Aracaju avança em projeto de cemitério vertical com capacidade para 5 mil sepultamentos

A Prefeitura de Aracaju avança na elaboração do projeto para construir um novo cemitério público com capacidade inicial para 5 mil sepultamentos no bairro Santo Antônio. A iniciativa busca reduzir a superlotação dos cemitérios municipais, um problema histórico da capital que também é alvo de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE) em 2006. O processo está em fase de cumprimento de sentença desde 2022.
O empreendimento será um Cemitério Vertical Ecológico Municipal, modelo que utiliza tecnologia para controlar os resíduos e gases gerados durante a decomposição dos corpos, com mecanismos de proteção do solo e redução dos impactos ambientais.
Os estudos e projetos técnicos começaram a avançar em julho de 2026, sob coordenação da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), em conjunto com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema).
Nesta segunda-feira (2), feriado de Finados, a prefeita Emília Corrêa destacou a necessidade de ampliar a estrutura funerária da capital e lembrou que a construção de pelo menos um novo cemitério foi determinada no âmbito da ação judicial.
“Aracaju enfrenta há muitos anos um problema que precisa ser tratado com responsabilidade: a sobrecarga dos seus cemitérios públicos. A situação do São João Batista é especialmente preocupante. Essa é uma realidade que acompanho há muito tempo. Quando fui vereadora, cobrei, fiscalizei e apresentei emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em busca de uma solução”, afirmou.
A prefeita também ressaltou que a área prevista para o empreendimento já foi declarada de utilidade pública. O decreto, assinado em 29 de outubro, autoriza o andamento dos procedimentos administrativos para a desapropriação do terreno no bairro Santo Antônio, onde atualmente está localizado o sistema Atalaia de Comunicação.
Emília Corrêa reconheceu a preocupação de moradores da região com a instalação do equipamento e afirmou que pretende receber uma comissão da comunidade para apresentar o projeto, esclarecer dúvidas e ouvir sugestões.
“Como sempre tenho pautado minha gestão, acredito que uma solução para uma necessidade de toda a cidade precisa ser construída com transparência e muito diálogo. Por isso, quero receber uma comissão de moradores, junto com nossa equipe técnica, para apresentar as informações disponíveis, esclarecer dúvidas e ouvir as contribuições da comunidade”, declarou.
Estrutura e tecnologia
O projeto prevê a construção de 5 mil lóculos – gavetas -, com possibilidade de ampliação da capacidade por meio de um segundo pavimento. A estrutura também contará com ossuário, seis salas de velório, centro ecumênico, espaço de contemplação, sanitários e estacionamento.
O sistema vertical ecológico utiliza compartimentos isolados para impedir que o necrochorume entre em contato com o solo. A tecnologia também prevê mecanismos de tratamento e inativação dos gases produzidos durante a decomposição dos corpos, com o objetivo de garantir segurança sanitária e reduzir impactos ambientais.
Outro diferencial é o aproveitamento do espaço urbano. Por concentrar os sepultamentos em uma estrutura vertical, o modelo permite ampliar a capacidade de atendimento em uma área menor do que a exigida pelos cemitérios convencionais.
Etapas do projeto
A elaboração do projeto básico foi conduzida por uma comissão técnica formada por representantes da Emurb, Emsurb e Sema. Entre julho e agosto, os profissionais realizaram estudos para definir as características da estrutura e do sistema ambiental.
A equipe também visitou o Cemitério de Vinhedo, em São Paulo, para conhecer o funcionamento de uma unidade que utiliza o mesmo modelo previsto para Aracaju. Projetos semelhantes em construção em Belém (PA) e Santos (SP) também foram considerados.
Atualmente, o empreendimento está na fase de elaboração do projeto executivo, sob responsabilidade de uma empresa contratada. Essa etapa inclui levantamentos de campo, detalhamento das fundações e estruturas, além da compatibilização da edificação com a tecnologia de tratamento dos gases.
A previsão da Prefeitura é concluir essa fase até o fim deste ano. Depois, o projeto seguirá para licenciamento ambiental e análise dos demais órgãos competentes, incluindo o Corpo de Bombeiros.
A licitação para contratação da empresa responsável pelas obras somente poderá ocorrer após a conclusão dos licenciamentos e a obtenção das autorizações necessárias. Portanto, ainda não há previsão de início da construção do novo cemitério.
*Com informações AAN
