Economia

Ranking global de inovação: Brasil se posiciona em 53º lugar

20/10/2026 às 17:50

 

Como está o atual estágio de inovação no Brasil? A resposta é que vem evoluindo numa perspectiva histórica, mas está travado nos últimos anos. De acordo com dados do recente Índice Global de Inovação 2026, elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, na sigla em inglês), o país está na 53ª posição entre 139 nações ranqueadas. É um posto abaixo do obtido no índice anterior, mas a organização pontua que o Brasil teve avanço porque estava na 62ª posição em 2020.

São Paulo (49º lugar) é o único cluster dentro do Brasil que está entre os 100 principais clusters de inovação em 2026, segundo o ranking. No período mais recente de cinco anos, este cluster depositou um total de 955 pedidos internacionais de patentes (PCT), publicou 51.016 artigos científicos e realizou 1.595 negócios de capital de risco.

Nesse período, foram destacados 59 pedidos de patentes pela Braskem (BRKM5), 19 da Oxiteno e 16 pela Natura (NATU3).

Segundo o relatório, 50% dos pedidos de patente PCT de São Paulo são depositados em colaboração com outros inventores localizados fora do cluster, com Rio de Janeiro, Nova York e Filadélfia surgindo como os principais locais de colaboração.

Além disso, 80% dos artigos científicos de São Paulo são publicados em colaboração com outras organizações localizadas fora do cluster, sendo os três principais locais de colaboração: Rio de Janeiro, Nova York e Boston–Cambridge.

O Chile (51º) lidera na região de América Latina e Caribe, à frente do Brasil (53º), México (65º), Uruguai (66º) e Costa Rica (70º). Segundo a WIPO, os ativos permanecem concentrados em poucas economias, e a pesquisa, o empreendedorismo e o acesso ao mercado ainda não estão conectados de forma suficientemente forte para formar um motor regional.

Países top em inovação por região

O relatório cita que a região da América Latina e Caribe tem algumas universidades fortes, especialmente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México, mas que a colaboração universidade-indústria permanece limitada. A produção científica, P&D empresarial, financiamento para escala e coordenação institucional também são desiguais.

Além disso, a atividade de capital de risco e startups é igualmente concentrada, com Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México liderando em capital de risco em estágio avançado, enquanto Brasil e Colômbia se destacam mais claramente nos indicadores de valuation de unicórnios e relacionados a startups.

“O resultado é uma região com potencial real de inovação, mas onde a pesquisa, o empreendedorismo e o acesso ao mercado ainda não estão conectados de forma suficientemente forte para transformar ideias em tecnologia, exportações, marcas e ganhos de produtividade”.

Brasil tem gap de produtividade

A posição no Brasil no ranking foi atribuída a uma combinação de características como um grande mercado interno (8º lugar), bem como pontos fortes em ciência, empreendedorismo e ativos intangíveis à frente de outras economias latino-americanas.

“Sua forte atividade de marcas registradas (8º), pagamentos de propriedade intelectual (13º), capital de risco em estágio avançado (16º), investidores corporativos em P&D (23º) e modelos de uso (24º) sustentam um ecossistema que tem pontos fortes em ciência e atividade empresarial”, diz o relatório do índice.

A presença contínua de São Paulo entre os principais clusters globais de inovação — classificada em 49º lugar no muno — em 2026 reforça o papel do Brasil como o principal hub de pesquisa, tecnologia e startups da América Latina.

Mas o desafio do Brasil continua sendo transformar esses pontos fortes em ganhos mais amplos de produtividade (o crescimento da produtividade do trabalho permanece baixo — na 94ª posição do ranking); fortalecer a P&D realizada pelo setor privado (36º) e melhorar seu ambiente de negócios (129º) e a disponibilidade de capital humano em apoio à inovação. É citado que o indicador de graduados em ciências e engenharia deixa o país no 101º posto — e com concentração em São Paulo e outros poucos hubs.

“O Brasil combina a base mais profunda de ciência e P&D da América Latina com forte atividade de marcas registradas e venture capital em estágio avançado, ancorado por São Paulo entre os 100 maiores clusters de inovação”, destaca a entidade, que sugere ao país como desafio transformar os ganhos recentes em um desempenho de inovação mais amplo e sustentado.

Indicadores de base e resultados

O indicador avalia performance dos países em inovação sob os eixos input (bases) e output (entregas ou resultados).

No primeiro, que avalia dados como gastos com educação, graduação em engenharia, aportes de P&D, ranking de universidades, diversificação industrial e qualificação de mão de obra, o Brasil está devendo. Está 66ª posição global, três degrau abaixo do ano passado.

Na segundo eixo, que observa os avanços em número de patentes registradas, valuation dos unicórnios, manufatura de alta-tecnologia, produção e exportação de alta-tecnologia, grau de intensidade dos ativos intangíveis e valor de marcas, o desempenho brasileiro é melhor, com o país alcançado o 50º posto, o mesmo do ano anterior. Mas os dados mostram melhora, uma vez que o Brasil estava na posição 64 em 2020.

O tracker do índice global mostra que, no Brasil, nove indicadores melhoraram no curto prazo e três indicadores pioraram. Foram destacadas as altas de publicações científicas (+3,6% entre 204 e 2025), investimentos em P&D (+3,4%), além de ganhos em conectividade e adoção de veículos elétricos. Mas o número de acordos de venture capital caiu 2,3% e o de patentes internacionais registradas encolheu 2,2%, na mesma comparação de períodos

Entre os temas especiais do Índice neste ano, foi examinado o grau de empreendedorismo em deep Science. São startups e spinouts construídos a partir de avanços científicos e de engenharia em áreas como materiais avançados, energia, genômica, tecnologias quânticas e biologia sintética. Esses são empreendimentos que levam muito mais tempo e muito mais capital para chegar ao mercado do que os empreendimentos digitais.

O top 3 de startups de deep science no Brasi são a New Wave, de desenvolvimento de soluções sustentáveis para o setor minero-metalúrgico; a agritech Solubio; e a empresa catarinense de remoção de carbono MOMBAK. O Brasil também é citado como tendo duas entre as cinco principais startups da América Latina e Caribe por número de famílias de patentes simples entre 2010 e 2025: Hilab e Warp Drive Bio.

Os destaques citados entre as spinouts são a biofarmacêutica Biotimize, a TissueLabs, de biomateriais; e a Symbiomics, que oferece soluções de microbioma voltadas à produtividade agrícola.

Veja abaixo o ranking global de inovação

PosiçãoPaís
1Suíça
2Suécia
3Estados Unidos
4República da Coreia
5Singapura
6Reino Unido
7Países Baixos
8Finlândia
9Dinamarca
10China
53Brasil

 

Fonte: InfoMoney

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