Educação para um Trânsito Mais Seguro em Sergipe

A segurança no trânsito constitui um dos maiores desafios das políticas públicas brasileiras. Em Sergipe, apesar dos avanços observados nos últimos anos, os acidentes de trânsito continuam produzindo impactos significativos sobre a saúde pública, a economia e a qualidade de vida da população. Mortes, lesões permanentes, afastamentos do trabalho e elevados custos hospitalares revelam a necessidade de ações permanentes de fiscalização, engenharia de tráfego e, sobretudo, educação para o trânsito.
Nas rodovias federais que cortam Sergipe, a Polícia Rodoviária Federal registrou 642 sinistros de trânsito em 2025, número praticamente estável em relação aos gravidade dos acidentes.
Os sinistros graves, aqueles que resultam em mortes ou feridos graves, diminuíram de 235 ocorrências em 2024 para 190 em 2025, representando uma redução de aproximadamente 19%. Da mesma forma, o número de mortes caiu de 74 para 61 vítimas fatais, redução de 17,6%. Outro dado que merece destaque refere-se à participação das motocicletas. Dos 190 sinistros graves registrados nas rodovias federais sergipanas em 2025, 97 envolveram motocicletas, evidenciando a elevada vulnerabilidade desse grupo de usuários do trânsito.
No âmbito da saúde pública, os reflexos dos acidentes são igualmente expressivos. Somente em 2025, o Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (HUSE) registrou 5.437 admissões relacionadas a acidentes de trânsito, sendo 4.241 delas decorrentes de ocorrências envolvendo motocicletas. Em média, 15 pessoas por dia foram internadas em decorrência de acidentes, das quais 12 eram vítimas de ocorrências com motocicletas.
Durante o primeiro semestre de 2026, os balanços operacionais da Polícia Rodoviária Federal apontaram continuidade das ações voltadas para a redução dos acidentes graves, especialmente nos períodos de maior movimentação, como Carnaval, Semana Santa, Corpus Christi e Festejos Juninos. As operações especiais concentraram esforços no combate às infrações que historicamente mais contribuem para a ocorrência de acidentes graves: excesso de velocidade, condução sob efeito de álcool, ultrapassagens indevidas e comportamentos de risco por parte de motociclistas. Os resultados preliminares indicaram redução de acidentes graves em algumas operações específicas, demonstrando que a combinação entre fiscalização intensiva e ações educativas pode produzir efeitos positivos na preservação de vidas.
Além das rodovias federais, os acidentes ocorridos nas vias urbanas dos municípios sergipanos representam parcela significativa dos atendimentos hospitalares e dos registros de trânsito. Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Lagarto, Itabaiana, Estância e São Cristóvão concentram grande parte da circulação de veículos do estado e enfrentam desafios relacionados ao aumento da frota, ao crescimento do número de motocicletas e à convivência entre diferentes modos de transporte.
Embora os dados municipais sejam consolidados por diferentes órgãos de trânsito, observa-se que os acidentes envolvendo motociclistas continuam sendo a principal causa de internações e traumas graves, especialmente entre jovens adultos em idade economicamente ativa. Essa realidade reforça a necessidade de políticas específicas voltadas à condução segura de motocicletas.
Os levantamentos realizados pela Polícia Rodoviária Federal em Sergipe apontam que a maior parte dos acidentes graves decorre de falhas humanas e comportamentos inadequados dos condutores. Entre as principais causas identificadas em 2025 destacam-se: acessar a via sem observar a presença de outros veículos; reação tardia ou ineficiente do condutor; ausência de reação diante de situações de risco; condução sob efeito de álcool; não observância da distância de segurança entre veículos e excesso de velocidade.
Esses fatores demonstram que muitos acidentes poderiam ser evitados mediante atitudes preventivas e maior respeito às normas de circulação.
Segundo os dados da Polícia Rodoviária Federal, as infrações mais frequentemente registradas em Sergipe durante 2025 foram: excesso de velocidade; condução de veículo não licenciado; direção por condutores sem habilitação; dirigir sob influência de álcool; uso inadequado de equipamentos de segurança e ultrapassagens em locais proibidos. Tais infrações apresentam forte correlação com a ocorrência de acidentes graves e fatais, justificando a intensificação das ações de fiscalização e conscientização.
A minha opinião é a de que precisamos de educação para o trânsito como um investimento permanente e que deve ser iniciado na infância e continuado nas demais fases da vida. A experiência nacional e internacional demonstra que a redução sustentável dos acidentes não depende exclusivamente da fiscalização ou da aplicação de multas. A educação para o trânsito desempenha papel central na construção de uma cultura de respeito à vida.
A formação de condutores conscientes deve começar ainda na infância, por meio de ações educativas nas escolas, campanhas públicas e programas comunitários. Paralelamente, é necessário reforçar continuamente conceitos como direção defensiva, respeito aos limites de velocidade, utilização dos equipamentos de segurança e combate à combinação entre álcool e direção.
Os dados mais recentes revelam avanços importantes na segurança viária em Sergipe, especialmente pela redução dos acidentes graves e das mortes nas rodovias federais durante 2025. Entretanto, os números ainda permanecem elevados, sobretudo em relação aos acidentes envolvendo motociclistas.
A consolidação de um trânsito mais seguro exige atuação integrada dos órgãos de trânsito, das forças de fiscalização, das instituições educacionais e da sociedade. Investir em educação para o trânsito não representa apenas uma medida preventiva, mas uma estratégia permanente de preservação da vida, capaz de reduzir custos sociais, hospitalares e econômicos, promovendo uma convivência mais segura e cidadã nas rodovias e nas vias urbanas sergipanas.
