Maioria dos bancos projeta nova queda na taxa básica de juros ainda em 2026, aponta Febraban

A maior parte dos bancos brasileiros (70%) projeta continuidade nos cortes da taxa básica de juros, a Selic, ainda em 2026, embora a percepção em relação ao comportamento dos preços tenha piorado. Agora, menos da metade (40%) das instituições financeiras já avalia que a inflação encerrará o ano acima das estimativas do mercado. Os dados constam na Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nesta terça-feira (6).
O levantamento ouviu 20 bancos entre os dias 22 e 28 de setembro, período que antecedeu o primeiro turno eleitoral, cujo resultado chacoalhou a bolsa brasileira nesta segunda e fez o dólar ter a maior queda diária em oito anos, chegando a romper os R$ 5 em reação à liderança de Flávio Bolsonaro.
Sobre o cenário monetário do país:
– 50% dos participantes estimam que a Selic termine o ano no patamar de 13,50% ao ano;
– Outros 20% projetam um recuo mais expressivo, para 13,25% ao ano ou menos;
– Enquanto 30% apostam na manutenção dos juros atuais em 13,75% ao ano, sem novas reduções em 2026;
– Nenhum dos bancos respondentes enxerga queda apenas no Copom de dezembro deste ano.
No cenário internacional, a combinação entre atividade econômica resiliente e preços pressionados nos Estados Unidos levou a maioria das instituições (75%) a projetar uma elevação adicional de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) até o encerramento do ano.
Inflação
Segundo a pesquisa, houve piora na percepção inflacionária no Brasil: caiu para 40% a fatia de bancos que enxergam a inflação em torno do consenso, de 4,9%, contra 66,7% em agosto deste ano.
Por outro lado, subiu de 19% para 50% a parcela dos que acreditam que a inflação deve ficar acima de 4,9% ao final do ano.
PIB
Em relação à atividade econômica, quase metade (45%) das instituições financeiras consultadas estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 avançará abaixo do consenso, refletindo o desaquecimento em setores cíclicos. Uma fatia de 40% ainda mantém a expectativa alinhada ao crescimento projetado de 1,8%.
Já 15% projetam acima do consenso em razão do baixo desemprego e contínuos estímulos fiscais e creditícios, que devem contribuir para uma expansão mais forte da economia neste ano.
Fonte: Valor Investe
