Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, a China segue como o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Os números de 2025 reforçam essa posição de forma inequívoca. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações do agro para a China cresceram 11,3% em valor entre 2024 e 2025, o que representou variação absoluta de US$ 5,62 bilhões, o maior crescimento entre todos os países compradores.
Esse desempenho não ocorre de forma isolada. Ele faz parte de um ano histórico para o setor. As exportações do agronegócio brasileiro atingiram um valor recorde de US$ 169,2 bilhões em 2025, alta de 3% em relação ao ano anterior. Com esse desempenho, o setor respondeu por 48,5% de tudo o que o Brasil exportou no período.
Dentro desse cenário de recordes, a China se destaca com folga sobre os demais parceiros. A China lidera o ranking de compradores com US$ 55,3 bilhões e 32,7% das exportações, seguida pela União Europeia, com US$ 25,2 bilhões e 14,9% do total.
Portanto, enquanto a Europa absorve menos da metade do que a China compra, o país asiático consolida uma posição que vai muito além de uma parceria comercial ordinária. Trata-se, na prática, de um elo estrutural para o agronegócio nacional.
Soja, carne bovina e celulose lideraram os envios ao mercado chinês em 2025. Ainda assim, o Brasil não se limita a essas commodities tradicionais. O país avança, de forma crescente, sobre produtos mais especializados e de maior valor agregado.
Um dos marcos mais recentes dessa diversificação envolve o DDGS, sigla em inglês para grãos secos de destilaria com solúveis. Trata-se de um coproduto gerado durante a produção de etanol de milho, com ampla aplicação na alimentação animal.
As primeiras cargas brasileiras de DDGS chegaram à China no início de abril. O embarque partiu do Porto de Imbituba, em Santa Catarina, e um navio com 62 mil toneladas do produto desembarcou no porto de Nansha, em Guangzhou, no sul da China.
Esse resultado não surgiu do acaso. A abertura desse mercado, concretizada em maio de 2025, resultou de negociações sanitárias longas e de pressão direta do setor produtivo. No caso do DDGS, a abertura do mercado chinês contou com o impulso da União Nacional do Etanol de Milho, a Unem. Além disso, vale lembrar que, até recentemente, os Estados Unidos dominavam o fornecimento desse produto à China. A entrada do Brasil, portanto, representa uma mudança relevante no cenário geopolítico do comércio de insumos agrícolas.
Farinha de vísceras de aves: do subproduto ao contêiner exportado
Outro avanço recente envolve a farinha de vísceras de aves, insumo amplamente utilizado na nutrição animal. A exportação desse produto ocorre após a abertura do mercado chinês em abril de 2023, a partir de demanda apresentada pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal, a Abra. O Mapa confirmou o envio do primeiro contêiner do produto ao país asiático.
Assim como no caso do DDGS, o avanço mostra que o Brasil sabe transformar subprodutos da indústria nacional em oportunidades comerciais concretas. Em vez de descartar ou subutilizar esses materiais, o setor produtivo, em parceria com o governo, abre mercados e gera receita com itens que, até pouco tempo, tinham destino limitado.
Cooperação institucional como motor da diversificação
Os dois casos acima revelam um padrão que o Mapa adota de forma crescente: a abertura de novos mercados não depende apenas de negociações diplomáticas, mas também da demanda organizada dos próprios setores produtivos. Unem e Abra, cada uma em sua frente, demonstram como entidades setoriais atuam como catalisadoras de oportunidades comerciais.
A estratégia de diversificação de produtos elevou, durante 2025, as exportações de produtos não tradicionais em cerca de 15%, e a diversificação de destinos possibilitou que o agronegócio brasileiro enfrentasse turbulências no cenário internacional, como o tarifaço, casos de influenza aviária e redução dos preços internacionais de algumas commodities.
Brasil não apenas mantém o volume de vendas à China, mas também amplia continuamente o leque de produtos que chega ao mercado asiático. Cada novo item na pauta representa, ao mesmo tempo, uma redução da dependência das commodities tradicionais e uma inserção mais sofisticada do agronegócio brasileiro no comércio global.
Fonte: IG





