Economia

Consumo dispara em Sergipe e movimenta quase R$ 70 bilhões

10/06/2026 às 09:23

 

O potencial de consumo dos sergipanos atingiu R$ 69,7 bilhões em 2026, o maior valor já registrado no estado, segundo levantamento do IPC Maps. O dado confirma a força do mercado consumidor local, impulsionado principalmente pelos setores de comércio e serviços.

O crescimento foi de 4,9% em relação a 2025, quando o volume de consumo somou R$ 66,4 bilhões. No mesmo período, o número de empresas instaladas em Sergipe saltou de 154.993 para 173.264, uma expansão de 11,8%, indicando maior dinamismo econômico, sobretudo em áreas ligadas ao varejo, alimentação e serviços voltados às famílias.

De acordo com o estudo, a maior parte do consumo está concentrada nas áreas urbanas, que respondem por R$ 62,87 bilhões, enquanto as zonas rurais somam R$ 6,78 bilhões. O levantamento também evidencia o peso do setor terciário na economia sergipana, com mais de 103 mil empresas de serviços e cerca de 45 mil estabelecimentos comerciais, frente a aproximadamente 23 mil indústrias.

Entre os segmentos com maior volume de gastos, a habitação lidera, com R$ 12,5 bilhões, seguida pela alimentação no domicílio (R$ 7,06 bilhões), alimentação fora de casa (R$ 6,29 bilhões) e despesas com veículos próprios, que ultrapassam R$ 6 bilhões. O desempenho reflete o fortalecimento de atividades como bares, restaurantes, delivery, combustíveis e serviços urbanos.

Para o presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac, Marcos Andrade, os números reforçam o papel estratégico do setor terciário. “Os dados do IPC Maps demonstram claramente que Sergipe possui uma economia sustentada pelo comércio, pelos serviços e pelo consumo das famílias. O crescimento do número de empresas mostra que existe confiança do empreendedor no mercado sergipano e reforça a importância de continuarmos investindo em qualificação, inovação e fortalecimento do ambiente de negócios para manter essa trajetória de expansão”, afirmou.

O sócio da IPC Maps Editora, Marcos Pazzini, destacou o perfil urbano e dinâmico do consumidor local. “O IPC Maps mostra que Sergipe possui um consumidor cada vez mais urbano, conectado ao setor de serviços e com forte presença do consumo essencial no orçamento das famílias. Observamos um mercado bastante concentrado nas classes média e média baixa, mas com dinamismo importante em segmentos como alimentação fora do lar, saúde, mobilidade e varejo popular. Isso demonstra uma economia com grande capacidade de circulação de renda e oportunidades relevantes para empresas que compreendam o comportamento regional de consumo”, ressaltou.

Na avaliação do economista da Fecomércio-SE, Márcio Rocha, os dados também apontam desafios estruturais. “Os números revelam um estado com elevada capacidade de consumo para seu porte populacional, mas ainda dependente de cadeias produtivas externas. Sergipe ampliou o volume de consumo e expandiu significativamente sua base empresarial, porém o desafio econômico agora é transformar essa força consumidora em maior capacidade produtiva, industrialização e geração de valor agregado dentro do próprio estado”, analisou.

O estudo também indica forte presença das classes C e D/E, que representam mais de 84% dos domicílios urbanos e sustentam segmentos como varejo popular, atacarejo, farmácias e serviços essenciais. Outro destaque é o crescimento dos gastos com saúde, que já somam mais de R$ 7,7 bilhões por ano, incluindo medicamentos, higiene pessoal e planos de saúde.

Os dados reforçam um cenário de expansão do consumo em Sergipe, sustentado principalmente pela atividade comercial e de serviços, e apontam a necessidade de transformar esse crescimento em maior desenvolvimento econômico e geração de empregos no estado.

*Com informações Fecomércio-SE

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