGTS e
instrumentos como LCIs e CRIs passaram a ter uma participação
importante. Isso amplia as possibilidades de captação e permite que o
mercado continue atendendo à demanda por financiamento”, afirma
Figueiredo.
Para o sócio da Eco Construtora, Carlos Feitosa, esses números revelam
a saúde do principal motor do mercado. “O financiamento transforma a
demanda reprimida em venda concreta ao diluir o valor do imóvel em
parcelas compatíveis com a renda, permitindo que o cliente que hoje
aluga possa se tornar proprietário. Em um mercado que ainda enfrenta um
déficit habitacional elevado, o financiamento é uma ponte entre o
desejo pelo imóvel próprio e a realidade financeira do brasileiro”,
afirma Feitosa.
Estratégia das cooperativas de crédito
Esse movimento também aparece nas cooperativas de crédito e ajuda a
explicar o avanço no estado. Em Sergipe, a carteira imobiliária do
Sicredi cresceu 18,5% em 12 meses em julho de 2026. A cooperativa
alcançou esses números ao permitir financiar até 90% do valor de
imóveis residenciais em operações com prazos de até 35 anos,
seguindo um sistema de amortização constante, em que o valor das
parcelas tende a diminuir ao longo do tempo.
O crescimento do mercado também está entre as estratégias do Sicredi
para os próximos anos. A instituição projeta multiplicar por mais de
dez vezes sua carteira de crédito imobiliário até 2029. “O crédito
imobiliário é uma operação de longo prazo e, por isso, tem potencial
de gerar um relacionamento mais duradouro. O associado que contrata um
financiamento pode utilizar outros produtos e serviços financeiros da
instituição ao longo desse período”, explica o especialista.
A estratégia também está relacionada à captação de recursos para
novas operações. No Sicredi, a expectativa é ampliar a participação
do crédito imobiliário e, com isso, fortalecer o ciclo entre
captação e concessão de financiamentos.
Segundo o especialista, o financiamento também pode ser utilizado por
associados que pretendem adquirir imóveis residenciais como parte de
uma estratégia patrimonial. “Para quem busca diversificar o
patrimônio, o imóvel residencial pode ser uma alternativa de
investimento. O financiamento permite preservar parte da liquidez
financeira e, ao mesmo tempo, estruturar a aquisição de um bem que
pode fazer parte do planejamento patrimonial e sucessório”, afirma
Figueiredo.
