CBF articula projeto para transformar lixo das competições em bolas de futebol

Sob a promessa de tornar o futebol nacional mais sustentável, social e responsável, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) trabalha com um novo projeto: transformar o lixo gerado durante jogos de competições da entidade em novas bolas de futebol.
Elas serão produzidas como parte da CBF Impacta, programa de sustentabilidade da entidade, em parceria com a empresa Recicla BR, e o plano de distribuição é para que aconteça de forma gratuita em todo o Brasil.
“Elas seriam 100% doadas, distribuídas em comunidades. A partir do volume de produção, a gente vai calcular a rota de distribuição, mas a ideia é levar para o Brasil inteiro”, revelou o vice-presidente da CBF, Ricardo Paul, ao ge.
“Para a gente, é um projeto muito importante de educação ambiental, da criança ter nas mãos algo que foi criado pela reciclagem do esporte que ele ama”.
O dirigente citou o projeto durante uma palestra no Fórum Sustentabilidade em Campo, nesta segunda-feira, no Museu do Futebol, em São Paulo, e em seguida conversou com o ge para mais detalhes sobre a iniciativa.
Neste momento, a CBF e a empresa Recicla BR estão no processo de calcular quantas toneladas de lixo são produzidas por cada partida, por cada competição, e de chegar a um indicador de quantas bolas podem ser produzidas em seguida.
“A gente espera em dois ou três meses conseguir finalizar a estimativa”, disse o dirigente.
Esse cálculo é feito usando uma ferramenta de inteligência artificial, capaz de medir, diz Ricardo Paul, a quantidade de energia, de água e de resíduos sólidos gerados por cada jogo de futebol, de acordo com o local e com o número de pessoas no estádio.
“Nosso projeto é transformar esse resíduo sólido e converter todo o lixo da competição em bolas de futebol”.
O projeto de design das bolas deve levar os símbolos da Confederação Brasileira de Futebol, o da CBF Impacta (a ser desenvolvido) e o da empresa parceira, mas ainda não foi produzido.
O plano é começar na Série A do Brasileiro, pelo maior poder de divulgação da iniciativa, para em seguida expandir às demais competições da CBF, como Série B e Copa do Brasil, por exemplo. A entidade estima organizar uma média de 3.400 jogos por ano.
“Eu acho que 2027 é uma data segura. Mas, quem sabe, a gente consiga se surpreender e fazer alguma coisa ainda esse ano”, finalizou Ricardo.
Emissões de carbono no borderô
A transformação de resíduos em bolas é uma ação entre as quatro frentes de sustentabilidade que a CBF trabalha. As outras três são ligadas às emissões de carbono, à questão hidráulica e à energética.
Desde o lançamento do CBF Impacta na COP 30, ainda no ano passado, a entidade passou para a fase de financiamento das ações e iniciou a execução principalmente com a neutralidade de carbono.
“Começamos na Copa onde os jogos da Seleção e os amistosos todos já foram neutros de carbono. Agora, começa uma fase nova que é todos os jogos das ligas dos nossos campeonatos também vão ser neutros de carbono”, disse Ricardo Paul.
“A gente vai ter um medidor no borderô dos jogos e vamos trabalhar como será comunicado, para que em todos os jogos possamos anunciar quanto foi creditado. Porque tem um fator educacional muito forte”.
O processo para neutralizar as emissões de gases do efeito estufa é feita em parceria com o Instituto Climático VBH, que faz a estimativa das emissões antes dos jogos, calcula a compensação necessária das emissões não evitadas, e levanta o inventário após os jogos. A neutralização, por sua vez, prevê a compra de créditos de carbono.
No caso da Seleção, cerca de 72% das emissões de gases do efeito estufa relacionadas à seleção brasileira vêm de transporte, 16% de hospedagem, 9% da alimentação e 3% da geração de resíduos.
Fonte: Globo Esporte
Foto: Joilson Marconne
