O grupo Fictor, que junto com investidores árabes fez proposta de compra do banco Master, entrou com pedido de recuperação judicial em São Paulo. A decisão, segundo informou a empresa, visa garantir a contuidade da operação da empresa e a manuteção dos empregos.
Com a recuperação judicial, a Fictor oficializa a renegociação de seus compromissos financeiros, que somam R$ 4 bilhões. Desde dezembro passado, a Fictor vinha atrasando o pagamento a seus investidores e foi alvo de questionamentos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado de capitais.
Na semana passada, a empresa teve R$ 150 milhões bloqueados pela Justiça paulista, valor que era uma garantia prevista em contratos para manter uma garantia financeira exigida em contrato para uma operação de cartões de crédito empresariais feitas pela Fictor Pay.
O pedido de RJ foi feito neste domingo no Tribunal de Justiça paulista. Ele vale para a Fictor Holding e para a Fictor Invest. As demais empresas do grupo ficaram de fora. A empresa atua também no setor de alimentos e infraestrutura.
De acordo com comunicado, a decisão busca equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros, com foco nos sócios participantes – que representam a grande maioria dos credores.
“A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, informa a empresa em nota.
Pagamento sem deságio
Com a recuperação judicial, o grupo Fictor pretende realizar a quitação das dívidas sem nenhum deságio (desconto). No pedido de recuperação judicial, foi solicitada ‘tutela de urgência’ para suspender execuções e bloqueios de recursos da empresa por um período inicial de 180 dias. Com isso, a Fictor espera reduzir o risco de “corridas individuais” que pressionem ainda mais a liquidez da empresa.
“Nesse período, pela lei, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento de seus compromissos, sem interromper as operações e, consequentemente, preservando mais de 10.000 empregos diretos e indiretos”, explicou a empresa na nota.
Tentativa de compra do Master afetou liquidez
A Fictor justifica o pedido de recuperação judicial como consequência consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
“Um consórcio liderado pelo sócio do grupo Fictor fez uma oferta para a aquisição e transferência de controle do Master, mas com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, explica a nota.
Em novembro do ano passado, a Fictor Holding Financeira anunciou que se associou a “um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos” para comprar o banco de Daniel Vorcaro e prometia um “aporte imediato” de R$ 3 bilhões para o “fortalecimento da estrutura de capital do banco”.
Mas, no mesmo dia da oferta da Fictor (17 de novembro), o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). No dia seguinte, o Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
No mercado, a avaliação foi de que o anúncio da operação do Master com a Fictor foi uma tentativa de criar uma cortina de fumaça para Vorcaro para ganhar tempo e evitar a liquidação de seu banco.
Segundo a empresa, desde que a Fictor iniciou operações não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza. A empresa informou que prepara um plano de reestruturação que, incluiu uma diminuição de sua estrutura física e corpo de colaboradores. O grupo, diz a empresa, já vinha tomando essas medidas do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas.
Expansão dos negócios
Fundado em 2007, o grupo Fictor diversificou suas áreas de negócios ao longo dos anos, com presença na indústria de alimentos (proteína animal), energia, infraestrutura, imobiliário e soluções de pagamento.
De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, do escritório Dasa Advogados, que coordena o pedido de recuperação judicial, as operacões da empresa seguem funcionando normalmente e “a base produtiva permanece relevante, apesar da pressão de curto prazo”.
A principal subsidiária industrial do grupo, a Fictor Alimentos S.A., reúne unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro e sustenta uma cadeia de 3.500 empregos diretos e 10.000 indiretos, além de carteira ampla de clientes.
O pedido de RJ não inclui as subsidiárias, que devem seguir com suas rotinas, contratos e projetos. O objetivo, segundo Deneszczuk, é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo de recuperação judicial, impossibilitando que o grupo se reestruture, preservando fornecedores, clientes e empregos enquanto a reorganização financeira é conduzida no nível corporativo, diz o advogado.
Fonte: O Globo





