Bets: governo se reúne com clubes nesta semana para discutir impacto da proibição

Nesta semana, o Palácio do Planalto chamará dirigentes de clubes de futebol para uma reunião a fim de discutir os impactos da medida provisória (MP) que determinou a proibição de bets no país. A intenção é ouvir os representantes do setor e fazer um diagnóstico dos prejuízos provocados pela decisão.
Eventuais medidas de apoio serão avaliadas posteriormente. O encontro deve ocorrer nesta terça-feira (29).
O governo pretende reunir uma comissão com representantes dos clubes, que reagiram à proibição anunciada na última sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para o domingo, dia 4 de outubro, em meio ao acirramento da disputa entre o presidente Lula e seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Reação
A decisão do governo provocou reação entre os clubes. Empresas de apostas on-line já notificaram equipes sobre a possibilidade de rompimento de contratos de patrocínio, o que levou dirigentes a alertar para dificuldades em honrar compromissos financeiros nos próximos meses.
O Flamengo, por exemplo, recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano e afirma não ter um plano alternativo para substituir a receita. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estima que a medida poderá provocar um prejuízo de até R$ 400 milhões no orçamento do próximo ano.
O Fluminense também foi comunicado pela Superbet, patrocinadora com a qual tem contrato até o fim de 2029, no valor de R$ 58 milhões anuais, sobre a possibilidade de encerramento do vínculo. Em nota divulgada pouco antes do anúncio da MP, o clube reconheceu a legitimidade do debate sobre as apostas, mas defendeu a adoção de um período de transição adequado caso as regras sejam alteradas.
Justificativa
O governo justifica a ofensiva contra as bets principalmente pela necessidade de combater o superendividamento das famílias brasileiras. A medida proíbe jogos de azar on-line, como o caça-níquel conhecido como “jogo do tigrinho”, os jogos de colisão, como o “aviãozinho”, além de roletas virtuais e apostas esportivas.
Com a publicação da MP, os apostadores ficam impedidos de fazer novos depósitos ou transferências para as plataformas. Os sites continuarão funcionando exclusivamente para permitir o resgate dos saldos, que poderá ser feito voluntariamente até as 23h59 de 5 de outubro. As empresas que dificultarem a retirada dos recursos estarão sujeitas a sanções administrativas e criminais por apropriação indébita.
O Ministério da Fazenda também elaborou um cronograma para encerrar as atividades das plataformas no país. À meia-noite de terça-feira, 6 de outubro, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet (CGI) deverão bloquear os sites e determinar a remoção dos aplicativos. Com isso, deixará de existir a oferta legal de jogos on-line no Brasil.
Paralelamente à MP, que tem efeito imediato, o governo enviará ao Congresso Nacional um projeto de lei para criminalizar a exploração de jogos de azar, a publicidade dessas atividades e o uso de dados para esse fim. A proposta prevê penas de até seis anos de prisão.
Fonte: InfoMoney
