ARACAJU/SE, 6 de abril de 2025 , 16:57:09

Mercado livre de energia cresce com serviços e comércio

 

Um ano depois de o acesso ao mercado livre de energia elétrica para todos os consumidores conectados à rede de alta tensão ter sido autorizado, o setor bate recordes, evidenciando o potencial do segmento e a demanda reprimida. Foram 26.834 novos consumidores em 2024, alta de 263% em relação ao ano anterior, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O maior volume de adesão veio, principalmente, dos serviços e do comércio.

Para 2025, espera-se crescimento ainda maior. Os dois primeiros meses do ano tiveram 5.461 migrações, 41% acima do registrado um ano antes. Uma das explicações para esse movimento está na parcela significativa das despesas operacionais que os custos com energia elétrica representam para os dois setores líderes na migração. O modelo pode significar uma redução em torno de 20% nas despesas com eletricidade, mas há estudos que apontam que essa economia pode ser o dobro desse percentual, dependendo do porte e do consumo da empresa.

“No caso de um supermercado, por exemplo, a energia é um dos principais componentes dos custos fixos, impactando diretamente a competitividade e a formação de preços”, diz o presidente do conselho de administração da CCEE, Alexandre Ramos. Bernardo Bezerra, diretor de regulação e inovação da Serena, geradora e comercializadora de energia, reforça essa visão. “A previsibilidade nos custos e a possibilidade de negociar preços e prazos foram os principais motivadores para essa migração histórica”.

Ambos destacam ainda a preocupação com a sustentabilidade – e o mercado livre permite escolher fornecedores de energia limpa. “Muitas empresas querem reduzir sua pegada de carbono e investir em fontes renováveis”, afirma Ramos. “A transição energética está cada vez mais presente nas decisões empresariais. No mercado livre, os consumidores têm a liberdade de contratar energia de fontes sustentáveis, o que se tornou um diferencial competitivo”, completa Bezerra.

O diretor da Serena avalia ainda que a expansão não é apenas uma questão de economia, mas também de estratégia. “Empresas que adotam energia de fontes renováveis e reduzem custos operacionais estão se destacando no mercado. Esse movimento é irreversível”, afirma Bezerra.

Gustavo Ayala, CEO da comercializadora de eletricidade Bolt Energy, avalia ainda que o consumo deve crescer impulsionado por uma demanda reprimida por energia. Como exemplo, cita que apenas três em cada dez escolas têm ar-condicionado no Brasil, a substituição de combustíveis fósseis por energia elétrica pela indústria, veículos eletrificados e “data centers”. “Todo esse aumento de consumo tem que vir respaldado por aumento de oferta, ou então vamos ter picos no preço”, diz.

Por outro lado, a abertura do mercado livre gerou mais concorrência, pressionando os preços da energia para baixo. A entrada de milhares de novos consumidores estimulou a disputa entre fornecedores e ampliou a diversidade de produtos oferecidos – uma mudança que o próprio setor elétrico precisou se adaptar para atender. “Os fornecedores estão investindo cada vez mais em serviços diferenciados, como consultorias energéticas e modelos de gestão inteligente do consumo, para atrair clientes e se manter competitivos”, diz Ramos, da CCEE.

A câmara tem adotado medidas para garantir uma transição eficiente, garante ele. “Triplicamos nossa capacidade de processamento de dados e criamos soluções de flexibilização de prazos para atender os novos consumidores”, afirma Ramos. Por enquanto, o mercado livre está disponível apenas a consumidores empresariais de alta tensão. A expectativa é que consumidores residenciais possam aderir ao modelo até 2030.

Fonte: Valor Econômico

 

 

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