Com as portas fechadas, comércio da capital tem dia de domingo em plena segunda-feira

Da redação, Joangelo Custódio
O corre-corre e o barulho tão característicos dos calçadões do Centro Comercial de Aracaju deram lugar ao silêncio. As portas fechadas das lojas impediram o frenético entra e sai de clientes em plena segunda-feira (23) que mais parecia domingo.
É o efeito coronavírus (covid-19) na vida dos aracajuanos dois dias após o governo decretar uma série de medidas de enfrentamento ao inimigo invisível, dentre elas, o fechamento de todo o comércio, incluindo shoppings centers, bares e restaurantes, num prazo sete dias. A redução do número de ônibus circulando também contribuiu para o marasmo.
Apenas farmácias, supermercados, postos de gasolina, padarias, casas agropecuárias que vendem ração animal, açougues, unidades hospitalares, restaurantes com entrega a domicílio, bancos – com restrição de público – e algumas repartições públicas estão funcionando.
Todo esse esforço da sociedade e das autoridades tem um objetivo em comum: diminuir aglomerações e evitar que o covid-19, que já infectou 10 sergipanos, sendo sete na capital, não se espalhe.
A medida foi bem aceita pelos comerciantes, que demonstraram que nessa “guerra” todos têm de estar unidos. “Apesar de a medida trazer prejuízos financeiros aos lojistas com consequências aos trabalhadores do comércio, o avanço do Covid-19 no Brasil nos preocupa e o fechamento temporário para evitar a circulação de pessoas em pontos comerciais pode ser uma medida considerada preventiva para o bem de todos”, diz o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Aracaju, Brenno Barreto.
Brenno espera que os governos estadual e municipal façam compensações às classes produtivas da cidade, sobretudo no que diz respeito ao parcelamento de obrigações como os impostos mensais, para que os empresários possam quitar suas dívidas até o restabelecimento normal das atividades comerciais.
Michelle Oliveira é proprietária de uma confeitaria em um shopping da capital. Ela acredita que a medida é importante. “É extremamente importante para conter o número de novos casos, uma vez que o shopping recebe diariamente muitas pessoas vindas de todos os lugares. Com certeza seria um grande foco de proliferação”.
A empresária diz que diminuiu a quantidade de funcionários ativos e passou a realizar entrega domiciliar. “Cumprimos todo protocolo de segurança na produção e permanecemos com o delivery por ser nosso público pessoas com restrição alimentar. Queremos assegurar que estes teriam acesso a alimentos para manter sua dieta de restrição com a devida segurança”.
