Em uma cena que parece saída de um filme de ficção científica (ou da série de TV “Os Jetsons”), a cidade de Shenzhen, na China, está fazendo história com o lançamento do primeiro serviço de limpeza doméstica que integra robôs autônomos e funcionários humanos. Essa iniciativa surge de uma aliança estratégica entre a empresa de tecnologia X Square Robot e a principal plataforma de serviços domésticos, 58.com, trazendo finalmente inteligência artificial de ponta para o cotidiano das famílias.
O serviço estreou recentemente no distrito de Bao’an, onde moradores como Chen Guo estiveram entre os primeiros a experimentar esse modelo de trabalho colaborativo. O sistema operacional divide as responsabilidades de forma eficiente: enquanto o robô lida com as tarefas mais repetitivas e padronizadas, o profissional de limpeza gerencia a comunicação com o cliente e tarefas complexas, como limpeza profunda e remoção de ácaros.
Durante uma sessão de limpeza típica, o robô pode limpar o banheiro e a cozinha, organizar os sapatos espalhados pelo chão, recolher brinquedos, empilhar livros nas prateleiras e limpar todas as superfícies. Ele pode até realizar tarefas mais específicas, como limpar a caixa de areia do gato, trocar os sacos de lixo e auxiliar o operador humano a arrumar a cama. Ao final do ciclo de limpeza, o robô leva o saco de lixo para fora sozinho.
Um dos aspectos mais atraentes deste serviço é o seu preço: uma sessão de limpeza inteligente de três horas custa 74 yuans (aproximadamente US$ 10,70, cerca de R$ 56 na cotação atual), o que representa quase metade do custo de um serviço realizado exclusivamente por humanos. Este preço competitivo gerou uma procura sem precedentes, fazendo com que todas as vagas disponíveis para março (mês de lançamento) se esgotassem em poucos dias.
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E isso o torna mais atraente do que outras apostas em robôs domésticos humanoides que foram anunciadas durante 2025, mas que apostavam que cada casa teria um robô pessoal, com equipamentos muito mais caros (o robô Neo, por exemplo, tem um preço de US$ 20 mil, pouco mais de R$ 104 mil).
Por trás desses movimentos mecânicos reside a “inteligência artificial incorporada”. Ao contrário dos robôs tradicionais, que dependem de roteiros rígidos que seguem à risca, os modelos da X Square Robot permitem que a máquina perceba, raciocine e aja de forma autônoma em ambientes domésticos, considerados os mais desafiadores devido à sua imprevisibilidade: todas as casas parecem iguais, mas não há duas exatamente iguais.
Esse avanço tecnológico está alinhado com as diretrizes do Relatório de Trabalho do Governo Chinês para 2026, que identifica a inteligência embarcada como uma indústria estratégica fundamental para o desenvolvimento do país.
A X Square Robot confirmou que está aumentando a produção de robôs para atender à demanda futura, com o objetivo final de tornar essas máquinas membros confiáveis de todos os lares. Enquanto isso, a 58.com planeja expandir sua oferta para mais cidades, consolidando sua transformação de uma plataforma de busca de empregos em uma provedora abrangente de soluções tecnológicas para o lar. Segundo seus desenvolvedores, se um robô consegue dominar as complexidades de uma sala de estar, em breve será capaz de lidar com praticamente qualquer espaço físico no mundo real.
Fonte: O Globo





