ARACAJU/SE, 13 de fevereiro de 2026 , 18:20:44

Cerca de 56 milhões de foliões brasileiros pretendem desfrutar o carnaval em 2026

 

Pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, mostra que 56 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais (34%) pretendem pular o carnaval em 2026. Entre quem vai festejar, 62% afirmam que devem participar de eventos não pagos. A preferência é ainda mais expressiva entre as classes C, D e E (68%).

O estudo revela que o perfil dos foliões que pretendem participar de eventos gratuitos ou pagos tem maior adesão dos jovens de 18 a 29 anos (44%), das classes A e B (37%) e dos moradores de capitais (39%), indicando que fatores etários, socioeconômicos e territoriais influenciam diretamente a forma como os brasileiros vivenciam o carnaval.

Segundo o estudo, os blocos de rua gratuitos são a atividade mais citada (61%), seguidos por shows de rua gratuitos (38%) e trios elétricos gratuitos (32%). As opções pagas aparecem com menor adesão, como blocos com abadá (20%) e festas privadas (14%).

A pesquisa mostra que os sentimentos associados ao carnaval também mudam conforme a forma de participar da festa. Entre quem pretende festejar, predominam sentimentos positivos, como felicidade (68%), liberdade (55%) e euforia (50%).

Além disso, para 67% dos brasileiros, o carnaval é uma manifestação cultural importante. O reconhecimento é ainda mais expressivo entre católicos (76%), mas também aparece de forma relevante entre evangélicos (49%), mostrando que a importância cultural da festa atravessa diferentes crenças religiosas e visões de mundo.

A percepção positiva sobre a data também aparece para 69% dos brasileiros, que concordam que o carnaval é uma festa democrática e deve ser para todas as pessoas, enquanto 66% afirmam que a festa representa uma oportunidade importante para ocupar os espaços públicos, reforçando a rua como lugar de convivência, encontro e expressão coletiva.

“Os dados mostram que a maioria dos brasileiros entende o carnaval como aquilo que ele é: cultura viva, não desordem. O carnaval é o Brasil se olhando no espelho da rua, com identidade, criatividade e pertencimento. Defender essa festa é defender a nossa forma mais popular de existir em coletivo”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

A pesquisa também revela que existe uma expectativa clara de responsabilidade e cuidado durante o período, pois 97% dos brasileiros consideram importantes as campanhas de segurança no trânsito, especialmente relacionadas à combinação de álcool e direção, e 96% defendem campanhas de prevenção a infecções sexualmente transmissíveis durante o Carnaval, sinalizando maturidade coletiva em relação à celebração.

Por outro lado, a maioria dos brasileiros não pretende pular o carnaval em 2026. Entre os 66% que afirmam que não vão participar da festa, os principais planos são ficar em casa, citado por 59%, e descansar, mencionado por 55%. Passear pela cidade e trabalhar aparecem empatados, ambos com 16%, mostrando que o feriado também é vivido como pausa e reorganização da rotina.

A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas digitais autopreenchidas, entre os dias 20 e 26 de janeiro de 2026, com 1.503 brasileiros de 18 anos ou mais, de todas as regiões do país. A amostra é nacional e representativa, ponderada por gênero, faixa etária, escolaridade e classe social, conforme parâmetros da PNAD Anual 2024 (IBGE), e apresenta margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Retorno de investimento na festa é maior que em áreas da indústria

O retorno para a economia de cada real investido em cultura e artes – o que inclui o carnaval – é maior que o de investimentos em algumas áreas tradicionais da indústria, como a automobilística. Em entrevista à Agência Brasil, durante sua passagem pelo país para estudar a economia criativa em torno da folia, a economista ítalo-americana Mariana Mazzucato destacou a potência da maior festa brasileira.

“O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional”, disse Mazzucato.

“No entanto, os governos continuam investindo mais nesses setores tradicionais da indústria, mesmo que as evidências estejam aí. Não é verdade que não temos as evidências”.

No Brasil, enquanto R$ 1 investido em cultura pode render R$ 7,59 em retorno para sociedade por meio de empregos e renda, R$ 1 investido no setor de automóveis e caminhões tem um impacto multiplicador de R$ 3,76, conforme estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

Uma das mais influentes economistas do mundo, a autora do livro O Estado Empreendedor acrescentou que o carnaval traz benefícios sociais, de bem-estar e saúde mental para diversas comunidades, muitas delas vulneráveis.

“Mais do que apenas falar da comida, da bebida, dos hotéis e do turismo durante o carnaval, é o impacto social das habilidades, das escolas, das redes, do valor da coesão social, do senso de identidade e patrimônio”.

A economista lidera pesquisa da University College London (UCL), com cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que investiga o papel das artes e da cultura para o desenvolvimento econômico de um país.

Ao passar por Brasília para reuniões com gestores públicos federais, Mazzucato defendeu que o carnaval seja o centro de uma plataforma para expandir no Brasil a economia criativa, que é um modelo de negócios baseado no capital intelectual, cultural e na criatividade para gerar emprego e renda.

A economista ainda questionou a tese de que “não há dinheiro” para investimentos em cultura, lembrou que o setor contribui para redução da criminalidade e alertou para os riscos de o Carnaval gerar mais concentração de renda.

“Devemos sempre lembrar que existem relações de poder. Quem tem acesso [ao carnaval]? Está se tornando muito comercial? Para onde vai o dinheiro? Os patrocínios, por exemplo, estão sendo reinvestidos nas comunidades e no ecossistema que cria essa incrível criatividade?”, questionou.

Fontes: Monitor Mercantil e Agência Brasil

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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