Estudo do Huse sobre microbiota oral é publicado em revista internacional

Uma pesquisa desenvolvida pela Odontologia Hospitalar do Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) identificou que o desequilíbrio da microbiota oral pode contribuir para o agravamento de lesões potencialmente malignas, aumentando o risco de progressão da doença. O estudo, liderado pelo cirurgião-dentista Lucas Alves Santana, foi publicado na revista científica internacional Oral Diseases, uma das principais publicações na área de Patologia Oral.
A pesquisa analisa a relação entre os microrganismos presentes na cavidade oral e os processos inflamatórios associados a lesões com maior risco de evolução para câncer. Segundo Lucas, a boca abriga uma grande diversidade de bactérias, algumas importantes para a saúde e outras capazes de provocar doenças.
Quando ocorre um desequilíbrio entre esses microrganismos, processo conhecido como disbiose, o ambiente pode favorecer inflamações e contribuir para a progressão de determinadas doenças.
“Se eu tenho um tecido que histologicamente falando já tem um componente pró-inflamatório e eu tenho uma microbiota que já tem algumas linhagens bacterianas mais patogênicas e agressivas, eu consigo potencializar a agressividade dessa doença com a possibilidade de acelerar o seu risco de malignização”, explica Lucas.
O estudo destaca ainda a atuação de bactérias mais agressivas, que podem produzir toxinas e estimular respostas inflamatórias. Em uma lesão potencialmente maligna, que já apresenta um processo inflamatório, esse mecanismo pode contribuir para o agravamento do quadro.
O pesquisador ressalta, no entanto, que a presença de uma lesão potencialmente maligna não significa que o paciente necessariamente desenvolverá câncer.
“Essas desordens potencialmente malignas são lesões que acontecem em boca e elas têm um risco ou uma possibilidade maior de virar um câncer. Não precisa que todas irão se converter a um câncer”, afirma.
Importância da odontologia hospitalar
A publicação também reforça a importância da odontologia hospitalar no acompanhamento de pacientes internados, principalmente daqueles que permanecem por longos períodos em unidades de terapia intensiva (UTIs).
De acordo com Lucas, o controle da higiene bucal e do biofilme ajuda a manter em níveis adequados os microrganismos potencialmente patogênicos, contribuindo para os cuidados gerais com a saúde dos pacientes.
“Onde entra a fundamental importância do papel da odontologia hospitalar para o controle desse biofilme e, consequentemente, manter o nível desses microrganismos patogênicos em um nível aceitável”, destaca.
O trabalho foi publicado no formato de carta ao editor, modalidade utilizada em revistas científicas para apresentar e discutir hipóteses e questões que ainda estão em investigação, com base em evidências disponíveis na literatura.
O estudo reuniu cerca de seis pesquisadores, com participação de professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS), da Universidade Tiradentes (Unit) e de pesquisadores dos Estados Unidos.
Para cirurgião-dentista, a pesquisa reforça que a saúde bucal está diretamente relacionada ao funcionamento do organismo como um todo e não deve ser tratada apenas como uma questão relacionada aos dentes e às gengivas.
“A saúde do corpo começa pela saúde da boca”, resume.
“O controle da higiene bucal, a escovação, ela não só se restringe à saúde local, à saúde dos dentes, da língua e da gengiva. É a saúde geral do nosso corpo como um todo, porque a cavidade oral está integrada ao nosso organismo”, conclui.
*Com informações Secom
