ARACAJU/SE, 20 de fevereiro de 2026 , 22:30:09

Google e Apple lançam ferramentas de IA para música

 

A Alphabet, dona do Google, e a Apple, estão adicionando recursos de inteligência artificial (IA) generativa voltados para música aos seus principais aplicativos de consumo, destacando como essas ferramentas estão migrando para o uso mainstream.

O assistente de IA Gemini, do Google, agora pode criar faixas musicais de 30 segundos com base em texto, fotos ou vídeos enviados pelos usuários, utilizando o modelo mais recente da Google DeepMind, o Lyria 3, informou a empresa em um post no blog na quarta-feira (18).

O recurso, que pode gerar letras personalizadas ou áudio puramente instrumental, estará disponível para usuários com mais de 18 anos em vários idiomas. Ele está sendo lançado na versão para desktop do Gemini e aparecerá no aplicativo móvel nos próximos dias, segundo a empresa.

Seu popular modelo de criação de imagens, Nano Banana, também passará a gerar artes de capa personalizadas junto com a faixa, adicionando um elemento visual quando os usuários compartilharem links das músicas com outras pessoas, informou o Google.

Adicionar ferramentas de criação de áudio ao aplicativo móvel pode potencialmente fortalecer a oferta de produtos de consumo do Google, que segue em uma disputa com o ChatGPT, da OpenAI, para conquistar usuários.

O Google recebeu elogios generalizados de investidores e usuários por seu modelo de IA Gemini 3, lançado em novembro, levando o CEO da OpenAI, Sam Altman, a declarar um “código vermelho” para acelerar melhorias no ChatGPT.

Ações do Spotify chegaram a cair após notícia

Separadamente nesta semana, a Apple informou que os consumidores em breve poderão usar IA para criar playlists no Apple Music. O recurso, chamado Playlist Playground, utiliza o Apple Intelligence para permitir que as pessoas transformem comandos de texto em playlists que incluirão arte de capa, descrição e 25 músicas.

Ele está incluído no iOS 26.4, lançado em versão beta na segunda-feira, e estará mais amplamente disponível nesta primavera no hemisfério norte. O novo recurso do Apple Music rivaliza com funcionalidade semelhante oferecida pela Spotify.

As ações do Spotify chegaram a apagar seus ganhos após o anúncio do Google. Os papéis da Sirius XM também recuaram.

“Não esperamos que isso seja decisivo contra o Spotify”, escreveram analistas da Bloomberg Intelligence, em nota, na quarta-feira. “Ainda assim, acreditamos que esses movimentos podem forçar o Spotify a lançar em breve um recurso de mixagem com IA”.

A Apple, que tem ficado para trás em inteligência artificial, está trabalhando para adicionar mais recursos de IA em seus aplicativos e dispositivos, incluindo em seu pacote de software recentemente lançado, Creator Studio.

Mas algumas atualizações muito aguardadas para sua assistente virtual Siri podem ser adiadas depois de terem sido anunciadas inicialmente em 2024, informou a Bloomberg News na semana passada.

Já o Google tem buscado mostrar aos investidores que seus investimentos em produtos movidos a IA podem ajudar a impulsionar a receita. Para lançamentos como este, isso significa que o produto não é totalmente gratuito. Assim como o Gemini impõe limites diários à criação de imagens, usuários do plano gratuito poderão gerar 10 faixas por dia, enquanto usuários pagantes terão entre 20 e 100 faixas diárias, dependendo do nível de assinatura.

Os usuários terão o direito de usar as faixas geradas, informou a empresa, acrescentando que há filtros para verificar os resultados em relação a conteúdos existentes, de modo a não violar regras de propriedade intelectual ou privacidade.

Ferramentas de IA generativa têm sido recebidas com cautela — e às vezes com hostilidade — pela indústria musical, que vê parte da tecnologia como ameaça ao seu modelo de negócios e à propriedade intelectual.

Em 2024, a Universal Music, a Warner Music e a Sony Music Entertainment processaram as startups Suno AI e Uncharted Labs, desenvolvedora do Udio AI, por violação de direitos autorais. Desde então, a Warner Music fechou acordo com a Suno, e tanto ela quanto a Universal Music chegaram a acordos com o Udio para manter o aplicativo funcionando com licenças e controles adequados.

O Google afirmou no post que possui salvaguardas que proíbem a IA de copiar conteúdo de artistas específicos. Se os usuários mencionarem músicos reais, o Gemini usará o comando apenas como “inspiração criativa ampla e criará uma faixa que compartilhe estilo ou clima semelhantes”, acrescentou.

“Nosso treinamento para o Lyria 3 foi projetado para usar músicas que o YouTube e o Google têm direito de utilizar sob nossos termos de serviço, acordos com parceiros e a legislação aplicável”, afirmou um porta-voz da empresa.

Fonte: Bloomberg

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