Urbano Cidade Política

Dia da Sergipanidade: Projeto Cajucidade colore Aracaju e revela a identidade sergipana da capital

24/10/2026 às 11:43

 

Celebrado em 24 de outubro, o Dia da Sergipanidade convida a reconhecer os símbolos, as tradições e as expressões culturais que ajudam a contar a história de Sergipe. Em Aracaju, uma dessas marcas está espalhada pelas ruas, praças e áreas turísticas: os cajus gigantes que, com novas cores, formas e interpretações artísticas, transformam a paisagem urbana em uma galeria a céu aberto.

Por trás dessas esculturas está o Cajucidade, projeto idealizado pelo artista plástico Fábio Sampaio em 2009 e que, mais de 15 anos depois, ganha uma nova dimensão. Em sua terceira etapa, a iniciativa reúne artistas sergipanos em intervenções individuais e colaborativas, revitalizando as peças e renovando o olhar sobre um dos símbolos mais associados à identidade da capital.

Realizada pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal do Turismo (Setur), em parceria com a iniciativa privada, a ação de revitalização dos cajus une arte urbana, memória, turismo e valorização cultural. Mais do que recuperar esculturas desgastadas pelo tempo, a proposta é devolver protagonismo a essas obras e fortalecer a relação da população com os espaços que fazem parte de sua história cotidiana.

Um símbolo que se transforma com a cidade

A escolha do caju como elemento central do projeto está relacionada à identidade de Aracaju. A fruta integra o imaginário cultural da capital e estabelece uma conexão simbólica com o próprio nome da cidade, de origem tupi. Ao transformar esse elemento em suporte artístico, o Cajucidade cria uma linguagem visual que aproxima a cultura local de moradores e visitantes.

O nome da iniciativa nasceu justamente da combinação entre “caju” e “cidade”. Para Fábio Sampaio, a palavra traduz o sentimento de pertencimento à capital e a intenção de criar uma intervenção urbana capaz de dialogar com diferentes públicos.

“A ideia era criar uma intervenção urbana em Aracaju que pudesse entrar em consonância não só com os moradores da cidade, mas também com os turistas e com aquelas pessoas que vêm morar em Aracaju. Então, o sentimento de Cajucidade é uma palavra-valise, que é uma mistura de caju e cidade, mas que tem esse termo do sentimento de ser aracajuano”, explica o artista.

Natural de outro estado, Fábio afirma que sua relação com a capital foi construída ao longo do tempo. O vínculo afetivo com Aracaju e o desejo de ampliar o alcance da produção artística estão entre as motivações que deram origem ao projeto.

“Não sou sergipano de nascimento, aracajuano de nascimento, eu sou de coração. Então, quando eu pensei nesse projeto, a ideia era justamente essa, era dentro do meu fazer artístico, promover algo grande”, relata.

A proposta era levar a arte para além dos museus, galerias e espaços tradicionais de exposição, permitindo que as obras fossem vistas por um público diverso, inclusive por pessoas que não costumam frequentar esses ambientes.

“A ideia já vem desde antes de 2009, e essa ideia vem justamente nessa possibilidade de fazer com que o trabalho de um artista e o meu próprio pudesse ser visto pela mesma quantidade de pessoas que frequentam os Pré-Cajus e os ForróCajus. E, na verdade, é muito maior o público do Cajucidade, porque ele pega justamente toda essa galera e mais as pessoas que vêm visitar a cidade”, destaca.

Uma galeria a céu aberto

Cada escultura do Cajucidade funciona como uma tela exposta permanentemente ao olhar de quem circula pela cidade. As intervenções incorporam estilos, referências e narrativas próprias, fazendo com que cada caju tenha uma identidade artística singular.

“A escultura do caju é um suporte, como se fosse a tela, mas essa tela é ao ar livre, a tela na cidade, a intervenção urbana. A escolha do caju é muito óbvia, não teria como escolher outro elemento a não ser o caju”, afirma Fábio Sampaio.

A terceira etapa representa um novo momento para o projeto. Além das pinturas individuais, a proposta passou a contemplar trabalhos desenvolvidos em duplas e trios, promovendo o intercâmbio entre artistas de diferentes trajetórias e gerações. A expectativa anunciada para essa fase é contemplar cerca de 37 estilos artísticos distintos.

“Nesta terceira etapa, a gente trouxe essa novidade dos collabs, em duplas e em trios, para termos um maior número de artistas participando e uma confluência de gerações, com artistas mais antigos e mais jovens”, conta o idealizador.

A nova fase começou no Mirante da 13 de Julho, com a participação do artista Guga Juice, conhecido artisticamente como Suco. Para ele, a intervenção foi uma oportunidade de unir sua trajetória artística às lembranças pessoais construídas naquele espaço.

“Estou muito feliz em fazer parte dessa colaboração com o Fábio. Sou fã do trabalho dele desde o início do projeto e agora poder deixar minha marca em um lugar onde vivi tantos momentos, andando de skate com os amigos, é muito especial. Carrego uma memória afetiva desse espaço e é uma satisfação enorme presentear a cidade com esse trabalho”, afirmou.

A memória e a paisagem local também orientaram a criação de uma das esculturas revitalizadas na Orla da Atalaia, nas proximidades da Galeria de Arte J. Inácio. Em parceria com Fábio Sampaio, o artista Israel Melo incorporou referências à cultura marítima, aos pescadores e aos elementos naturais da região.

“O caju é a essência de Aracaju. É um símbolo genuíno da nossa cidade e merece ser celebrado por meio da arte. Como estamos em frente ao mar da Atalaia, eu e Fábio buscamos representar a força da cultura marítima, dos pescadores, dos peixes e de todos os elementos que fazem parte dessa paisagem. Queremos que as pessoas contemplem essa obra e reconheçam nela a identidade da nossa cidade, que tem no caju a sua própria origem”, afirmou.

As diferentes interpretações mostram como um mesmo símbolo pode reunir referências culturais, experiências pessoais e perspectivas artísticas diversas. Ao estimular essas conexões, o Cajucidade também abre espaço para novas gerações de artistas e para o reconhecimento da produção cultural sergipana.

Revitalização que valoriza a cidade

A renovação das esculturas é parte das ações da Prefeitura de Aracaju para valorizar os elementos artísticos que compõem a paisagem urbana e fortalecer a relação entre cultura e turismo.

Segundo os dados divulgados para a terceira etapa, das 19 esculturas que compõe o Cajucidade, 10 foram revitalizadas com a parceria e a previsão é ampliar gradualmente as intervenções.

O secretário municipal do Turismo, Fábio Andrade, destaca que a recuperação das peças representa uma oportunidade de resgatar símbolos importantes para a identidade da capital.

“Primeiro, a gente precisa valorizar o que é nosso. Não tem nada mais sergipano do que você ver diversos cajus simbólicos, diversas artes e a gente pode ver que, por mais de 20 anos, estava esquecido, as obras queimadas, com a pintura toda desbotada, e a gente poder trazer esse novo olhar”, afirma.

Além da recuperação física das esculturas, a iniciativa contribui para renovar a percepção dos espaços públicos e aproximar a população da produção artística local. A presença das obras em diferentes bairros permite que a arte seja incorporada à rotina de quem vive na cidade, ao mesmo tempo que oferece novos atrativos a quem a visita.

“Quando você leva a arte, você revitaliza a cidade, você revitaliza o turismo, você traz um novo aspecto. E você ter a obra de arte do nosso artista sergipano espalhada pela cidade, isso é fenomenal, isso é valorização do que é nosso”, ressalta o secretário.

A execução do projeto também depende da articulação entre o poder público, os artistas e os parceiros privados. De acordo com Fábio Andrade, o município conduz o trabalho de curadoria e busca parcerias que contribuam para viabilizar a recuperação das esculturas e ampliar as ações de valorização cultural.

“Isso é fruto de parceria, assim como também no Cajucidade. O município faz todo um trabalho de curadoria, vai buscar os parceiros. Então, é isso: buscar a iniciativa privada para fortalecer o que é nosso”, afirma.

Arte que também movimenta o turismo

Com esculturas distribuídas por diferentes regiões, o Cajucidade amplia as possibilidades de conhecer Aracaju por meio da arte. As peças se somam a outros espaços de interesse cultural e turístico e podem integrar percursos que conectam mirantes, áreas de lazer, equipamentos culturais e pontos tradicionais da capital.

A proposta é estimular moradores e visitantes a percorrer a cidade com um olhar atento às intervenções e às histórias que cada obra apresenta. Nesse contexto, os cajus deixam de ser apenas elementos decorativos e passam a funcionar como pontos de interesse de um roteiro cultural em construção.

“Estamos criando cada vez mais o roteiro de arte. Hoje a gente vai buscando fortalecer isso. Tem o Mirante da 13 de Julho, depois passa no Beco dos Cocos, lá também tem caju. Então, quando você leva a arte, você revitaliza a cidade, revitaliza o turismo”, explica Fábio Andrade.

A iniciativa também fortalece a economia criativa ao ampliar a visibilidade dos artistas e inserir suas produções em espaços de grande circulação. Para o secretário, as esculturas ajudam a despertar o interesse pela cidade e a valorizar a experiência de quem visita a capital.

Essa combinação entre arte, identidade e turismo reforça o papel dos espaços públicos como ambientes de convivência, descoberta e expressão cultural. Ao mesmo tempo, evidencia como a valorização do patrimônio artístico pode contribuir para a construção de uma imagem urbana conectada à história e às características locais.

A Sergipanidade que se revela nas ruas

A arte do Cajucidade não está restrita às esculturas. Ela também se manifesta nas memórias associadas aos lugares, nas histórias dos artistas e na relação que moradores e visitantes estabelecem com a cidade. Cada intervenção oferece uma interpretação diferente de Aracaju e amplia as possibilidades de reconhecer a cultura local no cotidiano.

Para Fábio Sampaio, o projeto também é uma oportunidade de estimular a população a se aproximar de suas próprias referências culturais.

“Eu me divirto muito pensando nisso, porque dá a oportunidade também do cidadão aracajuano ter mais comprometimento com a sua cultura, com a sergipanidade. Então ela está toda refletida e revelada nessa peça do caju”, conclui.

No Dia da Sergipanidade, as esculturas revitalizadas ajudam a contar essa história de pertencimento. Ao unir a criatividade dos artistas, a memória afetiva dos espaços e as ações de valorização cultural da Prefeitura de Aracaju, o Cajucidade transforma a paisagem urbana em uma expressão viva da identidade sergipana.

Espalhados pela capital, os cajus convidam a população a redescobrir a cidade e a reconhecer, em cada obra, uma parte daquilo que faz de Aracaju um lugar singular: sua cultura, sua história e a relação de afeto construída por quem vive e passa por ela.

Fonte: AAN

← AnteriorRebeca Andrade é tricampeã do salto e conquista…Próximo →Maria e José lideram ranking de nomes mais…