Direitista Keiko Fujimori se aproxima da vitória à Presidência do Peru; opositor convoca protesto nacional nesta sexta-feira (19)

A candidata de direita Keiko Fujimori — filha do ex-presidente Alberto Fujimori —, do partido Força Popular, ampliou, nesta quinta-feira (18), a vantagem sobre o esquerdista Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, na apuração da eleição presidencial peruana. Com 99,396% das urnas apuradas, Keiko aparece com 50,109% contra 49,891% de Sánchez, com vantagem de 39.890 votos até o fechamento desta edição. O resultado definitivo do pleito, que teve o segundo turno realizado no dia 7 de junho, está previsto para sair somente em julho, segundo estimativas das autoridades eleitorais peruanas.
Enquanto a apuração da disputa acirrada avança a passos lentos, o partido Juntos pelo Peru convocou seus apoiadores de todo o país para participar de um protesto nacional na sexta-feira (19). Segundo a legenda, essa mobilização está sendo realizada “em defesa do voto, da vitória do povo e da democracia”.
Além da marcha nacional, o grupo liderado por Sánchez convocou diversos protestos e vigílias em diferentes regiões do Peru. Ao explicar os motivos para a convocação dessa mobilização nacional, o partido afirmou que “o voto popular foi deslegitimado” e que seus correligionários não respeitarão os resultados eleitorais, porque acreditam que eles “não refletem a vontade popular com absoluta transparência”.
“Denunciamos a falta de transparência das organizações que conduzem o processo eleitoral, a mudança das regras eleitorais em pleno processo, uma série de irregularidades, vícios de nulidade e manobras político-midiáticas que ameaçam a justiça eleitoral e a vontade soberana do povo peruano”, diz uma das motivações apresentadas pelo partido.
Apesar da declaração, Anahí Durand, porta-voz do Juntos pelo Peru, havia indicado dias antes que respeitaria os resultados. Nesta quinta, Sánchez salientou que seus partidários não apelaram a quaisquer ações que ultrapassem os seus direitos políticos.
“Ter dúvidas razoáveis, apresentar recursos e exercer o direito de defender os votos não significa que não reconheçamos os resultados. Temos dúvidas razoáveis e também adotamos as medidas legais cabíveis porque consideramos que a situação ainda não está clara”, disse.
Ao longo da apuração do segundo turno, ambos os partidos apresentaram pedidos para impugnação de votos. O representante legal do Juntos pelo Peru, Carlos Zafra Flores, apresentou um primeiro recurso eleitoral perante um Júri Eleitoral Especial (JEE) em Lima.
A petição alega que foram detectados “padrões de repetição exata” em mesas de votação durante a jornada eleitoral de 7 de junho em favor do fujimorismo. A sigla sustenta que o padrão idêntico de votos em diferentes mesas “desafia toda probabilidade matemática” e “indica uma adulteração sistemática e coordenada no preenchimento das atas de apuração”.
Ao longo do mesmo dia, outros três ofícios foram apresentados a órgãos da justiça eleitoral peruana, em um total de quatro pedidos de anulação de votos. O pedido é pela anulação de 1.751 mesas eleitorais no Peru e 649 nos EUA, em áreas onde Keiko obteve a maioria dos votos. Ainda na semana passada, a candidata de direita fez uma declaração à imprensa, afirmando que seu partido não encontrou qualquer elemento de ilegalidade.
O Força Popular também apresentou recursos de nulidade, alegando irregularidades no dia da votação. A solicitação foi direcionada a mesas de votação na região de Puno, alcançando mais de 7 mil votos — 5.932 deles em favor de Sánchez. A sigla alegou que “representantes devidamente credenciados” não tiveram acesso à sala de votação, e que “fatos graves que afetam a transparência, a legalidade e a autenticidade do sufrágio” são causa de nulidade.
Fonte: O GLOBO
