Saúde

Aracaju sedia maior congresso das Américas sobre hanseníase, com foco em diagnóstico e tratamento

23/10/2026 às 11:26

 

Aracaju será a sede, de 16 a 20 de novembro, do 20º Congresso Brasileiro de Hansenologia, o maior e mais importante encontro das Américas dedicado à hanseníase. Promovido pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), o evento discutirá como os avanços científicos podem se transformar em melhorias concretas na vida dos pacientes e na atuação dos serviços públicos de saúde. Nesta edição, além dos médicos, pesquisadores, docentes e representantes de instituições de saúde, estarão profissionais de Terapia Familiar, Jornalismo, Advocacia.

Com o tema “Ciência e Inovação aplicadas à realidade do território”, o congresso parte de uma questão central: não basta desenvolver novos conhecimentos sobre a hanseníase. É necessário fazer com que eles cheguem aos profissionais que atendem a população, orientem as decisões das autoridades de saúde e permitam identificar a doença mais cedo, tratar adequadamente os pacientes e prevenir incapacidades físicas e exclusão social.

O Brasil concentra cerca de 93% dos novos casos registrados nas Américas e 13% dos casos mundiais. Apesar de ser uma doença que tem cura e tratamento gratuito pelo SUS, a hanseníase ainda representa um importante desafio de saúde pública, sobretudo porque o diagnóstico pode demorar anos e o comprometimento dos nervos pode provocar sequelas permanentes.

“Precisamos aproximar a ciência da realidade de quem está na ponta do atendimento e, principalmente, da pessoa que recebe o diagnóstico. Cada avanço científico é uma esperança para conferir dignidade à população, evitar sequelas, melhorar o tratamento, reduzir o sofrimento e devolver qualidade de vida ao paciente”, explica Marco Andrey Cipriani Frade, presidente da SBH.

O que a ciência pode mudar na vida do paciente?

A programação do congresso aborda questões que implicam diretamente na vida da população, como:

  • Diagnóstico precoce: A hanseníase pode ser diagnosticada nos estágios iniciais, antes de comprometer os nervos periféricos ou apresentar sinais evidentes na pele. Por isso, os especialistas discutirão formas de aprimorar a avaliação clínica e o uso da ultrassonografia que permite observar alterações importantes nos nervos, antes do surgimento de sequelas. O Brasil está bem avançado no diagnóstico com ultrassom de nervos.
  • Inteligência artificial e novas tecnologias: o congresso discutirá o uso ético da inteligência artificial na pesquisa e no rastreamento de casos. Essas ferramentas podem ajudar a organizar informações, identificar padrões e apoiar o trabalho dos profissionais de saúde. Não substituem a avaliação clínica, mas podem contribuir para tornar a investigação mais eficiente.
  • Resistência aos medicamentos e retorno da doença: pesquisadores discutirão sobre resistência medicamentosa, recidivas e situações em que persistem dúvidas sobre a atividade da doença após o tratamento. A compreensão desses fenômenos é importante para orientar condutas adequadas, investigar a resposta terapêutica e evitar que pacientes fiquem sem a assistência de que necessitam.
  • Endemia oculta: quando os números não mostram toda a realidade. Uma região com poucos diagnósticos registrados não é necessariamente uma região sem transmissão da hanseníase. A falta de informação, as dificuldades de acesso aos serviços e a insuficiência de ações de busca ativa podem manter pessoas doentes sem diagnóstico. O encontro discutirá estratégias para aprimorar a vigilância epidemiológica, fortalecer a Atenção Primária à Saúde e identificar casos que ainda não chegaram aos serviços.
  • Preconceito e saúde mental: a doença não afeta apenas o corpo. O estigma pode levar pessoas a esconder o diagnóstico, enfrentar discriminação e sofrer prejuízos nas relações familiares, escolares e profissionais. O congresso também discutirá os impactos emocionais e sociais da hanseníase.

Conhecimento científico precisa chegar à população

Ao reunir discussões sobre diagnóstico, tratamento, tecnologia, prevenção de sequelas e enfrentamento do preconceito, o 20º Congresso Brasileiro de Hansenologia reafirma que a hanseníase não é um tema restrito aos consultórios ou aos laboratórios. É também uma questão de informação, direitos humanos, educação e políticas públicas.

A doença tem cura, e o tratamento está disponível gratuitamente no SUS. O desafio é garantir que as pessoas sejam diagnosticadas a tempo, recebam acompanhamento adequado e não sejam submetidas à discriminação. Com o tratamento adequado, a transmissão é interrompida, e o paciente pode dar continuidade à sua vida com segurança e dignidade.

“Esta é uma oportunidade de transformar conhecimento em ações concretas como melhorar a capacidade de resposta dos serviços de saúde, apoiar decisões das autoridades públicas e não somente colocar o paciente no centro das estratégias de enfrentamento da doença, mas de informá-lo para que seja um multiplicador de informações. O desconhecimento gera o preconceito que tem peso significativo no combate à endemia oculta, na adesão ao tratamento e até no diagnóstico – o Brasil ainda enfrenta desdiagnóstico da doença feito por profissionais que ainda não sabem que a hanseníase está presente”, alerta Cipriani Frade, hansenologista e presidente da SBH.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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