Economia

BC mantém Selic em 13,75% ao ano e destaca “aumento significativo das incertezas”

05/11/2026 às 07:24

 

O Banco Central brasileiro manteve a taxa básica de juros Selic nesta quarta-feira (4), a 13,75% ao ano, dando uma pausa na série de cortes para avaliar melhor as perspectivas econômicas após a eleição presidencial de outubro. Com isso, o Copom (Comitê de Política Monetária) interrompe uma sequência de 5 quedas na taxa. A decisão foi unânime.

A decisão do Copom foi em linha com o esperado pelo mercado, que teve uma reviravolta em relação às expectativas das primeiras semanas de outubro, que eram de corte de juros.

Os mercados domésticos sofreram um abalo na semana passada depois que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frustrou as esperanças dos investidores de uma solução rápida para os problemas orçamentários do Brasil sob um governo de seu rival, o senador Flávio Bolsonaro. O mercado, então, reagiu com alta dos juros futuros em meio às dúvidas sobre os planos fiscais de Lula.

No comunicado que acompanha a decisão desta quarta, o comitê deixou os próximos passos em aberto citando uma ampliação das incertezas. “O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, disse.

O BC acrescentou que seguirá acompanhando a evolução do cenário “para manter a restrição adequada” com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta.

O Banco Central também apontou que a piora do ambiente externo, marcada pela escalada dos conflitos no Oriente Médio, pela alta do petróleo e por condições financeiras mais restritivas nas economias avançadas, exige prudência na condução da política monetária.

A autoridade monetária afirmou que o ambiente global ficou mais adverso devido ao prolongamento das tensões geopolíticas, que elevaram os preços do petróleo e de seus derivados e aumentaram a volatilidade nos mercados internacionais. Segundo o comitê, esse contexto demanda cautela especialmente por parte dos países emergentes, mais sensíveis a oscilações cambiais e fluxos de capital.

No cenário doméstico, o BC avaliou que a atividade econômica continua desacelerando em ritmo mais intenso, principalmente nos setores mais cíclicos da economia. Embora o mercado de trabalho siga relativamente resiliente, o comunicado destacou sinais recentes de arrefecimento. Ao mesmo tempo, a inflação voltou a mostrar aceleração, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes, permanecendo acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

Outro ponto de preocupação continua sendo a deterioração das expectativas inflacionárias. O Copom destacou que as projeções coletadas pelo boletim Focus para 2026 e 2027 se afastaram ainda mais da meta, chegando a 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção de inflação do próprio Banco Central para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, subiu para 3,5%.

O comunicado manteve a avaliação de que os riscos para a inflação seguem elevados e com viés altista. Entre os principais riscos de alta, o colegiado citou a persistência da desancoragem das expectativas, possíveis efeitos secundários dos choques relacionados ao petróleo e ao clima, uma inflação de serviços mais resistente do que o esperado, estímulos à demanda que sustentem o crescimento acima do potencial da economia e uma eventual combinação de políticas internas e externas que provoque maior depreciação cambial.

Do lado baixista, o Banco Central destacou a possibilidade de uma desaceleração econômica doméstica mais intensa, um enfraquecimento maior da atividade global e uma eventual queda dos preços das commodities.

O Copom também voltou a enfatizar a importância da política fiscal para a condução dos juros. O comunicado afirma que o colegiado segue acompanhando atentamente a evolução do quadro fiscal e seus reflexos sobre os ativos financeiros, reforçando que o cenário atual exige “serenidade e cautela”. A avaliação é de que a combinação de juros ainda bastante restritivos, expectativas de inflação elevadas, maior incerteza e desaceleração mais forte da atividade cria um ambiente particularmente complexo para a política monetária.

Diante desse cenário, o BC sinalizou que continuará monitorando a evolução dos dados para manter o grau de restrição monetária considerado necessário para garantir a convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante.

Fonte: InfoMoney

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