Saúde

Novo exame de sangue que pode identificar 50 tipos de câncer chega ao Brasil

07/10/2026 às 16:40

 

Um exame de sangue desenvolvido para detectar sinais associados a mais de 50 tipos de câncer passou a ser oferecido no Brasil. Chamado Galleri, o teste foi desenvolvido pela empresa GRAIL e é disponibilizado pela Gênesis Genomics, uma joint venture do Einstein Hospital Israelita com o Grupo Fleury. O exame custa R$ 6.990, exige solicitação médica e não é coberto pelos planos de saúde. A coleta é feita no Brasil, e a amostra segue para os Estados Unidos, onde será analisada em laboratório.

Sua principal indicação é para pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais, especialmente aquelas com maior chance de desenvolver câncer – por histórico familiar, predisposição genética ou comportamentos de risco (como sedentarismo e tabagismo). O teste também chama atenção por ampliar a possibilidade de investigação de alguns tipos de tumores para os quais não existem exames de rastreamento de rotina, como os de pâncreas, fígado e ovário.

A novidade chega em um momento de crescimento dos casos da enfermidade no país. De acordo com o relatório Estimativa, do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de tumores malignos por ano entre 2026 e 2028.

“Quanto mais cedo um tumor é identificado, maiores tendem a ser as chances de tratamento, controle e até cura da doença. Por isso a biópsia líquida para detecção precoce é tão promissora”, afirma Nam Jin Kim, diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein, em comunicado enviado à imprensa.

Como o exame funciona

O Galleri é uma biópsia líquida, que analisa DNA livre circulante no sangue. Basicamente, o exame procura padrões de metilação e alterações químicas que diferem daqueles tipicamente encontrados em células normais. A partir daí, o sistema busca sinais compatíveis com câncer e estima o órgão ou tecido onde o tumor pode ter se originado. O teste difere de uma biópsia convencional por não exigir a retirada de um fragmento da lesão para avaliação em laboratório.

Vale destacar, porém, que a capacidade de detecção não é igual para todos os tumores. Alguns liberam mais DNA na corrente sanguínea, enquanto outros liberam menos, o que influencia o resultado. O câncer de pâncreas, por exemplo, tende a liberar mais DNA tumoral no sangue do que o câncer de tireoide, assim, facilitando o seu reconhecimento por meio do novo exame.

Segundo os responsáveis pelo Galleri, ele é um exame de rastreamento, não um teste que confirma a existência de câncer. Quando encontra um sinal suspeito, o resultado aponta uma possível origem e orienta a realização de outros exames, como exames de imagem e, quando necessário, uma biópsia convencional. Só a partir daí o médico pode confirmar a doença e o seu estadiamento.

Também é importante destacar que um resultado negativo não elimina completamente a possibilidade de câncer no futuro. A doença pode estar presente sem produzir quantidade suficiente de material detectável no sangue. Por isso, o resultado não substitui consultas médicas.

O que os estudos mostram

As principais evidências sobre o Galleri vêm de estudos realizados nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

O PATHFINDER, publicado em 2023 na revista The Lancet, avaliou 6.662 pessoas com 50 anos ou mais, sem sintomas de câncer, e mostrou que era possível utilizar o teste em um contexto de atendimento clínico, inclusive para investigar tumores que não contam com rastreamento de rotina.

Já o PATHFINDER 2, que reuniu 35.878 participantes e teve seus resultados publicados em setembro na Nature Medicine, apresentou especificidade de 99,6% e capacidade de indicar corretamente a provável origem do câncer em 91,3% dos casos. A sensibilidade, porém, variou conforme o estágio da doença: foi de 21,4% nos tumores em estágio 1 e de 63,2% no estágio 4.

No conjunto dos mais de 50 tipos de câncer analisados, a sensibilidade foi de 39,3%. Na prática, isso significa que o Galleri pode encontrar alguns tumores antes dos sintomas, mas tem mais dificuldade para identificar determinadas doenças em seus estágios mais iniciais.

Outro estudo também publicado em setembro na Nature Medicine, o NHS-Galleri, acompanhou 142.250 pessoas no Reino Unido. O trabalho não atingiu seu principal objetivo, que era demonstrar redução estatisticamente significativa na incidência combinada de cânceres nos estágios 3 e 4. Mas, em contrapartida, demonstrou um aumento da detecção de tumores nos estágios 1 e 2, redução de 14% nos casos em estágio 4 e menos diagnósticos após atendimentos de emergência. Esses resultados sugerem que o exame pode antecipar a identificação de alguns tumores, mesmo que ainda não permitem afirmar que seu uso reduz a mortalidade por câncer.

Fonte: GALILEU

 

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