Com a chegada da primavera, é celebrado o Dia da Árvore no Brasil nesta segunda-feira (21)

O Dia da Árvore é comemorado no Brasil nesta segunda-feira, dia 21 de setembro, e é uma data emblemática para todos aqueles que pensam não só o presente, mas o futuro de nossa sociedade, e um momento para reflexão sobre questões voltadas à sustentabilidade ambiental.
No âmbito mundial, é interessante a história dessa efeméride, que começa em 1872 nos Estados Unidos da América, quando o jornalista J. Sterling Morton, que morava nas planícies sem árvores do Nebraska, convenceu o Conselho de Agricultura local a criar um dia para fazer um grande plantio. Virou o conhecido “Arbor Day”, 10 de abril, quando plantaram mais de um milhão de árvores somente no primeiro dia. O nome adotado derivou do próprio nome da casa dele: Arbor Lodge.
Já o Dia Mundial da Árvore surge entre 1969 e 1971, quando o Congresso Florestal Mundial, em Roma, propôs criar um Dia Mundial. Na ocasião, a FAO, o órgão da ONU para Agricultura, aceitou essa criação e, em 1971, escolheu o dia 21 de março, que era o primeiro dia da primavera do hemisfério norte e também do outono do sul, ou seja, representava a melhor época para plantar no mundo todo. É por isso, aliás, que existem atualmente duas datas mundiais em que se comemora o Dia Mundial da Árvore.
Essas datas internacionais são 28 de junho, decretada em Roma em 1969, que ainda é usada em muitos países, e também a data de 21 de março do Dia Internacional das Florestas, proclamado pela ONU em 2012.
Já no Brasil, a data surge em 1965 e foi oficializada pelo então presidente Castelo Branco como a “festa anual das árvores”. Escolheram, na ocasião, o dia 21 de setembro porque era a véspera da primavera no hemisfério sul. Já no Norte e no Nordeste, comemora-se na última semana de março por causa das chuvas. O curioso é que, no passado, os povos indígenas já faziam o culto das árvores na época de preparar o solo para semear, aliás, uns 30 anos antes de ser definida essa data oficial no Brasil.
Portanto, nesse conjunto de situações, a data foi oficializada pelo Decreto nº 55.795, de 24 de fevereiro de 1965.
A comemoração do Dia da Árvore nos leva à reflexão sobre a importância da arborização urbana, que é central no atual debate do planejamento de cidades que precisam ser cada vez mais resilientes aos eventos climáticos extremos.
Após apresentar esse histórico das comemorações do Dia da Árvore no mundo e no Brasil, e para dar um melhor conhecimento teórico de como esse tema se integra aos princípios defendidos pela ONU, temos como marco, em outubro de 1987, o “Relatório Brundtland”, da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, que criou a definição do “desenvolvimento sustentável”, ou seja, o conceito de “atender o presente sem comprometer” o futuro. Já em 1992, aqui no Rio, na Eco 92, 178 países assinaram a chamada “Agenda 21”.
Já no ano de 2000, na então denominada “Cúpula do Milênio”, em Nova York, foram criados os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, na ocasião chamados de ODM, para cumprir até 2015. O objetivo era o foco no combate à pobreza e à fome e na melhoria da educação.
Em 2012, na Rio+20, aqui no Rio de Janeiro, iniciou-se a discussão do que viria depois dos ODMs, quando foi produzido o documento “O Futuro Que Queremos”, que propunha criar os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, conhecidos atualmente como os ODS.
Nesse processo, já em setembro de 2015, na Cúpula em Nova Iorque, 193 países membros emitiram o documento “Transformando o Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, quando então foram criados esses 17 ODS. Na realidade, a “Agenda Transformando o Futuro” foi a base dos ODS, também muito conhecida como a Agenda 2030.
Todo esse histórico e processo é muito importante conhecer para que, dentro dos atuais ODS, possamos colocar a questão das ações do cotidiano, como aquelas voltadas ao plantio urbano, como sendo fundamentais.
Nesse contexto e dentro dos 17 ODS, temos pelo menos 3 que caracterizam a questão do plantio urbano como algo importante e que são:
- ODS 15 — “Vida Terrestre”, que, em sua Meta 15.2, visa promover a gestão sustentável de todos os tipos de florestas, deter o desmatamento, restaurar florestas degradadas e aumentar substancialmente o reflorestamento e a florestação em nível global. No ODS oficial, o plantio está voltado para o Indicador 15.2.1 (área de floresta manejada de forma sustentável).
- ODS 13 — “Ação contra a Mudança Global do Clima”, mais especificamente na Meta 13.2, que tem o plantio como medida de sequestro de carbono e forma de adaptação climática.
- ODS 11 — “Cidades e Comunidades Sustentáveis”, mais especificamente na Meta 11.7. Ou seja, até 2030, proporcionar acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, onde se insere o plantio urbano, como em praças, parques e arborização.
Dessa forma, conhecer o histórico desse processo é importante, porém o fundamental é que façamos ações voluntárias de caráter ambiental celebrando essa data e verifiquemos se as diversas escolas da educação básica estão comprometidas com esse conhecimento e engajamento dos jovens estudantes, transformando-os em cidadãos conscientes.
Fonte: Diário do Rio
