Ciência e Tecnologia

Vírus pré-instalado em celulares Android é detectado no Brasil e em mais de 150 países

18/10/2026 às 12:36

 

Uma investigação da empresa de segurança Bitdefender identificou milhares de celulares Android comercializados com um vírus pré-instalado no firmware, software responsável por funções essenciais do aparelho. A ameaça, chamada Midnight Mimosa, foi encontrada em dispositivos de baixo custo e modelos falsificados. O Brasil está entre os mais de 150 países onde o malware foi detectado. Ao TechTudo, Stefano Levorato, cofundador da Sociedade Brasileira de Inovação (SBI) e especialista em Inteligência Artificial, explica os riscos da infecção, ensina como identificar possíveis ameaças e orienta a comprar um celular com segurança.

Como funciona o malware encontrado nos celulares Android?

A ameaça Midnight Mimosa foi identificada pela Bitdefender em uma investigação divulgada em outubro. Diferentemente dos vírus instalados após o download de aplicativos suspeitos, o malware já estava presente no firmware dos aparelhos, software responsável por funções essenciais do celular. Os pesquisadores não conseguiram determinar em qual etapa da produção ou distribuição ocorreu a adulteração.

Uma vez ativo, o programa pode instalar aplicativos sem autorização, conceder permissões e executar comandos enviados remotamente. A operação também utiliza os aparelhos para gerar receita com anúncios e cliques fraudulentos, sem que o proprietário perceba.

Quais celulares foram afetados?

A investigação identificou o malware em celulares Android de baixo custo, incluindo aparelhos falsificados que imitam modelos premium da Samsung, como o Galaxy S24 Ultra, o Galaxy S25 Ultra e o Galaxy S26 Ultra. Esses dispositivos reproduzem a aparência e a identificação dos smartphones da marca, mas não são produtos originais da fabricante.

A Bitdefender também encontrou a ameaça em celulares de marcas menos conhecidas. A pesquisa, no entanto, não identificou a presença do malware em aparelhos originais da Samsung.

Como saber se o celular está infectado?

O consumo anormal de bateria, o aquecimento excessivo, o uso elevado de dados móveis e a instalação de aplicativos desconhecidos estão entre os possíveis sinais de infecção. Entretanto, esses comportamentos não aparecem necessariamente em todos os aparelhos comprometidos.

Em entrevista ao TechTudo, o especialista Stefano Levorato explica que existem verificações que podem ajudar o consumidor a identificar atividades suspeitas.

“O usuário pode, sim, realizar verificações básicas, como consultar a lista de aplicativos instalados, analisar as permissões sensíveis, monitorar o consumo de bateria e dados e até executar uma análise pelo Google Play Protect ou por uma solução de segurança reconhecida”, afirma.

Para verificar possíveis problemas, o usuário pode seguir estas orientações:

– Confira os aplicativos instalados: acesse as configurações do Android, entre em “Apps” e procure programas que não reconhece.

– Execute o Play Protect: abra a Google Play Store, toque na foto de perfil, selecione “Play Protect” e escolha “Verificar”.

– Monitore o consumo de bateria e dados móveis: consulte as configurações do celular para identificar apps com uso excessivo de recursos.

– Revise as permissões: verifique se aplicativos desconhecidos possuem acesso à câmera, ao microfone, à localização ou a outros recursos sensíveis.

Importante: embora úteis para outras ameaças, esses procedimentos não garantem a detecção do Midnight Mimosa, já que o malware fica escondido em componentes do sistema.

O que fazer se o celular estiver infectado?

A primeira recomendação é interromper o uso do aparelho para operações sensíveis, como acessar bancos, realizar pagamentos ou consultar informações confidenciais. O usuário também deve alterar as senhas das contas utilizadas no celular a partir de outro dispositivo confiável, revisar sessões ativas e acompanhar possíveis movimentações suspeitas.

“O usuário deve procurar o suporte oficial do fabricante ou uma assistência técnica autorizada para verificar a possibilidade de reinstalação segura do firmware original”, orienta Levorato.

No caso do Midnight Mimosa, restaurar o celular às configurações de fábrica pode não eliminar a ameaça, já que o procedimento normalmente preserva o firmware. Por isso, em aparelhos falsificados ou sem suporte confiável, a substituição do dispositivo pode ser necessária.

Como comprar um celular com segurança?

A procedência do aparelho é um dos principais cuidados para evitar produtos falsificados ou adulterados. O consumidor deve dar preferência a lojas oficiais e revendedores autorizados, além de desconfiar de preços muito inferiores aos praticados no mercado. Levorato também alerta para a necessidade de verificar quem está por trás dos anúncios em plataformas de comércio eletrônico.

“Os marketplaces merecem atenção especial porque reúnem vendedores independentes com diferentes níveis de confiabilidade e o fato de um produto estar anunciado em uma plataforma conhecida não significa necessariamente que tenha sido comercializado ou verificado diretamente por ela”, explica.

Outras medidas incluem:

– Confira o modelo no site do fabricante: compare o nome, as especificações técnicas e as imagens com as informações oficiais.

– Verifique a homologação da Anatel: consulte o modelo no sistema de certificação da agência.

– Confira o IMEI: compare a identificação exibida pelo aparelho com a informada na embalagem, lembrando que códigos também podem ser falsificados.

– Verifique quem vende o produto: em marketplaces como Amazon e Mercado Livre, confira se o anúncio pertence à loja oficial da marca ou a um vendedor independente.

– Exija nota fiscal e garantia: confira também a política de devolução antes de finalizar a compra.

 

Fonte: TechTudo

 

 

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