Governador Fábio Mitidieri alerta que a Grande Aracaju pode vir a ter rodízio no abastecimento de água

O governador Fábio Mitidieri alertou para a possibilidade de haver racionamento de água na Grande Aracaju. Medida extrema, que pode ser adotada no primeiro trimestre de 2027, caso a previsão de chuva para o estado não se concretize, é decorrente da queda nos níveis dos reservatórios. A situação mais crítica é a da Barragem Sindicalista Jaime Umbelino de Souza, (Barragem do Poxim), que fica em São Cristóvão, e responde por cerca de 30% do abastecimento de Aracaju. Ela já opera em cerca de 26% de sua capacidade útil. Para se ter ideia da gravidade, há um ano, neste período, o volume era de 88%.
A situação tem como principal causa a estiagem prolongada devido aos impactos do fenômeno El Niño, que reduziu significativamente o volume de chuvas na região Nordeste. Entre maio e agosto, a Grande Aracaju registrou um volume de chuvas 35,9% abaixo do esperado.
O governo do estado, por meio do Comitê Estadual de Gestão de Eventos Climáticos Extremos – Cegec e órgãos como a Semac, deve apresentar ainda está semana, um plano de contingência com os próximos passos.
“Algumas regiões do estado estão em situação mais crítica, e as pessoas já vêm perdendo seu gado e suas plantações”, destacou o governador durante reunião na última quinta-feira com o Comitê. Ele ressaltou a importância de aproveitar os períodos de chuva para armazenar água e se preparar para um possível agravamento da estiagem.
Frentes de atuação
As ações discutidas estão organizadas em três frentes: intervenções na Barragem do Poxim, operação de carros-pipa e estratégia de comunicação com a população. No caso do reservatório, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) prevê medidas para tratar vazamentos no vertedouro e recuperar a capacidade de armazenamento.
Outra frente é a operação de carros-pipa, utilizada para ampliar o acesso à água nas localidades afetadas. Atualmente, Sergipe conta com 203 veículos dessa modalidade, distribuídos entre as esferas federal, estadual e municipal. Desse total, 40 são vinculados ao Governo do Estado.
Monitoramento e planejamento
De acordo com a secretária de Estado do Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan), Melina Tavares, o Cegec já realizou 14 reuniões com a participação de 13 órgãos e instituições, entre eles a Iguá Sergipe e o Exército Brasileiro.
O acompanhamento é apoiado por um painel de situação que reúne dados atualizados de diferentes áreas do governo. Também estão em andamento ações de monitoramento e instalação de cisternas, além de iniciativas educativas para orientar a população sobre o uso consciente da água.
O plano de contingência está em fase final de ajustes, com a participação dos órgãos responsáveis para fortalecer a capacidade de resposta do Estado diante de um eventual agravamento da estiagem.
Informação e prevenção
Por meio do Cegec, o Governo de Sergipe também divulga boletins técnicos com informações sobre o El Niño, a situação da estiagem, as previsões climáticas e a disponibilidade de água. Os documentos reúnem dados sobre abastecimento, queimadas, saúde e agricultura, contribuindo para orientar as decisões dos órgãos públicos e informar a população.
A atuação integrada busca antecipar riscos, fortalecer as medidas de prevenção e minimizar os impactos da seca sobre a população e as atividades econômicas do estado.
