Ciência e Tecnologia

Satélite espião americano da Guerra Fria explode na órbita da Terra

29/09/2026 às 11:07

 

Um satélite espião americano lançado durante a Guerra Fria se fragmentou em órbita, gerando novos detritos espaciais.

As autoridades dos Estados Unidos confirmaram o incidente, mas não informaram o que causou a fragmentação. Até o momento, não foram identificadas ameaças imediatas relacionadas ao caso.

A S4S (Space Forces–Space) confirmou que o USA 32 se fragmentou em 13 de setembro. Os destroços identificados passaram a ser monitorados para avaliar possíveis aproximações com outros objetos em órbita.

O episódio ocorre semanas depois de os EUA confirmarem a implantação de armas no espaço, em meio à crescente disputa militar entre Estados Unidos, Rússia e China.

O que fazia o USA 32

O USA 32 estava em órbita havia mais de 38 anos e fazia parte de uma série de equipamentos de inteligência de sinais desenvolvidos durante a Guerra Fria.

Ele também era conhecido como Farrah III, em referência à atriz americana Farrah Fawcett.

Lançado em 5 de setembro de 1988, o equipamento era um satélite de inteligência de sinais operado pelo Escritório Nacional de Reconhecimento dos EUA (NRO, na sigla em inglês).

O satélite era usado para interceptar sinais de radar e rádio soviéticos e a missão, mantida em segredo por décadas, foi desclassificada no início de 2025. O equipamento podia realizar buscas direcionadas por emissores e mapear sinais usados por forças militares.

Depois de concluir sua missão, o equipamento permaneceu inativo em órbita por décadas. Documentos do governo americano mostram que a vida útil projetada era de apenas quatro anos.

A causa da fragmentação ainda é desconhecida. Segundo o portal Futura Sciences, uma das hipóteses é que o tempo e as condições extremas do espaço tenham provocado a deterioração de componentes do satélite. Combustível residual em um tanque pressurizado ou uma bateria antiga poderiam ter se rompido.

Também não é descartada a possibilidade de impacto com um pequeno meteoroide ou outro fragmento de lixo espacial. Não há indicação de um ato deliberado ou de uso de uma arma antissatélite.

O USA 32 estava a uma altitude entre 773 e 780 quilômetros. Nessa região, objetos podem permanecer em órbita por décadas antes de reentrar na atmosfera, aumentando a preocupação com a circulação de lixo espacial.

De acordo com a plataforma Orbital Radar, mais de 2 mil fragmentos de detritos ou partes de foguetes já eram rastreados em uma faixa de 50 quilômetros acima ou abaixo da altitude média do satélite.

Nova corrida espacial

Em setembro, o secretário da Força Aérea americana, Troy Meink, admitiu que os EUA implantaram armas no espaço, marcando o primeiro reconhecimento público dessas capacidades em órbita e um sinal deliberado para aqueles que representam ameaças potenciais nesse domínio.

Meink não forneceu detalhes específicos sobre as armas e, quando solicitado a dar mais informações, recusou-se a fornecer informações adicionais. Tampouco se sabe quando as armas foram colocadas em órbita.

O presidente Donald Trump tem apoiado a Força Espacial dos EUA, que ele criou em 2019 como parte da Força Aérea, como um passo histórico para reforçar as capacidades de defesa dos EUA em meio a uma corrida armamentista crescente na qual a China e a Rússia desafiam o domínio espacial americano.

“A China desenvolve e opera capacidades espaciais e contraespaciais como parte de uma estratégia de modernização militar”, afirma a Força Espacial dos EUA em seu site, enquanto “a Rússia vê o espaço como um domínio de guerra e acredita que a supremacia espacial será um fator decisivo em conflitos futuros.”

Autoridades militares dos EUA têm alertado repetidamente que os dois países estão testando novas capacidades ofensivas no espaço, citando exemplos como as missões de treinamento de constelações de satélites russos que, segundo Washington, poderiam demonstrar “táticas de ataque e defesa” para futuros combates, e o desenvolvimento, pela China, de um míssil hipersônico de órbita parcial com capacidade nuclear.

Fonte: CNN Brasil

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