Casas Bahia, Marabraz, Mobly e Tok&STok: entenda por que tantas empresas de varejo estão pedindo recuperação judicial

Casas Bahia, Lojas Marabraz, Zinzane, Americanas, grupos Toky (Mobly e Tok&Stok) e CVLB (Casa & Video e Le Biscuit). Por que é crescente o número crescente de empresas de varejo pedindo recuperação judicial? A explicação recai sobre uma combinação de fatores, apontam especialistas. Esse pacote de adversidades inclui a taxa de juros elevada, o alto endividamento das famílias brasileiras e outras despesas disputando o bolso do consumidor, a exemplo de apostas esportivas.
Entre janeiro e abril deste ano, houve 268 pedidos de recuperação judicial, envolvendo 602 empresas, segundo dados compilados pela Serasa Experian. Em 2025, foram apresentados 977 processos, recorde da série histórica.
O cenário macroeconômico é visto como adverso para varejistas como um todo. O desafio, porém, se amplia para aquelas que, de largada, apresentam alguma fragilidade interna.
“A margem de lucro no varejo é muito apertada. É preciso ter eficiência operacional e comercial para seguir em frente. Se a empresa tem algum conflito ou fragilidade interna que compete com essa eficiência, ela só fica de pé com a taxa de juros a 5% (ao ano), mas não no patamar atual”, pondera Ana Paula Tozzi, CEO da AGR, consultoria especializada no varejo.
Crédito caro, dívida nas alturas
O patamar elevado da taxa básica de juros no país, a Selic, é apontada como um desafio central. Ela saiu de 2% ao ano, em agosto de 2020, para 15% em junho do ano passado. Em março deste ano, o Banco Central deu início à redução da taxa de referência. De lá para cá, no entanto, os cortes somam apenas um ponto percentual, com a Selic atualmente em 14% ao ano.
O problema do juro nas alturas por tanto tempo é que o custo da dívida das companhias — na maior parte dos casos, contratada quando a taxa de juros estava lá embaixo — e também o custo do crédito dispararam. Isso comprime o caixa, freia investimentos e vai engolindo o capital de giro. Vem daí o fechamento de lojas e desligamento de funcionários, por exemplo. Além disso, o varejo é um setor que demanda investimento permanente em estoque e manutenção de fornecedores para viabilizar vendas.
Em paralelo, o endividamento das famílias brasileiras bateu em 82% em julho, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Um quinto das famílias têm mais de metade do orçamento destinado ao pagamento de débitos. Isso vem freando o consumo, sobretudo o de bens de maior valor agregado.
“É mais desafiador em segmentos como os de vendas de móveis, eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Há o desafio do capital de giro e também o de manutenção das lojas físicas. E tudo isso com o consumidor endividado e concorrendo com outros gastos como canetas emagrecedoras e bets”, destaca a especialista.
Fonte: Época Negócios
