Alergia alimentar atinge 18,8% dos idosos avaliados em serviços especializados no Brasil

Um estudo realizado com 632 brasileiros, com 60 anos ou mais, atendidos em serviços especializados de alergia e imunologia no Brasil, identificou que 18,8% relataram já ter tido uma reação alérgica a algum alimento. O levantamento incluiu participantes das cinco regiões do país e foi baseado em respostas a um questionário.
Embora 18,8% tenham relatado uma reação, 9,0% disseram ter recebido diagnóstico médico de alergia alimentar. Já 5,5% relataram reações imediatas — ocorridas em menos de duas horas — e dois ou mais episódios após consumir o mesmo alimento. Os alimentos mais frequentemente associados foram frutos do mar, leite de vaca e frutas frescas. Entre as manifestações clínicas mais comuns estavam urticária e sintomas gastrointestinais.
Na análise dos dados, a alergia alimentar autorreferida esteve associada ao sexo feminino e a histórico pessoal e familiar de alergia. Essa associação, por si só, não demonstra que esses fatores causem alergia alimentar.
“Os resultados descrevem os participantes avaliados e não permitem estimar diretamente a prevalência de alergia alimentar entre todos os idosos do Brasil. Além disso, a prevalência de 18,8% corresponde ao autorrelato de uma reação atribuída a algum alimento — não necessariamente a um diagnóstico confirmado. A diferença entre esse número e os 9,0% que relataram diagnóstico médico reforça a importância de distinguir percepção de reação e alergia alimentar clinicamente diagnosticada”, explica o Dr. Dirceu Solé, diretor de Pesquisa e Publicações da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
O estudo aborda uma população pouco investigada. A alergia alimentar em idosos pode ser mais difícil de reconhecer, pois sintomas, doenças concomitantes e uso de vários medicamentos podem dificultar a avaliação clínica. Os autores destacam que ainda faltam estudos epidemiológicos sobre o tema no Brasil e em outros países da América Latina.
