ARACAJU/SE, 29 de janeiro de 2026 , 16:47:56

Índice de Basileia: saiba o que é e como utilizá-lo para avaliar risco de virar cliente de bancos digitais

 

No dia 21 de janeiro, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, em nome da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. Com a medida, o BC interrompeu as atividades da empresa responsável pela captação de recursos e também da concessão de crédito do Will Bank. A decisão do BC foi mais uma consequência do caso Master, crise que atingiu mais de 1,6 milhão de clientes e provocou um rombo que pode chegar a mais de R$ 47 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O caso trouxe à tona uma série de questionamentos para investidores e clientes de instituições financeiras, principalmente em relação à solidez dessas companhias. Um dos índices que ganhou atenção durante as investigações foi o chamado Índice de Basileia, um dos principais termômetros de solidez de um banco. Rodrigo Silva Barreto, professor de economia e finanças da FEI, explica como o parâmetro funciona – e como avaliar bancos digitais a partir dele.

Segundo o professor, o índice existe para responder, de modo padronizado, a uma pergunta simples: se surgirem perdas inesperadas, a instituição tem capital próprio suficiente para absorvê-las sem comprometer seus compromissos com os clientes e com o sistema financeiro? “Por isso, é um indicador muito usado por reguladores e analistas para acompanhar a saúde das instituições financeiras”, conta.

Em termos técnicos, o Índice de Basileia relaciona o capital do banco com os riscos que ele assume, considerando que diferentes operações carregam níveis distintos de risco. “Na prática, ele sinaliza quanto ‘colchão de capital’ o banco mantém para sustentar sua carteira de crédito, investimentos e demais exposições”, afirma.

Quanto mais alto o índice, maior tende a ser a capacidade de enfrentar choques e perdas sem entrar em situação crítica. No Brasil, existe um patamar mínimo exigido em torno de 10,5%, e instituições consideradas mais confiáveis costumam operar com folga acima desse piso, frequentemente acima de 15%.

E os bancos digitais?

Ao discutir bancos digitais, Barreto destaca um ponto: “O fato de o banco ser ‘digital’ não define, por si só, se ele é seguro ou arriscado”. A confiabilidade depende muito mais de fundamentos como capitalização, gestão de riscos, governança e transparência. “Ou seja, o que importa é como o banco opera e não o canal pelo qual o cliente acessa a conta. Em outras palavras, a tecnologia é o meio. A robustez financeira e o comportamento prudente são o que sustentam a confiança”, afirma.

Barreto recomenda que as pessoas levem em conta critérios objetivos: verificar se a instituição é devidamente regulada e supervisionada; observar se seus depósitos e produtos contam com proteção do FGC dentro dos limites aplicáveis; e acompanhar indicadores como o próprio Índice de Basileia, além de sinais de consistência operacional, como transparência na divulgação de informações e resultados recorrentes.

O professor acredita que também é prudente desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima do padrão em produtos comuns. Em finanças, retornos extraordinários costumam vir acompanhados de riscos maiores, entende Barreto. “Com esse conjunto de cuidados, dá para analisar bancos digitais (e tradicionais) com neutralidade e foco no que realmente importa: solidez, transparência e prudência na tomada de risco”, conclui.

Os valores do Índice de Basileia podem ser consultados por diferentes canais. No site do BC, é possível acessar a série histórica dos indicadores das instituições financeiras ao selecionar período, tipo de instituição e relatório. Outra maneira de encontrar o índice é acessando o site Bancodata, que também reúne essas informações de forma organizada.

Além disso, o Índice de Basileia costuma estar nas próprias divulgações oficiais de cada banco, normalmente nas Demonstrações Financeiras. O melhor caminho neste caso, diz o professor, é entrar no site do banco, ir na área de relação com investidores e procurar por ‘Pilar 3’, ‘Basileia’ ou ‘Adequação de Capital’, em que o indicador aparece de forma padronizada e atualizada por período.

Fonte: Época Negócios

 

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