ARACAJU/SE, 4 de fevereiro de 2026 , 16:38:45

Metade das empresas do agronegócio brasileiro passou a competir em novos mercados nos últimos cinco anos

 

O avanço das tecnologias aliado à necessidade de inovar para fazer frente a desafios geopolíticos, econômicos e climáticos tem levado as empresas do agronegócio a diversificar negócios e a competir em novos mercados. É o que mostra a 29ª Global CEO Survey da PwC, divulgada nessa terça-feira (3).

A pesquisa ouviu 4,4 mil líderes empresariais (CEOs) de diferentes setores, em 95 países, incluindo o Brasil. A PwC Brasil não divulga o número de executivos ouvidos no país, informa apenas que 20% deles são do agronegócio.

De acordo com o estudo, 50% dos CEOs do agronegócio brasileiro afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos. O percentual é alinhado à média nacional de todos os setores (51%) e fica acima da média global (42%).

Mayra Theis, sócia e líder de agronegócio da PwC Brasil, cita o caso do setor sucroenergético, que investe em tecnologias para atuar na produção de biogás, além de produção de energia elétrica, etanol e açúcar. Outro exemplo é do investimento nas lavouras na produção de bioinsumos e no reaproveitamento de resíduos para criar novos produtos, como o biochar de resíduos do café.

“Vemos uma migração das receitas do agronegócio impulsionada por tecnologia e busca por sustentabilidade. O agronegócio está diversificando a atuação para competir melhor”, afirma Theis.

IA e empregos

A pesquisa também revelou que a adoção da inteligência artificial (IA) já começa a ter impacto nos custos e receitas das empresas do agronegócio – algo que não foi detectado em outros levantamos, segundo Theis. No Brasil, 33% dos CEOs do agronegócio relatam aumento na receita atribuído ao uso de IA, contra 29% na média global. Outros 58% relatam pouca ou nenhuma alteração na receita.

Em relação a custos, 33% dos CEOs brasileiros veem queda nos custos com IA e 48%, pouca ou nenhuma alteração. “Vemos um avanço, mas ainda há um longo caminho para que a maioria perceba ganhos com a IA”, afirma.

Em relação aos efeitos da IA no agronegócio, 60% dos CEOs no Brasil avaliam que as empresas vão precisar de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos. Um terço desse grupo espera uma redução acima de 16% no quadro de empregados. Para cargos de nível médio e sênior, o impacto esperado na redução de pessoal é menor.

Theis diz que a IA tem sido usada nas empresas do agronegócio principalmente para otimizar logística, aumentar eficiência no campo, detectar pragas.

“Existe espaço para integração dos dados coletados nos maquinários agrícolas. O uso dessa informação é uma das maiores demandas que vemos no grupo de agtechs. Com uso de conectitivade no campo, com 5G, com satélite, a escala de utilização de IA tende a mudar”, avalia Theis.

Menos otimismo

O estudo também mostrou que os líderes do setor estão menos otimistas que no ano passado. Metade projeta aceleração do crescimento global em 2026, contra 66% na pesquisa do ano passado e contra 61% da média mundial de respondentes.

Em relação ao crescimento do próprio país, 58% dos CEOs do agro brasileiro estão otimistas, contra 55% da média mundial.

Já em relação à expectativa de aumento da receita do próprio negocio, o grau de confiança é bem menor. Apenas 38% esperam crescimento de receita em 2026, contra 48% há um ano.

Olhando em um cenário de longo prazo (três anos), 55% dos CEOs do agronegócio esperam crescimento da receita da empresa, contra 66% no ano passado.

“A queda no otimismo reflete a alta da taxa de juros, a queda nos preços dos grãos e a inflação de insumos”, observa.

Riscos e desafios

Entre os principais riscos ao crescimento, 35% dos CEOs consideram a inflação a maior fonte de preocupação de curto prazo, seguida por instabilidade econômica (33%) e mudanças climáticas (33%). A exposição aos conflitos geopolíticos preocupa 25% dos líderes, assim como falta de mão de obra qualificada e tarifas.

“Talvez as mudanças climáticas tenham importância um pouco menor que a inflação porque a maioria das empresas do agronegócio já desenvolvem planos de acompanhamento e sustentabilidade para a mudança climática. Já a inflação de insumos é o que vai definir as margens, se o produtor vai plantar mais ou menos na próxima safra”, afirma.

Ainda de acordo com o estudo, para 63% dos CEOs do agro brasileiro, a inovação é considerada um componente crítico, ou seja, essencial, da estratégia de negócios. O indicador está acima da média global (50%).

Além disso, o setor avança por meio da colaboração: 38% dos executivos colaboram com parceiros externos, como fornecedores, startups e universidades, para acelerar a inovação — acima da média global (33%).

Fonte: Globo Rural

 

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