Rejeitos não devem prejudicar abastecimento em Sergipe, afirma diretor da Deso

Da redação, AJN1
O diretor da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), Carlos Anderson, disse nesta segunda-feira (28) que as chances dos rejeitos de minério de ferro da Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, não devem atingir a usina de Xingó, Sergipe. A barragem, que pertence à mineradora brasileira Vale, rompeu no início da tarde da última sexta-feira (25), deixando, até o momento, 60 mortes, 382 pessoas foram localizadas, 191 resgatadas e 292 permanecem desaparecidas. Há ainda 135 pessoas desabrigadas.
Segundo o diretor, entre Minas e Sergipe existem diversas usinas que servirão como uma espécie de “filtro”. “É muito pouco provável que o incidente em Brumadinho atinja o abastecimento aqui em Sergipe. Entre Sergipe e Minas Geras existem vários barramentos de usinas hidrelétricas. A primeira que deve receber esse rejeito é a usina Retiro de Baixo; a Agência Nacional de Águas já reconheceu a possibilidade e aguarda a chegada desse rejeito. O rio possui diversas barragens e usinas e, em cada uma delas, existe um processo de decantação – como é chamado o método aplicado na separação de materiais sólidos dos líquidos – e, por conta disso, dificilmente chegará algum rejeito dessa barragem em território sergipano. Ela também passará pela usina de Três Marias (MG), depois tem Sobradinho (BA), depois Itaparica (PE), no complexo Moxotó que engloba as usinas de Paulo Afonso 1,2,3 e 4 e depois Xingó. Muito dificilmente terá reflexo aqui em Sergipe”, assevera.
MONITORAMENTO
A Agência Nacional de Águas (ANA) está monitorando o trajeto da onda de rejeito. A lama é esperada na Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo e deve chegar por lá entre terça e quarta-feira. O percurso, segundo a ANA, são de 290 km de extensão. Estima-se que essa hidrelétrica será capaz de conter grande parte dos rejeitos, que continuaram a correr com as águas do Rio Paraopeba, em direção ao Rio São Francisco.
Depois da usina de Retiro Baixo, os rejeitos vão para o segundo ponto de contenção: a Represa Três Marias, no rio São Francisco. A ANA ainda não tem estimativa do tempo para o encontro da onda com a próxima represa.
